PAYADA DO ANO NOVO

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, dezembro 31, 2009 | | 0 comentários »

Jayme Caetano Braun

Feliz Ano Novo - indiada,
Feliz Ano Novo - gente,
É a maneira reverente
De iniciar esta payada,
Nesta hora iluminada
De pátria e de melodia
E o payador se arrepia
De tradição campesina
Na primeira sabatina
Do ano que principia!

Cerimônia não preciso
Para cantar - quando falo,
Porque nasci de a cavalo
No lombo de um improviso,
Canto até o dia do juízo
No estilo missioneiro
E o meu verso galponeiro
Dispensa qualquer prefácio,
Tanto entra num palácio
Como num rancho posteiro!

O Ano Novo - parido,
Anda aí - fazendo as suas,
Pelos campos - pelas ruas,
Potrilho recém lambido,
Inda não tem apelido
Porque é meio bagualão,
Difícil de dar a mão
E bombeando desconfiado
Como china de soldado
Em tempo de "prontidão"!
Os homens do mundo inteiro
Fizeram ajuntamento
Pra assistir o nascimento
Desse piazito janeiro
E aqui no pago campeiro
Toda a indiada se reuniu
E reverente - assistiu,
Com ternura – com afinco,
Pra ver o "noventa e cinco"
Que a noite grande pariu!

Aqui no povo - as famílias,
Fazem o tal "reveillon",
Mas lá no campo - onde o som
É o do vento nas flexilhas,
Nós só fazemos vigílias
Quando se reúne a pionada,
Na volta da madrugada
Ouviu-se um berro de touro,
O ano macho - em vez de choro,
Já nasceu dando risada!

Sendo macho - é sempre assim,
Já nasce enrugando a testa,
Porque não vem pra festa
"De circo de borlantim";
- Esse vai ser de cupim,
Gritava um índio de lá,
Vai ser "buerana" esse piá,
Se não der urucubaca,
Umbigo cortado a faca
E enleado num xiripá!

Eu ia bobeando o céu
Na hora do nascimento
E ouvindo o choro do vento
Num barbaresco te-déum,
Depois - tapiei o chapéu,
Meio pra espantar o sono,
Memoriando - com entono,
Do índio da timbaúva
Que Ano Novo é como chuva,
Não tem patrão e nem dono!

Entre um trago e um amargo,
Recostado num esteio,
Bombeava o piazito feio,
Mas taluda - sem embargo,
Sentindo no campo largo
Cheiro de pasto e incenso
Naquele desejo imenso
De que este ano que nasce
Faça que o homem se abrace
No amor da paz e o bom-senso!

Isso é um sonho, talvez seja,
Do payador que improvisa,
Mas um sonho se realiza
Se - com fé - a gente o deseja,
Mas - pra mim - que tenho a igreja
No altar da geografia,
Guardo essa filosofia
De cruzador sem parança,
Se não houvesse esperança
Tudo que é pobre morria!

Mas vou dar uma cruzada
Lá pras bandas de São Luiz,
Onde deixei a raiz
Pra todo o sempre encravada,
Terra santa - colorada,
De sangue guasca tingida,
Terra mil vezes querida
Morada de São Sepé,
Ali onde a indiada de fé
Nasce com a alma encardida!

Cruzando o Piratini
Vou ver as pedras no fundo,
Santo pedaço de mundo
Que deixei - mas não perdi,
Voltar de novo a guri,
À infância e adolescência,
Rever de novo a querência,
Num verdejo espiritual,
Meu velho pago natal
Onde mamei inocência!

Depois - seguir olfateando
Os recuerdos de criança,
Procurando a sombra mansa
Onde me criei tropeando
E - logo adiante - cruzando
No Passo da Laranjeira,
Lá onde uma bugra parteira,
Segundo o ritual antigo,
Fez enterrar meu umbigo
Na raiz duma figueira!

Depois - matar a saudade,
Se é que a saudade se mata,
Bombeando a lua de prata
Tropeando na imensidade,
A infância e a mocidade
E as ânsias deste índio cuera
E as flores da primavera
Que - sem querer - esmaguei
E os sonhos que não domei
Lá no "rincão da tapera"!

Mas paro - porque a emoção
Já me fez perder a calma,
Tenho urumbevas na alma
E um cerro no coração,
Há um chamado de amplidão
Que para longe me toca
Atração que convoca
De acordo com as velhas leis
Vou dançar ternos de reis
Nos ranchos da Bossoroca!

Autor :
JAYME CAETANO BRAUN

Poesia Jayme Caetano Braun

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, outubro 21, 2009 | , | 0 comentários »

Arroz de Carreteiro
Autoria: Jayme Caetano Braun

Nobre cardápio crioulo das primitivas jornadas,
Nascido nas carreteadas do Rio Grande abarbarado,
Por certo nisso inspirado, o xiru velho campeiro
Te batizou de "Carreteiro", meu velho arroz com guisado.

Não tem mistério o feitio dessa iguaria bagual,
É xarque - arroz - graxa - sal
É água pura em quantidade.
Meta fogo de verdade na panela cascurrenta.
Alho - cebola ou pimenta, isso conforme a vontade.

Não tem luxo - é tudo simples, pra fazer um carreiteiro.
Se fica algum "marinheiro" de vereda vem à tona.
Bote - se houver - manjerona, que dá um gostito melhor
Tapiando o amargo do suor que -
às vezes, vem da carona.

Pois em cima desse traste de uso tão abarbarado,
É onde se corta o guisado ligeirito - com destreza.
Prato rude - com certeza,
mas quando ferve em voz rouca
Deixa com água na boca a mais dengosa princesa.

Ah! Que saudades eu tenho
dos tempos em que tropeava
Quando de volta me apeava
num fogão rumbeando o cheiro
E por ali - tarimbeiro, cansado de bater casco,
Me esquecia do churrasco saboreando um carreteiro.

Em quanto pouso cheguei de pingo pelo cabresto,
Na falta de outro pretexto indagando algum atalho,
Mas sempre ao ver o borralho onde a panela fervia
Eu cá comigo dizia: chegou de passar trabalho.

Por isso - meu prato xucro, eu me paro acabrunhado
Ao te ver falsificado na cozinha do povoeiro
Desvirtuado por dinheiro à tradição gauchesca,
Guisado de carne fresca, não é arroz de carreteiro.

Hoje te matam à Mingua, em palácio e restaurante
Mas não há quem te suplante,
nem que o mundo se derreta,
Se és feito em panela preta, servido em prato de lata
Bombeando a lua de prata sob a quincha da carreta!

Por isso, quando eu chegar,
nalgum fogão do além-vida,
Se lá não houver comida já pedi a Deus por consolo,
Que junto ao fogão crioulo,

Quando for escurecendo, meu mate -amargo sorvendo,
A cavalo nalgum tronco, escute, ao menos, o ronco
De um "Carreteiro" fervendo.

Poesia Jayme Caetano Braun

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, outubro 21, 2009 | , | 0 comentários »

Hora da Sesta

Autoria: Jayme Caetano Braun

O sol parece uma brasa
na cinza do firmamento.
Sobre o campo sonolento
ninguém está de vigília,
na lagoa - uma novilha,
bebe - de ventas franzidas
e duas graças perdidas
sentam na grama tordilha.

No galpão - tudo é silêncio,
e a cachorrada cochila
e a peonada se perfila,
estirada nos arreios,
só se escutam os floreios
da mamangava lubana
fazendo zoada, importuna,
nos buracos dos esteios.

Rompe o silêncio da seta
na guajuvira da frente
o tá-tá-tá impertinente
do bico dum pica-pau.
No galpão - um índio mau
quase enleia na açoiteira
a naniquinha poedeira
que vem botar no jirau.

Mas a soneira é mais forte
do que os gritos da galinha
e até as chinas da cozinha
cochicham meio em segredo,
Não há rumor no arvoredo,
nos bretes e nas mangueiras,
dormem as velhas figueiras
só quem não dorme é o piazedo.

É hora de caçar lagartos
e peleguear camoatim,
hora das artes sim fim
que o grande faz que ignora
e quanto guri de fora
criado no desamor,
numa infância de rigor
só foi guri nessa hora.

Hora de sesta - Saudades,
de juventude e de infância,
Hoje - ao te ver à distância,
quando a vida já raleia,
qual um sol bruxoleia
num canhadão se perdendo,
hoje - afinal - eu compreendo
por que guri não sesteia!

Poesia Jayme Caetano Braun

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, outubro 21, 2009 | , | 0 comentários »

Remorsos de Castrador

Autoria: Jayme Caetano Braun

Um pealo - um tombo - grunhidos
de impotente rebeldia,
o sangue da cirurgia
No laço e no maneador.
Nada pra tapear a dor
do potro que --- sem saber,
perdeu a razão de ser
na faca do castrador.

Há um bárbara eficiência
nessa rude medicina,
a faca é limpa na crina
que alvoroçada revoa,
pouco interessa que doa,
a dor faz parte da vida.
Há de sarar em seguida,
desde guri tem mão boa.

Aprendeu --- nem sabe como,
a estancar uma sangria.
Sem noções de anatomia
é um cirurgião instintivo
que --- por vezes --- pensativo,
afundou na realidade
da crua barbaridade
desse ritual primitivo.

Já faz tempo --- muito tempo,
que um dia --- na falta doutro,
castrou seu primeiro potro,
um zaino negro tapado.
Que pena vê-lo castrado,
o entreperna coloreando
e os olhos recriminando,
num protesto amargurado.

Depois do zaino --- um tordilho,
depois --- baios e gateados,
um por um sacrificados
pela faca carneadeira
e o rude altar da mangueira
a pedir mais sacrifícios
dos bravos fletes patrícios,
titãs de campo e fronteira.

Por muitos e muitos anos
andou nos galpões do pampa,
castrando pingos de estampa
com renomada experiência,
cavalos reis de querência,
parelheiros afamados,
pela faca condenados
a morrer sem descendência.

Às vezes, durante a noite,
um pesadelo o volteia
e o remorso paleteia.
Castrador!... que judiaria!
E quando sem serventia
por aí deixar semente
no mundo onde há tanta gente
pedindo essa cirurgia.

E ali está --- defronte ao rancho,
pastando o mouro do arreio,
pingo de campo e rodeio
que castrou --- quando potrilho.
O mouro --- mesmo que filho
do xirú velho campeiro,
o último companheiro
do seu viver andarilho.

Na primavera --- outro dia,
um potranca lazona,
linda como temporona,
vestida em pelagem de ouro,
veio se esfregar no mouro,
mordiscando pelo e crina,
mais amorosa que china
num princípio de namoro!

E o mouro? --- pobre do mouro!
Não pode ter namorada.
Veio, direto à ramada,
numa agonia sem fim,
olhando pro dono, assim,
num bárbaro desespero,
como dizendo: parceiro,
vê o que fizeste de mim!

Poesia Jayme Caetano Braun

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, outubro 21, 2009 | , | 0 comentários »

Galo de Rinha

Autoria: Jayme Caetano Braun

Valente galo de rinha,
guasca vestido de penas!
Quando arrastas as chilenas
No tambor de um rinhedeiro,
No teu ímpeto guerreiro
Vejo um gaúcho avançando
Ensangüentado, peleando,
No calor do entreveiro !

Pois assim como tu lutas
Frente a frente, peito nu.
Lutou também o chiru
Na conquista deste chão...
E como tu sem paixão
Em silêncio ferro a ferro,
Cala sem dar um berro
De lança firme na mão!

Evoco neste teu sangue
Que brota rubro e selvagem.
Respingando na serragem,
Do teu peito descoberto,
O guasca de campo aberto,
De poncho feito em frangalhos.
Quando riscava os atalhos
Do nosso destino incerto!

Deus te deu , como ao gaúcho
Que jamais dobra o penacho,
Essa de altivez de índio macho
Ques ostentas Já quando pinto:
E a diferença que sinto
E que o guasca bem ou mal!
Só lutas por um ideal
E tu brigas pôr instinto!

Pôr isso é que numa rinha
Eu comtigo sofro junto,
Ao te ver quase defunto.
De arrasto , quebrado e cego,
Como quem diz Não me entrego:
Sou galo, morro e não grito
Cumprindo o fado maldito
Que desde a casca eu carrego!

E ao te ver morrer peleando
No teu destino cruel.
Sem dar nem pedir quarteu.
Rude gaúcho emplumado.
Meio triste , encabulado,
Mil vezes me perguntei
Pôr que é que não me boleei
Pra morrer no teu costado?

Porque na rinha da vida
Já me bastava um empate!
Pois cheguei no arremate
Batido , sem bico e torto ..
E só me resta o conforto
Como a ti, galo de rinha
Que se alguem me
dobrar - me a espinha
Há de ser depois de morto!

Música Gaúcha: tradicionalismo versus tchê music

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, outubro 21, 2009 | | 0 comentários »

Reportagem de capa do Diário Gaúcho, de 17 de outubro de 2009:

Será o fim da tchê music?

Músicos do movimento que abandonou a pilcha nos palcos, desafiando patrões de CTGs, voltam atrás e rendem-se ao tradicionalismo.

Três anos após a polêmica que varreu bailantas Rio Grande afora, os filhos à casa tornam. Em 2006, de um lado do embate, estavam os integrantes das chamadas bandas de tchê music, do outro, os irredutíveis tradicionalistas.

Agora, nomes até pouco tempo da tchê music, como Luiz Cláudio e o grupo Quero-Quero, estão voltando às origens. Outros, como o Tchê Barbaridade, tentam o meio-termo. Será o início do fim da tchê music? Eles serão aceitos de volta nos CTGs?

Pelas palavras do presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF), Manoelito Savaris, não será tão simples assim.

– Se voltarem a fazer música gaúcha tradicional, tendo a postura adequada, serão contratados. Mas poderão ter dificuldade, pois haverá desconfiança – avisa o tradicionalista.

– Quem for contratá-los terá que tomar certos cuidados. Eles terão que comprovar que voltaram ao tradicionalismo – sustenta Manoelito.

Quem for voltar, que volte por inteiro:

– Se quiserem disputar o mercado, que venham por inteiro. Existem 900 galpões de CTGs realizando bailes e fandangos pelo Rio Grande do Sul!

Crítico de todo e qualquer tipo de radicalismo com que tradicionalistas tratam a questão, o folclorista e pesquisador Paixão Côrtes ressalta:

– Sou contra qualquer medida proibitiva, mas sou a favor de conceituação, da diferenciação dos estilos claramente.

E, se o presidente do IGTF, Manoelito, aposta que os tchês têm prazo de validade:

– Eles não guardam raiz com nada!

Aí, o eterno Laçador bem que concorda:

– Todo modismo tem tempo limitado, é circunstancial, consumista...

Quero-Quero, um dos grupos mais renomados, teve apenas um DVD em estilo tchê music e não quis continuar na linha. Foi em 2005, com Ave Fandangueira ao Vivo.

– Tentamos passar para um mercado que estava se abrindo. Mas o público mais fiel chiou e com razão. Nossa veia é tradicional – define o vocal, André Lucena.

Para confirmar o que diz, o músico ressalta que o grupo nunca deixou de usar toda a vestimenta gaúcha nos palcos.

– A gente ouvia: “O Quero-Quero tá na tchê music, então, não toca mais no nosso CTG”. Mas já estamos recebendo convites novamente – relata o integrante do grupo.

Quanto ao motivo da volta às origens, o cantor não poupa palavras, ainda que com um pouco de receio de provocar a ira dos adeptos da tchê music:

– Nós somos muito críticos em relação à musicalidade. O que observamos, sem querer depreciar ninguém, é que as letras da tchê music eram muito pobres!

Os fãs já podem agendar-se, porque o retorno do grupo ao tradicionalismo será marcado pelo lançamento do álbum Quero-Quero 20 anos de História. Deve estar nas lojas em dezembro.

Em 2006, Luiz Cláudio declarava: “Abandonamos a pilcha para ficar mais perto do público”. Hoje, voltou a usar bombacha e, definitivamente, como gosta de ressaltar.

– O nosso público começou a nos cobrar músicas tradicionais. Nunca cuspi no prato que comi, apenas segui um caminho que achei conveniente na época. Voltei para ficar – assegura.

Durante o seu tempo de tchê music, os CTGs não o aceitavam. Agora, tem esperança que a situação mude:

– Já pilchado, fiz o encerramento da Semana Farroupilha em Canoas.

Um dos primeiros a saber da mais recente mudança de Luiz Cláudio foi Manoelito, que, em 2006, presidia o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), hoje comandado por Oscar Gress (o Diário tentou contato, mas Oscar está em viagem). Luiz Cláudio enviou e-mail a Manoelito, com a capa do novo CD e com a música Se o Rio Grande me Precisa – na “nova” linha tradicionalista.

– Fiz isso para me retratar com ele e comunicar a mudança. Ele respondeu muito bem – conta o músico.

Direto de Itajaí, Santa Catarina, onde Tchê Garotos fez show recentemente, o gaiteiro e vocalista Markynhos Ulyian nega o rótulo de tchê music para o grupo. Mas não dá para negar que foi justamente quando abandonaram a fase tradicionalista, que estes gaúchos começaram a bombar nacionalmente.

– Tchê music não existe no resto do país. Em São Paulo, por exemplo, somos sertanejos. Em novembro, lançaremos o CD Tchê Garotos – Luau Sertanejo – conta.

Quanto aos grupos que estão voltando para o tradicionalismo, Markynhos é definitivo:

– Acredito que é mais uma forma de desespero deles, atrás do ganha-pão.

Em busca de “um ponto de equilíbrio entre as vertentes”, como gosta de argumentar, o Tchê Barbaridade lança o CD Cante e Dance com faixas bem mais campeiras como Trancaço, escrita por Mauro Moraes, premiado em vários festivais nativistas.

– A gente vai tentar achar um caminho para unificar as duas ideias, o tradicional com o novo. Já temos músicas com esta perspectiva – afirma o vocalista e líder do grupo, Marcelo Noms.

Mesmo perseguindo o meio-termo com o resgate do tradicional, o Tchê Barbaridade não pretende vestir a bombacha de novo.

– Temos uma cantora (Carmen). Colocá-la vestida de prenda é pedir para andar para trás! – sentencia o músico, que finaliza com uma observação:

– Deixamos de ser um objeto cultural, para ser um grupo totalmente ligado à música.


JOSÉ AUGUSTO BARROS | jose.barros@diariogaucho.com.br

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Em pouco de História do RS no mês da Semana Farroupilha

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, setembro 03, 2009 | , , , , | 0 comentários »

Nos tempos em que as estâncias eram de todos
Mário Maestri

O caráter do trabalho e da propriedade da terra era coletivo nas missões guaranis, privado nas fazendas luso-brasileiras


Mário Maestri


Em 1626, jesuítas espanhóis cruzaram o rio Uruguai e fundaram missões, a partir do noroeste do atual RS, sobretudo com populações guaranis. Em 1634, os inacianos importaram 1.500 bovinos para formar os rebanhos dos dezesseis pueblos do Tape. Em 1636-38, o gado foi abandonado pelos guaranis missioneiros que retornaram para a outra banda do Uruguai, assaltados pelos paulistas escravizadores. O rebanho multiplicou-se, atravessou os rios Jacuí-Ibicuí em direção ao sul, formou a enorme vacaria do Mar, entre o oceano e os rios Jacuí e Negro.

Na segunda metade do século 17, devido à crise da economia açucareira, a coroa portuguesa retomou a procura das minas e lançou novas iniciativas econômicas. Em 1680, fundou a Colônia do Santíssimo Sacramento, diante de Buenos Aires, na outra margem do rio da Prata. Procurava com ela retornar às trocas de cativos, manufaturados e produtos da costa do Brasil pela prata andina, permitidas pela coroa espanhola até o fim da União Ibérica, em 1640. Os couros trazidos pelos espanhóis de Buenos Aires ou do interior da banda oriental do Uruguai, por portugueses, castelhanos e charruas, garantiram o sucesso da cidadela.

Em 1682, os guaranis missioneiros retornaram ao atual Rio Grande do Sul para barrar o saque das vacarias dos pampas e o avanço lusitano. Os Sete Povos apoiaram-se fortemente na extração animal, inicialmente, e na sua criação, a seguir. Mais tarde, a regressão do pastoreio fortaleceu a agricultura missioneira. A economia pastoril dos Sete Povos constituiu a pré-história das estâncias sul-rio-grandenses. Não procedem as propostas ideológicas de que ela seria mera exploração predatória do gado chimarrão.

Em Origens da economia gaúcha: o boi e o poder, livro póstumo de 2005, Guilhermino César descreve a organização das estâncias jesuíticas como a "mais simples possível": "[...] um grupo de catecúmenos [...] tangia reses mansas para um posto deserto, deixava-as em liberdade, e estava formado o criatório." Essa prática jamais teria constituído verdadeira economia pastoril, já "que a criação se fazia [...] ao deus-dará", com os gados "espalhados, em desordem" caminhando "sem restrições". Segundo ele, nenhum "regime fundiário vigorara naquela ‘terra de ninguém’ [sic]", onde a incúria quase natural e o "nomadismo congenial" dos guaranis teriam determinado tamanha "instabilidade" na atividade "que, à flor do chão, não ficou memória das estâncias jesuíticas", esfumando-se na "mente coletiva" sua recordação. Essa leitura foi amplamente difundida pela historiografia tradicional sulina, que estabeleceu hiato radical entre as histórias guarani-missioneiras e sul-rio-grandense.

Inicialmente, a exploração missioneira das vacarias deu-se sob licença dos padres superiores, preocupados em não esgotar os gados. Os vaqueiros guaranis não praticaram o abate geral de animais pelo couro, sebo e graxa, deixando as carcaças nos campos, como os corambreros ibéricos e nativos trabalhando sobretudo para Sacramento. Nos anos 1690, exagerando enfaticamente, o padre Sepp escrevia que, após dois meses, os vaqueiros retornavam com "cinqüenta mil vacas", para a "a alimentação" anual de sua missão. Contava que, nos navios da Ordem, partiam 300 mil couros, de "touros mais crescidos", e não de "vacas", certamente para manter a "procriação indispensável".

Preocupados com a perenidade dos rebanhos, os missioneiros fundaram, em 1700, a vacaria dos Pinhais, no Planalto, nas margens do rio Pelotas. Quando os gados das vacarias do Mar e dos Pinhais foram esgotados, pelos coureadores e tropeiros, fogueados pelas descobertas das minas [1695] e pela fundação da vila de Rio Grande [1737], os vaqueiros das missões enfatizaram a criação animal nas estâncias dos pueblos.

As grandes estâncias missioneiras, delimitadas por rios, riachos, matas, serros, etc., subdividiam-se em sedes e postos, com aldeias de dez a doze famílias, com suas capelas, currais, plantações, etc., povoadas por posteiros, que domesticavam e tratavam os animais nos rodeios e cuidavam que não fugissem. No Planalto, estâncias menores, próximas aos Sete Povos, invernavam o gado trazido pela Boca do Monte [atual Santa Maria] e pelo Boqueirão [atual Santiago], para o consumo dos pueblos. A criação missioneira assumiu o caráter de produção pastoril extensiva herdado pelas futuras estâncias luso-brasileira, disseminadas na Campanha, nas Missões, nos Campos Neutrais e no norte do atual Uruguai, sobretudo a partir de 1780, após a instalação de charqueadas no Sul, que valorizou fortemente a exploração mercantil dos rebanhos.

O laço, as boleadeiras, o poncho, o mate, o churrasco, a doma em campo aberto, o aquerenciamento e manejo dos gados no rodeio, as vaus dos rios, os boqueirões nas serras, a origem de muitas cidades sulina, etc. foram algumas das heranças legadas pelas missões guaranis à civilização sul-rio-grandense. Foi muito amplo o arrolamento de missioneiros e de nativos pampianos como peões nas fazendas luso-brasileiras que proliferariam na região.

A grande diferença entre as duas sociedades foi o caráter do trabalho e da propriedade da terra, coletivo nas missões guaranis, privado nas fazendas luso-brasileiras. Para que, após a ocupação militar lusitana das Missões, em 1801, as estâncias coletivas guaranis fossem melhor repartidas em sesmarias privadas, exploradas com o braço escravizado e assalariado, era necessário que desaparecesse na memória histórica regional aqueles longos e estranhos tempos em que as pampas e os gados eram de todos, e não apenas de alguns poucos.

Mário Maestri, 61, historiador, é professor do Curso e do Programa de Pós-Graduação em História. E-mail: maestri@via-rs.net

Fonte: Brasil de Fato

Esquilador

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sábado, agosto 29, 2009 | , | 0 comentários »

Lindíssima composição de Telmo de Lima Freitas, artista que será patrono da Semana Farroupilha 2009, aliás, homenagem merecida à este brilhante artista gaúcho.

Telmo de Lima Freitas*

Quando é tempo de tosquia
Já clareia o dia com outro sabor
(bis)

As tesouras cortam em um só compasso
Enrijecendo o braço do esquilador
(bis)

Um descascarreia outro já maneia
E vai levantando para o tosador
(bis)

Avental de estopa, faixa na cintura
E um gole de pura prá espantar o calor
(bis)

Alma branca igual ao velo
Tosando a martelo quase envelheceu
(bis)

Hoje perguntando para a própria vida
Prá onde foi a lida que ele conheceu
(bis)

Quase um pesadelo arrepia o pêlo
Do couro curtido do esquilador
(bis)

Ao cambiar de sorte levou cimbronaço
Ouvindo o compasso tocado a motor
(bis)

A vida disfarça ouvindo a comparsa
Quando alinhavava o seu próprio chão
(bis)

Envidou os pagos numa só parada
33 de espada mas perdeu de mão
(bis)

Nesta vida guapa vivendo de inhapa
Vai voltar aos pagos para remoçar
(bis)

Quem vendeu tesouras na ilusão povoeira
Volte prá fronteira para se encontrar
(bis)

*Telmo de Lima Freitas: Patrono da Semana Farroupilha 2009

Telmo Lima de Freitas é o Patrono da Semana Farroupilha 2009

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sábado, agosto 29, 2009 | | 0 comentários »

Autor de Esquilador é o Patrono da Semana Farroupilha 2009

Em seu galpão adornado com os mais variados artefatos da cultura gaúcha, o compositor Telmo de Lima Freitas aceitou, hoje pela manhã, o convite da Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas para ser o Patrono da Semana Farroupilha 2009. Seu nome foi escolhido por unanimidade pela Comissão, além de ter sido indicado também pelo Piquete 38, da Polícia Federal. Bastante emocionado, Freitas disse se sentir muito honrado pelo homenagem e que pretende cumprir com todas as obrigações e compromissos. A figura de Patrono busca homenagear pessoas que tenham se destacado na produção e divulgação da cultura gaúcha.


Telmo de Lima Freitas nasceu em 13 de fevereiro, no município de São Borja. Filho do oficial do exército, Leonardo Francisco Freitas e da campeira, Mariana de Lima Freitas, desde muito cedo demonstrou interesse pela carreira musical. Aos 14 anos, já participava do grupo Quarteto Gaúcho. Nos anos 50, apresentou o programa gauchesco Porongo de Pedra, em uma rádio de São Borja. Seu primeiro disco, O Canto de Telmo de Lima Freitas, foi lançado em 1973. Ao lado dos amigos Edson Otto e José Antônio Hahn, conquistou o troféu Calhandra de Ouro, da Califórnia da Canção Nativa, de Uruguaina, com a canção Esquilador, um de seus maiores clássicos.


Temário


“Os Farroupilhas e suas façanhas”, tema adotado para 2009, irá apresentar os principais momentos do Decênio Heróico, lembrando atos importantes como a invasão de Porto Alegre, a fuga de Bento Gonçalves da prisão e a tomada de Laguna, entre outros. Também já está marcado para o dia 22 de agosto, o acendimento da Chama Crioula, em São Lourenço do Sul.
O evento também já conta com a música-tema “Façanhas por ideais de Farroupilhas Imortais”, escrita pelo poeta Albeni Carmo de Oliveira e com música de Francisco Fighera e Clóvis Frozza. A canção será gravada em estúdio até o início de maio e disponibilizada para download gratuito no site www.semanafarroupilha.com.br.

Crédito: Felipe Basso / Divulgação Semana Farroupilha

Semana Farroupilha 2009 - tema e logotipo

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sábado, agosto 29, 2009 | , , | 0 comentários »

“OS FARROUPILHAS E SUAS FAÇANHAS”

1. O PRIMEIRO ATO: INVASÃO DE PORTO ALEGRE

Depois de meses de discussões na Assembléia Provincial e no interior das lojas maçônicas os farroupilhas resolveram invadir Porto Alegre, na noite de 19 para 20 de setembro de 1835.

Jose Gomes Vasconcelos Jardim reuniu um grupo de farroupilhas em Pedras Brancas, cruzou o Lago Guaíba e se encontrou com Onofre Pires da Silva Canto na região sul da capital, que o esperava com outro grupo de farroupilhas.

Na madrugada do dia 20 de setembro os farroupilhas chegavam na Ponte da Azenha, se defrontaram com uma patrulha policial, derrotaram os caramurus e puseram o Presidente da Província Antonio Rodrigues Fernandes Braga, em fuga para a cidade de Rio Grande.

Foi escolhido como Presidente da Província Marciano Pereira Ribeiro e como comandante-das-armas o Coronel Bento Manoel Ribeiro

2. O GRITO DE LIBERDADE: PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA RIO-GRANDENSE

Quase um ano depois de iniciada a revolta dos farroupilhas, encontrava-se Antonio de Souza Netto nos Campos do Seival quando foi atacado por Silva Tavares que retornava de um auto-exílio no Uruguai. Depois da batalha, travada no dia 10 de setembro. Netto reuniu seus oficiais, nos Campos dos Menezes e, num ato de coragem e determinação, proclamou a República Rio-grandense. 11 de setembro de 1836 marca o nascimento de uma nova nação.

A Câmara de Vereadores de Jaguarão foi a primeira a apoiar o ato de independência.

Em seguida os farroupilhas definiram a primeira Capital, Piratini foi a vila escolhida, por se encontrar localizada num ponto estratégico.
Como símbolo da nova nação foi apresentada o Pavilhão Tricolor, que manteve as cores brasileiras, verde e amarelo, mas introduziu entre elas o vermelho representativo do espírito republicano e federalista.

Procedida a eleição para a presidência da República Rio-grandense, foi escolhido Presidente Bento Gonçalves da Silva e para Vice-presidentes Paulo Antonio da Fonseca, Coronel Jose Mariano de Matos, Coronel Domingos Jose de Almeida e Ignácio Jose d’Oliveira Gomes.

3. BENTO GONÇALVES FOGE DO FORTE DO MAR, ONDE SE ENCONTRAVA PRESO

Preso no combate da Ilha do Fanfa, em 02 de outubro de 1836, Bento Gonçalves e mais outros farroupilhas, entre eles Pedro Boticário, foram levados presos para a fortaleza de Lage no Rio de Janeiro.

Depois de uma frustrada tentativa de fuga, o líder farrapo foi transferido para O Forte do Mar, em salvador, Bahia, de onde fugiu, em setembro de 1837, com a inestimável ajuda da maçonaria.

4. OS FARROUPILHAS TOMAM RIO PARDO: SURGE O HINO FARROUPILHA

No ano de 1838 os farroupilhas estavam fortalecidos e reuniram suas melhores forcas, sob o comando de seus mais ilustres militares, atacaram o Município de Rio Pardo onde os imperiais mantinham forte contingente.

O ataque farroupilha foi fulminante resultando vitoriosos os farroupilhas naquela batalha que passou para a história com o nome de Batalha do Barro Vermelho.

Naquela batalha estavam presentes Bento Gonçalves, Teixeira Nunes, David Canabarro, João Antonio, Bento Manoel, Domingos Crescêncio, Antonio de Souza Neto.

Entre os imperiais presos estava a banda do 12° Batalhão de Caçadores. O maestro Joaquim Jose de Mendanha foi instado a compor uma canção para comemorar a vitória dos farrapos.

No dia 6 de maio a canção foi executada, pela vez primeira, diante do Estado Maior do Exercito Farroupilha. Assim nascia o Hino Farroupilha que mais tarde recebeu a letra de Francisco Pinto da Fontoura.

5. FORMA-SE A MARINHA FARROUPILHA: GARIBALDI FAZ A TRAVESSIA DOS LANCHÕES

A necessidade de ocupação da Laguna dos Patos e do suporte aos movimentes em terra, foram a motivação para a construção de barcos, no canal de São Gonçalo, para compor uma frágil, mas ativa Marinha Farroupilha. Giuseppe Garibaldi, um italiano de convicção republicana comandou pessoalmente a construção dos barcos, tendo ao seu lado o inglês John Griggs.

Quando os comandantes farroupilhas decidiram tomar a Vila de Laguna, em Santa Catarina com o intuito de proclamar a República Catarinense e ter uma saída para o mar, Garibaldi aceitou o desafio de colocar seus dois lanchões, Seival e Rio Pardo, no mar, para isso levou-os até a foz do rio Capivari e, por terra, numa verdadeira epopéia, transportou os barcos em duas carretas puxadas por 100 juntas de bois, recolocando os barcos na água, no rio Tramandaí e alcançando o mar no dia.

O naufrágio do Lanchão Rio Pardo, comandado por Garibaldi, na altura de torres, não impediu que o valente corsário chegasse, por terra e de a cavalo, em Laguna.

6. A REPÚBLICA CATARINENSE: ANITA SE UNE A GARIBALDI

A invasão de Laguna foi comandada pelo mais pertinaz comandante farroupilha, David Canabarro. Contando com tropas de Joaquim Teixeira Nunes, por terra, e com um lanchão chefiado por Johan Grigs, por mar, tomou a localidade no dia 29 de julho de 1839.

O ato seguinte foi a proclamação da Republica Rio Catarinense. Os imperiais e agiram e, numa operação por mar, recuperaram a cidade, fazendo com que os farroupilhas recuassem.

Em terras catarinenses foi que Giuseppe Garibaldi conhecia Ana Maria de Jesus Ribeiro, a Anita, que abandonou sua terra natal e se transformou na companheira do italiano. Anita Garibaldi lutou ao lado do marido, teve seu primeiro filho, Menotti, em terras gaúchas, na região de Mostardas. Acompanhou Garibaldi na campanha do Uruguai e com ele se tornou heroína na luta pela unificação da Itália.

7. A REPÚBLICA RIO-GRANDENSE SE ESTRUTURA COMO UMA NAÇÃO.

Depois de proclamada a República Rio-grandense, de escolhidos os seus dirigentes, havia a hercúlea tarefa de organizar a administração.

O primeiro presidente, provisório, pois Bento Gonçalves se encontrava preso no Rio de Janeiro, foi Jose Gomes Vasconcelos Jardim . O Ministro do Interior e da Fazenda, Domingos Jose de Almeida, foi o grande responsável pela administrativa da República.

O primeiro General Farrapo foi João Manoel de Lima e Silva, liberal e republicano convicto, deixou o Rio de Janeiro para se engajar na luta dos farroupilhas.

A imprensa oficial foi entregue ao italiano, amigo de Garibaldi, Luiggi Rossetti. O jornal “O Povo” se tornou o meio mais eficaz de comunicação da República.

8. A ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE E A TERCEIRA CAPITAL

Em 1840 os farroupilhas já dando mostras de enfraquecimento militar mas cada vez mais firmes na tentativa de implantar a República, transferiram a Capital para o Município de Alegrete.

No ano de 1842 reuniu-se a Assembléia Constituinte. Eleitos os 36 deputados, reuniam-se na capital farroupilha para discutir a Constituição. Entre os Deputados vamos encontrar os padres Francisco das Chagas Martins de Ávila e Sousa e Hildebrando de Freitas Pedroso, alem de vários oficiais e civis.

Longos foram os debates e notáveis os avanços ideológicos propostos pelos republicanos. Para a época eles elaboraram uma das constituições mais avançadas.

Não puderam concluir a tarefa, mercê das discordâncias internas, mas, mesmo assim deixaram para a história um documento primoroso.

9. A PAZ DE PONCHE VERDE

Depois de quase dez anos de luta, os farroupilhas acordaram com os imperiais os itens da pacificação.

Os artífices do acordo foram Jose Gomes de Vasconcelos Jardim, Bento Gonçalves, Antonio Vicente da Fontoura, Padre Francisco das Chagas, cabendo a David Canabarro, que comandava o Exército Farroupilha e a Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, Presidente da Província e Comandante do Exército Imperial, assinar o tratado.

Canabarro reuniu os comandantes, nos Campos de Ponche Verde, Município de Dom Pedrito, para decidir sobre a proposta de Caxias. A ata foi assinada no dia 28 de fevereiro de 1845.

Instalado na mesma região, o Duque da Caxias foi informado a respeito da decisão favorável dos farroupilhas e assinou a pacificação no dia 01 de março do mesmo ano.

Chega ao fim a mais longa e dura revolução já ocorrida em terras brasileiras. Os farroupilhas não tiveram êxito na implantação da República, mas plantaram as sementes que germinaram e se transformaram realidade anos mais tarde quando o Brasil deixou de ser um Império para ser uma República.

Nos anos seguintes à Revolução Farroupilha estavam os farrapos e os caramurus unidos no mesmo Exército Brasileiro lutando contra as ameaças dos paises vizinhos, primeiro a Argentina e depois o Paraguai.

Manoelito Carlos Savaris
Presidente do IGTF

Ser Gaúcho é…

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sábado, agosto 29, 2009 | | 0 comentários »

... é morar em Florianópolis e dizer que Porto Alegre é melhor;
... é assinar Zero Hora em Nova York ;
... é estar no Maracanã escutando a Rádio Gaúcha;
... é bater no filho ao descobrir que ele é Flamengo;
... é ir à Joaquina de garrafa térmica;
.... é achar que a FREE WAY é a nona maravilha do mundo;
....é ter confiança em bancos gaúchos;
... é comemorar uma revolução que não deu certo;
... é chamar a mulher de prenda;
... é dizer que é difícil fazer churrasco;
... é comer a costela antes da picanha;
... é dizer que vaso de banheiro é PATENTE;
... é comer NEGRINHO em vez de brigadeiro;
... é falar TCHÊ ao telefone só pra ver se descobre outro;
....é falar TU em vez de VOCÊ;
... é enviar cartão postal de TORRES;
... é fazer compras no SUPER;
... é dizer que tem um FRIGIDAIRE em vez de geladeira;
....é achar que o LAÇADOR é maior e mais bonito que o Cristo Redentor;
... é achar que o GUAÍBA é rio;
... é dizer que tomar água à 100º C com gosto de mato é coisa de macho;
... é chamar geléia de CHIMIA;
.... é chamar doce de leite de MU-MU;
....é falar classe em vez de carteira;
... é falar roleta em vez de catraca;
... é falar lomba em vez de morro;
... é poder falar tri legal ou muito tri;

O Rio Grande tem:

- o melhor índice de desenvolvimento humano do Brasil;
- o menor índice de analfabetismo do País;
- a população mais longeva da América Latina;
- as mulheres mais bonitas do País;
- é o melhor lugar para se comer no Brasil;
- tem os melhores vinhos do Brasil;


Ser gaúcho é:

- saber que a nossa pátria é o Pampa e não a praia com coqueiros;
- saber que nossa característica é a bravura e não o jeitinho;
- saber que nosso valor é a lisura e não a malandragem.
- é ser simples de modos, mas reto de caráter;
- é ser franco e direto, nem que isso cause inimizades;
- é ser humilde em ambições, mas exagerado em ideais e paixões;
- é ser um respeitador fiel da hierarquia funcional e o primeiro a
proclamar a igualdade;
- é um ser batalhador, que não desiste nunca;
- é um rebelde, que nunca aceita ser dominado;
- é um bravo, que não foge de uma luta por ser difícil.
- o gaúcho autêntico é um verdadeiro tradicionalista. Não porque
aprende coisas no CTG, mas porque carrega em si esses valores e não
vê alternativa possível de vida digna fora deles.

Por isso eu tenho orgulho de ser chamado de "GAÚCHO".

Contribuição da Prenda do Mês de Março - Josi Hellem Vernetti

Documentário sobre Luiz Marenco

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sábado, agosto 29, 2009 | , | 0 comentários »

"Estradeiro" de Esther da Veiga

Assista no Youtube, um trailer sobre o projeto de conclusão de curso, feito pela aluna de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, Esther da Veiga, relatando a carreira de Luiz Marenco. O projeto consiste na produção de um vídeo-documentário de aproximadamente vinte minutos, onde foi abordada a carreira de um dos maiores cantores da música gaúcha.

Em seu conteúdo, o trabalho visou apresentar alguns aspectos peculiares mais marcantes na figura do gaucho, verificar quais são os significados da música gaúcha presente na cultura do Estado do Rio Grande do Sul e transpor, através da contextualização de fatos, porque Luiz Marenco é tão importante para a história da música tradicionalista do Estado.

As gravações iniciaram em marco de 2009 e a aluna percorreu o estado em busca de depoimentos e informações.

Obrigado Esther, pelo carinho e comprometimento com este trabalho que será apresentado junto as comemorações dos 20 Anos de Carreira de Luiz Marenco em 2010.

Luiz Marenco Produções Artísticas

link

Luiz Marenco

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sábado, agosto 29, 2009 | , , | 0 comentários »

Show de Luiz Marenco na Expointer:

http://mail.google.com/mail/?ui=2&ik=595fe1f866&view=att&th=1236302c3d1f5065&attid=0.1&disp=inline&zw


Bailes do Boqueirão


Composição: Jayme Caetano Braun - Luiz Marenco

Nos bailes do boqueirão sem espora ninguém dança
E toda e qualquer lambança se decide no facão
Nos bailes do boqueirão candeeiro de querosene
Gateada, ruiva e morena a gente amansa a tirão

Nos bailes do boqueirão com cordeona de oito baixo
A fêmea que agarra o macho e é proibido carão
Nos bailes do boqueirão não tem de mamãe não gosta
Depois que a chirua encosta só que aparte com facão

Nos bailes do boqueirão nunca se muda de rima
O mais fraco vai por cima e o mais forte anda no chão
Nos bailes do boqueirão ninguém é dono de china
E o causo sempre termina num sururu de facão

Nos bailes do boqueirão quando o candeeiro termina
Apenas o olhar da china serve de iluminação
Nos bailes do boqueirão sempre que dá um tempo feio
O taio de palmo e meio é menor que um beliscão

Cavalgada da Chama Crioula chega em Rio Pardo

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sábado, agosto 29, 2009 | , , , | 0 comentários »

O Rio Grande do Sul pertence ao Brasil por causa de Rio Pardo. Essa afirmação é baseada na importância que teve a Fortaleza Jesus Maria José e na demarcação e preservação do domínio português contra o avanço dos espanhóis no sul do continente. Com o Tratado de Madri, em 1750, firmado entre as duas potências, Rio Pardo passou a ser a fronteira entre as colônias a partir da segunda metade do século 17. A construção da fortaleza começou em 1753. Ela abrigou o Regimento dos Dragões e foi palco de batalhas que consolidaram posições lusas. Nunca foi tomada, por isso ficou conhecida como a "Tranqueira Invicta".

Devido à privilegiada posição geográfica, entre os rios Jacuí e Pardo, a cidade passou a ser o principal ponto de abastecimento do Estado, atraindo tropeiros, já que o transporte era feito, essencialmente, por via fluvial. Seu território chegou a abranger 16.803 km2, ou seja, mais da metade do território da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul (1807).

E é nesta cidade histórica que os Cavaleiros do Planalto Médio de Passo Fundo após percorrerem 213 km em 6 dias de cavalgada chegam conduzindo a chama crioula 2009, para se arrancharem no Parque de Exposições para um merecido descanço de cavalos e cavaleiros.

Amanhã (28/08) a lida começa cedo, as sete horas da manhã os pingos devem já ter sido tratados, rasqueados e encilhados para um novo galope. Desta vez com destino a Passo do Sobrado, num percurso de 33 km.

E assim, neste trancão, vão os Cavaleiros do Planalto Médio, agradecendo a fidalguia e hospitalidade de quem os recebe, a bondade Divina pelo bom tempo, o cozinheiro pela bóia, os cavalariços pela trato aos animais e aos cavaleiros e equipe de apoio pela parceria, até chegarem em Passo Fundo, após percorrerem 523 km neste compromisso que só autenticos guapos conseguem cumprir.

A cavalgada com a Chama Crioula 2009 chega em Passo Fundo dia 06 de setembro no Parque de Rodeios da Roselândia, as 11 horas da manhã.

Cavaleiros do Planalto Médio

Chama Crioula - 2009

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sábado, agosto 29, 2009 | , , , | 0 comentários »

O Acendimento da Chama Crioula é o mais importante evento relacionado à cultura do gaúcho no Rio Grande do Sul. Neste ano em sua 62ª edição, o evento que ocorreu neste sábado 22, às 10:00 horas da manhã, abriu oficialmente os festejos farroupilhas no Estado na cidade de São Lourenço do Sul.

O presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho, Oscar Fernande Gress, disse que o significado histórico do acendimento da chama crioula é muito forte. "É uma representação de orgulho que traduzimos em atos que reforçam cada vez mais o culto às tradições do Estado do Rio Grande do Sul", justifica. "Este ano, principalmente pelo tema, que é o 'Os Farroupilhas e suas façanhas', São Lourenço faz parte, e é oportuno que realizemos o Acendimento nesse importante município no cenário da Revolução Farroupilha".

O Grupo Cultural e Tradicionalista Cavaleiros do Planalto Médio fundado em 12 de fevereiro de 2005, e que tem como lema, "Do Planalto Médio a Cavalo, pela Integração do Rio Grande", pelo quinto ano consecutivo representa a Sétima Região Tradicionalista na condução da Chama Crioula, desde o seu acendimente até a entrega no Parque de Rodeios da Roselândia dia 06 de setembro.

Neste ano serão 523 Km percorridos, tendo como etinerário : São Lourenço do Sul, Dom Feliciano, Pantano Grande, Rioa Pardo, Venâncio Aires, Barros Cassal, Soledade e Passo Fundo.

O grupo que tem como Patrão Paulo Roberto dos Santos (Zebra) é formado por 35 homens entre cavaleiros e equipe de apoio, que conta com caminhão boiadeiro para levar os cavalos de muda, cozinha, ferreiro e toda infra estrutura para que a cavalgada consiga atingir o propósito, com nos anos anteriores quando foram percorridos desde Viamão 435 Km em 2005, 460 Km de São Gabriel em 2006, 427 Km de São Nicolau e 348 Km de São Leopoldo.

O Comandante de Cavalaria Verceli de Oliveira e seu auxiliar Deoclécio Wolf são os responsáveis pelos pontos de sesteada e pouso e pelo cuidados que os animais recebem, além de farta alimentação para que os cavalos recuperem o desgaste natural das 8 horas cavalgadas diariamente.

Como responsável pela divulgação está o empresário e tradicionalista José da Silva Almeida (Juca) que divulga entre os orgãos de imprensa e os familiares dos cavaleiros sobre o andamento da cavalgada.

Telmo de Lima Freitas, patrono da semana farroupilha recebe do grupo um certificado que serve como homenagem e reconhecimento pelos relevantes serviços prestados ao Movimento Tradicionalista.

Ajude a divulgar nossa cultura.

Pedro Raimundo

Postado por Mauro dos Reis | quinta-feira, julho 09, 2009 | , | 0 comentários »

Nascido em Imaruí SC 29/6/1906- e falecido no Rio de Janeiro RJ 9/7/1973. Filho do pescador e sanfoneiro João Felisberto Raimundo, começou a tocar sanfona aos oito anos. Foi pescador até os 17 anos, quando passou a trabalhar na construção da Estrada de Ferro Esplanada-Rio Deserto SC. Morou em Lauro Muller, Blumenau e Laguna SC, fixando-se em Porto Alegre RS em 1929. Na capital gaúcha foi condutor de bondes e inspetor de tráfego, tocando sanfona em cafés do Mercado, nas horas de folga. Em 1939 foi chamado a trabalhar na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, onde organizou o Quarteto dos Tauras. Em 1942 excursionou pelo interior do Rio Grande do Sul e no ano seguinte foi ao Rio de Janeiro RJ, onde se apresentou no show Muraro, da Rádio Mayrink Veiga, e em programas da Rádio Tupi. Em seguida Almirante o levou para a Rádio Nacional. Contratado pela emissora, transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro, lançando ainda em 1943, pela Columbia, seu primeiro disco, com o choro Tico-tico no terreiro e o xótis Adeus Mariana (ambos de sua autoria). Sua descontração e exuberância valeram-lhe o slogan de O gaúcho Alegre do rádio: alternava, em suas apresentações, músicas alegres com outras sentimentais. Foi o primeiro artista típico gaúcho a alcançar fama nacional. Apresentava-se com bombachas, lenço no pescoço, botas, esporas, chapéu e guaiaca. Percebendo a aceitação do seu traje regional, Luís Gonzaga sentiu-se estimulado a apresentar-se como sertanejo nordestino. Atuou nos filmes Uma luz na estrada, de Alberto Pieralise, em 1949, e Natureza gaúcha, de Rafael Mancini, em 1958.

Obras
Adeus, Mariana, xótis, 1943; Adeus, moçada, polca, 1944; Chico da roda, chorinho, 1947; Escadaria, choro, 1944; Gaúcho largado, toada, 1944; Mágoas de amor, tango, 1945; Meu coração te fala, valsa, 1945; Na casa do Zé Bedeu, polquinha, 1947; Oriental, baião, 1954; Prece, tango, 1950; Sanfoninha, velha amiga, polca, 1961; Saudade de Laguna, valsa, 1943; Se Deus quiser, xótis, 1943; Tá tudo errado (c/Jeová Rodrigues Portela), polca, 1948; Tico-tico no terreiro, choro, 1943.

Enciclopédia da Música Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Ed., 1977. 3p.

O texto acima não representa a biografia completa do artista, mas sim, partes importantes de sua vida e carreira.

mais sobre o artista e sua biografia
www.chasquepampeano.com.br/biografias.html

e

http://www.revivendomusicas.com.br/biografias_detalhes.asp?id=310

http://www.carosouvintes.org.br/blog/?p=3851

video com Pedro Raimundo
http://www.youtube.com/watch?v=cAuN-BQAe1o

Esse texto foi-me enviado pelo Hilton Luiz Araldi

Shana Müller: O cantar que nos hermana

Postado por Mauro dos Reis | quarta-feira, junho 17, 2009 | , , | 1 comentários »

Nesse video Shana Mülher canta uma milonga de Érlon Péricles e Carlos Souza, intitulada "O cantar que nos hermana", essa bela interpretação de Shana pode ser vista na video abaixo:

Companheira - Pedro Ortaça

Postado por Djeine A. Dalla Corte | domingo, maio 24, 2009 | , , | 0 comentários »

Flor gaúcha, alma da querência.
Companheira de muitas caminhadas
Fibra de mulher, doce paciência
Das sangas cruzando as canhadas.

Companheira, Companheira
Que eu sonhei desde guri.
Aroma de flor silvestre,
caty-porã ivoti.

No jeito belo de servir o mate,
No gesto firme diante as incertezas.
Quanto apoio no mais duro embate,
Quantos carinhos p'ra matar tristezas.

Companheira, Companheira
Que eu sonhei desde guri.
Aroma de flor silvestre,
caty-porã ivoti.

Vamos mateando nossas alegrias,
Veja que lindos filhos que criamos.
Aquecendo o nosso amor todos os dias
São seivas puras dos mates que sevamos.

Companheira, Companheira
Que eu sonhei desde guri.
Aroma de flor silvestre,
caty-porã ivoti.

Poesia: Mimosa de Vaine Darde

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, março 13, 2009 | , , , | 3 comentários »

A poesia "Mimosa" de Vaine Darde, foi escolhida pela nossa Prenda do Mês de Março, Josi Hellem Vernetti, como sua preferida, acompanhe e emocione-se como nós:

Eu não sabia que te amava tanto,
Pois, na campanha, quando um homem sonha,
Tem pouco tempo pra cuidar do campo.
Depois, tu sempre foste tão presente
Que eu jamais te vi ausente
Pra saber se te amava.

Mal rompia a aurora...
Eu já ouvia teus passos, pela casa,
Querendo fazer silêncio
Com medo que eu despertasse
E te surpreendesse, às voltas,
Sem ter fogo no fogão
E um mate bem cevado.

Nunca senti falta de ti
Pois nunca me deixaste faltar nada,
Tão grande era o teu zelo
Com a minha indiferença
Que tu sabias décor todas as minhas manias
Que tu fazias feliz todas as minhas vontades
Como se o amor me concedesse
Esse direito absurdo
De ser o senhor da casa.

Eu nunca precisei exigir nada,
E nunca nada pedi.
Tu, sim, estavas sempre pronta,
Sempre alegre e disposta
Me dando tudo de ti.
A noite, na penumbra do candeeiro,
Bueno, aí eu dava atenção
Pra teu corpo moreno
Sempre disposto a tudo...
Cativo dos meus desejos.

Então me explica, Mimosa,
Como é que eu saberia
Que aqueles beijos, no catre...
A prosa adoçando o mate
Na hora do sol se pôr:
(Como é que eu saberia?)
te juro que eu não sabia
que aquilo tudo era amor!

Diacho, como isso dói!
A lembrança é um ferro em brasa
Que queima a gente por fora
Deixando marca por dentro.
Parece que eu estou vendo
A atenção dos teus cuidados
Quando vinhas, de mansinho,
Trazendo um mate cheiroso,
E mil promessas nos olhos
Para sentar no meu colo
Qual um bichinho assustado...

Eu pensei que fosse assim:
Que os homens e as mulheres
Apenas vivessem juntos
Pra tomar mate e dormir.
Que os homens fossem pra o campo
Lidar com potro e lavoura,
E as mulheres, bem, as mulheres:
As mulheres fossem feitas
Pra ter filho e cuidar casa.
Meu Deus do céu, que pecado...
Como eu te amava Mimosa.

Mas, tu nunca quebraste um prato...
Tu nunca viraste o rosto...
Nem nunca negaste nada...
Mesmo quando eu chegava borracho dos bolichos
Ou vinha de madrugada, com cara de sorro manso,
Duma fuzarca de baile,
Ou cambicho com percanta:
Tu ainda me esperavas com café e bolo frito,
E, no mas, choramingavas baixinho...
Pra não perturbar meu sono.
Tu, sim, Mocinha, tu não me amavas:
Tu eras louca por mim!

Quantas vezes me ajudaste
A apear do cavalo, por que eu não tinha vergonha
De beber até cair,
E me levavas pra o rancho,
E, com paciência de mãe, descalçavas minhas botas,
E tiravas minha roupa.
Até banho tu me deste...
Tu me perdoa, Mimosa,
Mas eu sempre fui um canalha.

Não, te juro que eu não sabia
Que as mulheres, quando amam,
As vezes, são quase santas,
Pois se dão de tal maneira
Que viram posse da gente,
E sofrem qualquer desgosto
Como se fosse normal...
Quantas noites de novena
Te ajoelhastes, ao pé do catre,
Acariciando o rosário
Pra que Deus me protegesse
Naquelas domas de potro.

E dizer que em tantos anos
De vida vivendo juntos
Eu nunca voltei pra casa
Te trazendo alguma flor,
Eu nunca chorei por ti,
Nem nunca disse: - Te amo!
(Porque isso era fraqueza
E, gaúcho, ah, gaúcho é macho!
Não dá o braço a torcer
Pra prenda não tomar conta...)

Como eu fui xucro, Mimosa,
Tu me destes mil motivos
E eu não soube ser feliz,
Tu querias ser amor
E eu não soube ser amigo.
Eu nunca te mereci
Mas tu sempre acreditaste que eu era o que não fui,
Tu, sim, soubeste ser, ao meu lado,
O que jamais eu seria:
Uma santa de bondade
E uma fonte de perdão.

Bueno, chega de prosa,
Eu te trouxe as margaridas
Que plantaste no oitão...
(Não liga se estou chorando,
Pois, agora, eu sempre choro
Quando chego e não te encontro...)
Hoje, eu criei coragem
E vim dizer que te amo,
Que eu sempre, sempre te amei!
Só pede pra Deus, Mimosa,
Que ele, também me perdoe
E quando eu mudar de lado,
E for translúcido e aéreo
Me conceda a eterna graça...
E deixe, em nome do amor,
Que eu seja anjo contigo.

Poesia: Prenda Minha de Telmo de Lima Freitas

Postado por Djeine A. Dalla Corte | domingo, março 08, 2009 | , , , | 0 comentários »


Neste Dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, uma singela homenagem do Blog Gaudérios a todas as mulheres gaúchas:

Prenda Minha

Telmo de Lima Freitas

Hoje é treze sexta-feira prenda minha é dia de louvação
Me fugiram os amigos mais antigos me deste consolação
Já passaram muitas luas, prenda minha muitas luas já passei

Fiz promessas pro negrinho coitadinho por isso que te encontrei
Acho cedo muito cedo prenda minha pra dizer que escureceu
Foi a noite dos teus olhos prenda minha que acordou os olhos meus
Foi teu riso disfarçado prenda minha que laçou meu bem-querer
Se eu fugir do sul do mundo num segundo voltarei prá te rever

Abre o poncho desta alma prenda minha que eu preciso me abrigar
Se o inverno for intenso como penso muito frio eu vou passar
Hoje é treze sexta-feira prenda minha é dia de louvação

Texto de autoria da Prenda do Mês de Março

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, março 06, 2009 | , | 0 comentários »

Texto de autoria da Prenda do Mês de Março - Josi Hellem Vernetti.

Aos leitores do Blog Gaudérios, adianto que se trata de uma bela declaração de amor, tanto ao companheiro de nossa prenda Josi Hellem, como ao próprio estado do Rio Grande do Sul.

Em suas próprias palavras, são "...versos campeiros de minha autoria em homenagem a meu paysano Daniel."


O gaúcho mais Taura do RS!!!!


Ele tem a faca mais gaúcha que estes pampas já viu!

A estampa mais campeira e tradicional!

O sorriso que adelgaça auroras!

Filho do pago, que ama e zela esta terra.

A voz que invade a escuridão da noite repontando que o dia vem nascendo e que já é chegada a hora da lida!

Cevo o mate pra ti meu peão estancieiro, forte, macanudo, peão que leva a vida na ponta do laço, na laçada do tempo o nó que não se desata e nele o sonho alçado.

Este gaúcho, que lusitano leva nas veias sangue crioulo, caudilho, farrapo...

Se vivestes naquelas épocas de revolução farroupilha certamente serias lembrado por tamanha bravura e mais certo como o pasto que se renova ao beber da sangria, teu nome estaria escrito em rastros de glória e liberdade no chão e no céu do nosso pampa.

Taura, pra ti que estampa a simplicidade de um trabalhador, um peãozito das voltas das casas e ao mesmo tempo a realeza e altivez do señor patrão das terras, que sabe o valor das pequenas coisas sem desfazer daquelas de magnitude que jogo ao vento minha devoção e respeito.

Tens sobre tua cabeça a ponta do pala do patrão velho lá do galpão maior, e sobre ti foi lançado os seus olhos, que te aquerenciam e guardam dos pealos, da cerca e dos caminhos de chão desigual que pisas diariamente com tuas botas garronudas..., e todos os rayutos del sol que iluminam teu andar...

Se eu humilde xirua tenho um pedido ao meu patrão maior, a ele peço então que nunca te deixe faltar esse brilho cor-de-pasto que ele te deu de regalo.

Taura é de aprofundamento que este coração já judiado pelo tempo e circustâncias, mas que ao te mirar se bota a bailar ao som de uma chacarerita, deixa aqui neste teu galpão virtual, como tu mesmo costumeiramente diz, estas singelas palavras, que não dizem quase nada ao mesmo tempo que palanqueia quase tudo!

Quase porque minha sabedoria interiorana não me permite alegar aqui o que deveramente mereces ser dito de ti.

Toma de mim prenda arrinconada em teus persoelos, todo o meu cariño, todo o amor que não cabe mais na casa grande do coração, e tens em mim que nada sou, uma companheira de mate, de lida, de doma, de campo, de cavalgadas no chuvisco da manhã cedita, fria e escura, companheira de casco, de caça, de charlas galponeiras madrugadas a fora, companheira de bailongos e sarandeios e também xirua pra teus carinhos e vontades arrodijados em teus pelegos.

Tu domas um bocudo por dia, nunca vi gaúcho que agüentasse esse tirão, porque sujeitar redomão não é pra qualquer braço.

De soslaio te fito e nessa cancha reta da vida me vou de tiro ao teu lado carrera e esbarro, mas sem nunca afloxar nenhum tento porque se aprendi algo das lições que tua sapiência me deu foi que, até se falqueja as vezes mas que nunca se achica assim no más e que tanto faz o trote deste pingo o importante é ele chegar no destino que se queres em paz.

Não é a toa que Deus marca a ferro de fogo lá no céu os que aqui na terra tem cruzada definitiva e deles faz semente nativa para perpetuar a tradição incontida no sul desse mundão infame, mas que se faz de inflame o amor e convicção por esta pátria gaúcha de amores campesinos, de luar prateado e de milongas apaixonadas!

Que tu seja o patrão do nosso rancho, e que eu possa ser prenda muy hermosa e útil as honrarias da tua casa!

Muito orgulho em ser tua Xirua amada, e tu meu Taura amado!

Prenda do Mês de Março - Josi Hellem Vernetti

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, março 04, 2009 | , | 0 comentários »

Josi Hellem Vernetti tem 23 anos e é universitária de Administração.

Gaudérios: Tu és natural de que cidade? Falas um pouco de ti e de tuas raízes.

Josi: Bueno, sou natural de Porto Alegre, criada no extremo sul da cidade, área rural perto dos campos sendo iniciada na lida de campo através do meu avô que sempre foi um apaixonado pela nossa cultura, cresci entre amigos gaudérios nas cabanhas nas horas de lazer cuidando e sempre aprendendo sobre umas de minhas paixões, os cavalos, e gracias ao patrão velho só fui sendo rodeada por pessoas que cultuam o mesmos valores tradicionalistas!!!

Gaudérios: Qual a relação que tens com a tradição Gaúcha atualmente?

Josi: Não sou de freqüentar bailes por pura falta de tempo, mas a essência da alma campeira é o que me liga a esse amor incondicional, a verdadeira mulher do campo por mais que viva na cidade modernizada sempre levará a seiva da raiz cravada nesse sul lindo, e juntamente com meu paysano (namorado) Daniel Irion que também é um gaúcho taura de tradição, cultuamos nossa devoção as tradições através dos mates, charlas sobre as lidas e ouvindo a mais pura música do nosso estado, importante ressaltar que até o namoro dos verdadeiros gaudérios é especial, coisa linda uma poesia escrita com nosso vocabulário típico e matear juntos é encantador.

Gaudérios: Para você o que é ser uma autêntica prenda?

Josi: Mas Tchê, é o que eu digo sempre, prenda não é só se pilchar de belos vestidos, participar de concursos culturais e ganhar faixas de piquetes e CTGs, creio que a prenda hermosa além claro desta mimosice que encanta e faz parte de nossa cultura deve ser aquela guria que coloca sua bombacha, as botas, um chapéu bem tapeado e vai a frente levando a bandeira do puro tradicionalismo. Até me chamam de chucra, mas tchê, a simplicidade de ser de campo e alma nos torna as verdadeiras prendas, as quais sentem brotar dentro do peito o amor e o respeito puro à nossa história. Sabe quando você sente o pêlo arrepiar ao abrir de uma gaita? Ou o coração pulsar no mesmo ritmo do bumbo leguero e um sapateado bem macanudo? É assim que eu me sinto uma verdadeira prenda gaúcha, tendo o orgulho de saber que em minhas veias corre sangue farrapo!

Gaudérios: Dentre as tradições e costumes típicos do povo gaúcho, quais você considera mais importantes e procura vivenciar em seu cotidiano?

Josi: Não teria como enumerar as mais importantes, pois todas para mim são de suma importância, nem sempre é possível realizá-las na cidade grande, mas como resido ainda nesta área rural ou agraciada por Deus, o mate cevado a capricho no raiar do sol ou nas tardesitas de charla e prosa, a boa música gaúcha, as danças e reuniões nos centros de tradições e, é claro, o autêntico churrasco gaúcho preparado ao som da gaita e acompanhado de uma canha bem gaudéria, sabe aquela que te faz gritar “alachergaaaa”!!!


Gaudérios: Em relação à Cultura Gaúcha: qual tua música preferida?

Josi:O campo e No Desdobrar das Auroras de Cézar Oliveira e Rogério Mello e Luiz Marenco em geral, tche difícil dizer amo tantas!

Poesia?

Josi: Mimosa de Vaine Darde, mas Jaime Caetano Braun é incontestável!

Livro? Lenda?

Josi: Amo a nossa batalha farrapa!

Sites? Comunidades?

Josi: Gosto do Apaysanado.com e o Blog Gaudérios, e olha onde vim parar? heheh


Gaudérios: Qual o comentário que gostarias de fazer para complementar nossa conversa, por favor, fique a vontade?

Josi: Bueno, o que deixo aos leitores é um imenso prazer em poder dizer o quanto sou apaixonada e devota a essa tradição linda que nos foi dada de presente em berço sulino ao nascermos neste estado.

Poder dizer que o prazer em ser gaúcha nos infla o peito, nos faz especiais aos olhos do Brasil inteiro, pois é de prache vermos publicado por aí temáticas referentes ao nosso povo, as quais afirmam que somos um povo autêntico, cantamos nosso hino com tanta emoção como em nenhum outro estado, somos pioneiros em diversas áreas, um povo, como o próprio hino diz: "aguerrido e bravo"!

O Brasil sente orgulho e uma pontinha de inveja das nossas glórias e conquistas, pois o sangue farrapo derramado sobre essa terra serve até hoje de adubo para nosso campo e engorda nosso gado admirado no mundo inteiro. Nossa terra é rica, é linda e nada mais me deixa tão feliz do que bater do peito e dizer: Eu sou Gaúcha tchê!!!


Sobre a mulher gaúcha que sou nas palavras de Jayme Caetano Braun:

"O teu cetro de realeza!
E o trono da natureza
É teu, chinoca lindaça...
Pois tu refletes com graça
As fidalgas Açorianas
Charruas e Castelhanas
Vertentes vivas da raça!"
(Poesia: "China")

"Nasci no meio do campo
Na costa do banhadal
Dentro dum rancho barreado
De chão duro e desigual
Meu berço foi um pelego
Sobre um couro de bagual."
(Poesia: "Meu Rancho")


Gaudérios: É sem palavras que terminamos essa entrevista com a prenda Josi Hellem Vernetti, pois suas respostas expressam o sentimento de muitas gaúchas e gaúchos com relação ao nosso estado. Ficamos honrados em tê-la como parte do quadro Prenda do Mês pois, mesmo não sendo uma "prenda de faixa", é uma autêntica prenda gaúcha. Abraços a Todos!

Gostastes da entrevista? Então deixas teu comentário!
O Blog Gaudérios agradece!


Atravessando As Fronteiras-Gaita Ponto

Postado por Mauro dos Reis | quarta-feira, fevereiro 11, 2009 | , | 0 comentários »

"(...) e o gaiteiro era um mulato
que até dormindo tocava
e a gaita choramingava
como namoro de gato!
(...)" Bochincho de Jayme Caetano Braun

Fico feliz quando vejo as novas gerações desse querido Rio Grande do Sul calando as raízes do nosso chão, com a mais pura tradição gaudéria. E dele gaita Daniel Dalla Corte!



Mate de Esperança

Postado por Djeine A. Dalla Corte | segunda-feira, fevereiro 02, 2009 | , , , | 2 comentários »

Interpretação: Délcio Tavares

Essa música é um belíssimo exemplar da música gaúcha e principalmente, em minha modesta opinião, da forma poética com que nossos poetas gaúchos exultavam a tradição. Essa música emociona especialmente pela delicadeza com que trata da temática da saudade relacionada à tradição do chimarrão.




Composição: Francisco Castilhos / Albino Manique*


Eu vou cevar um mate gordo de esperança
Com a erva verde do verde do teu olhar
Tomar um trago bem graúdo
E preparar tudo
Para te esperar

E o meu rancho que era escuro de saudade
Eu vou fazer uma pintura de alegria
Para te impressionar e te agradar
Se tu voltar guria

Eu fiz promessa pro negrinho
Eu fiz promessa pro negro do pastoreio
Levei fumo em rama e um gole de canha
Como oferenda
Só para ele me ajudar
Só pra ele me ajudar a encontrar um meio
E um laço forte pra que eu te prenda, prenda

Oh!oh!oh!
E então sem mágoa
Posso até sentir o que virá depois
Oh!oh!oh!
Vou esquentar a água e feliz servir
Um mate pra nós dois.

*Francisco Castilhos e Albino Manique foram fundadores em 1957 do Grupo Os Mirins.

Dia do Pajador

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, janeiro 30, 2009 | , , | 0 comentários »

Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul
Sistema LEGIS - Texto da Norma

LEI: 11.676


LEI Nº 11.676, DE 16 DE OUTUBRO DE 2001.

Dispõe sobre a instituição do "Dia do Pajador Gaúcho".

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.


Faço saber, em cumprimento ao disposto no artigo 82, inciso IV, da Constituição do Estado, que a Assembléia Legislativa aprovou e eu sanciono e promulgo a Lei seguinte:

Art. 1º - Fica instituído o "Dia do Pajador Gaúcho", que será comemorado no Estado do Rio Grande do Sul no dia 30 de janeiro, data de nascimento do poeta e pajador gaúcho Jaime Caetano Braun.

Art. 2º - O "Dia do Pajador Gaúcho" deverá fazer parte do calendário de eventos culturais do Estado.

Art. 3º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.



PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 16 de outubro de 2001.