Mais sobre o Payador: Jayme Caetano Braun

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 29, 2008 | , , , | 0 comentários »

A foto mostra Jayme (como goleiro, segurando a bola nas mãos) no jogo do Colégio Nossa Senhora da Conceição em Passo Fundo - RS, onde estudou.

"Jayme nasceu em São Luiz Gonzaga mas, naquele momento, tremeram os alicerces dos quatro pontos cardeais do Rio Grande, porque nascia o grande e inimitável payador desta terra, que terá o calendário mudado para antes e depois de Jayme Caetano Braun."

"Jayme Caetano Braun é, hoje, um nome repetido em todos os quadrantes do Rio Grande...

Seus livros nada mais são do que instantâneos de algumas notas que o auto conservou. O mais perdeu-se e se perderá nas noites de galpão, nas reuniões sociais e nos encontros de payadores onde Jayme, de improviso, emocionado e de olhar penetrante, solta ao sabor de uma milonga o rosário de ouro das suas mais profundas composições. Ele é um repentista soberbo encarnando, nos momentos de exaltação, o panorama inteiro do Rio Grande.

Na pasmosa transfiguração do espírito revive nele, nestes momentos, o índio inculto, nas oferendas tribais, no soturno socalcar de couros estirados sobre troncos ocos, linguagem grave de evocações lendárias do selvagem galpão.

Revive o homem de chiripá e botas de garrão de touro, na inimitável expressão dos dias da conquista, onde se viviam momentos de couro cru e a lei era a faca, nas distâncias infinitas do pampa, quando os monarcas da amplidão transpunham distâncias ao ritmo de quatro-patas e, ao evoaçar de crinas de baguais recém-domados.

É o peão de estância, no seu linguajar grosseiro e pitoresco, a reviver pealos porteira afora e a decompor expressões desconhecidas da gramática, porque se geraram nos atropelos de campereadas, que não se repetem, sovando rédeas e pelegos.

Na misteriosa transubstanciação das rimas, abstrai o seu tipo físico e veste a expressão de domadores e vaqueanos, ao trote de garanhões poderosos, destilando ao compasso de patas a rima bárbara de horizontes chucros. Os que ouvem estranham-se de um Rio Grande com pasto, percebendo a bulha de tiradores e o tinido ancestral das esporas de ferro, riscando ilhargas de baguais. Afundam pelos descampados bravios do Continente de São Pedro, em caravoltas da História, remontando às jornadas da Colônia do Sacramento, onde se forjaram os gaúchos de três pátrias. Penetram os momentos das arriadas nas vaquerias do mar, no comércio bruto de couro e sebo, ao zunir de boleadeiras e laços e no rechinar de arreios, quando o homem se impunha às leis bárbaras de uma natureza crua, entre tropéis e manadas...

Depois, na transposição maravilhosa da inteligência, ele nos repõe nos nossos dias, frente ao fogo de um galpão evocativo, embebidos da visionária e impressionante retrospecção do passado, para nos sentirmos mais rio-grandenses e compreendermos que, somente a um homem a cavalo, poderia ser atribuída a tarefa de vigiar como sentinela este imenso Brasil.

Jayme nasceu em São Luiz Gonzaga mas, naquele momento, tremeram os alicerces dos quatro pontos cardeais do Rio Grande, porque nascia o grande e inimitável payador desta terra, que terá o calendário mudado para antes e depois de Jayme Braun."

1969, Porto Alegre

Texto de: Balbino Marques da Rocha
Prefácio do livro: Potreiro de Guachos, de Jayme Caetano Braun.

***

O PAYADOR EM 17 DATAS

Jayme Caetano Braun deixa uma extensa obra em livros e discos:

1924 – (30 de janeiro) Jayme Caetano Braun nasce em Timbaúva, antigo 3º Distrito de São Luiz Gonzaga, hoje município de Bossoroca. O pai era filho de imigrantes alemães e a mãe, uma chirua bugra.

1940 - Muda-se com o pai João Aloysio e família para Passo Fundo, escreve seus primeiros versos. Nasce artisticamente. Responde questões de história e geografia em versos, estudante que foi do Colégio Conceição. 1942 - Presta o serviço militar em Passo Fundo

1943 – Começa a publicar poemas no jornal A Notícia, de São Luiz Gonzaga.

1945 – Começa a atuar na política, participando em palanques de comício como payador. O poema O Petiço de São Borja, publicado em revistas e jornais do país, fala de Getúlio Vargas. Participa da campanha de Ruy Ramos, com o poema O Mouro do Alegrete, como era conhecido. Nos anos seguintes, participa das campanhas de Leonel Brizola, João Goulart e Egidio Michaelsen.

1948 – Dirige o programa radiofônico Galpão de Estância, em São Luiz Gonzaga.

1954 – Publica Galpão da Estância, o primeiro livro.

1958 – Sai a primeira edição da coletânea De Fogão em Fogão. 1962 - Se lança candidato a Deputado Estadual e sua votação permite que fique suplente, porém nunca atuou como parlamentar.

1965 – Lança o livro Potreiro de Guaxos.

1966 – Publica três livros: Bota de Garrão, Brasil Grande do Sul e Passagens Perdidas.

1973 – Participa do programa semanal Brasil Grande do Sul, na Rádio Guaíba, com produção de Flávio Alcaraz Gomes. O programa ficou no ar por 15 anos.

1990 – Lança o livro Payador e Troveiro.

1993 – Lança o disco Paisagens Perdidas, com sucessos como Mangueira de Pedra, Tio Anastácio, Cordeiro Guacho e Payada da Primavera.

1993 – Sai o disco Poemas Gaúchos, com sucessos como Payada da Saudade, Piazedo, Remorsos de Castrador, Cemitério de Campanha e Galo de Rinha.

1996 – Publica a antologia poética 50 Anos de Poesia.

1999 – (8/Julho) Jayme Caetano Braun morre em Porto Alegre.

Jayme Caetano Braun,
Filho de São Luiz Gonzaga,
No terceio duma adaga,
Nunca se enliou nas esporas.
O payador das auroras,
O campeador gauchesco,
Abriu coivara payando,
Alçou um vôo acenando
Com a aba do chapéu,
Sabendo que, lá no céu,
Existem alguém esperando.

Quem sabe o Ciro Gavião,
Quem sabe Aureliano Pinto,
Quem sabe o negro retinto,
Que se chamava Anastácio,
Quem sabe até don Pascácio,
Andejo dos corredores,
Guasqueiros, alambradores,
Ginetes da cepa antiga
Vão esperar com cantiga
O maior dos payadores.

Deixou tropilhas de rimas,
Retouçando nos galpóes,
As futuras gerações
Seguirão teu catecismo,
Honrarão teu gauchismo
Que jamais será disperso.
Pois quem deixou universo
De payadas igual às tuas
Volta nas noites de lua
Para enfrenar mais um verso.

por Telmo de Lima Freitas


Pesquisa de: Hilton Luiz Araldi

Oração das Cavalgadas

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 29, 2008 | , | 0 comentários »

Iberê Moro Machado

Patrão Grande das alturas,
Dono da estância do céu
Humilde, eu tiro o chapéu
Pra rezar em reverência
E rogar Tua tenência
sobre homens e cavalos.
Que, no fim somos iguais
Nesta Tua criatura,
Gota d'água nas lonjuras
Das coxilhas siderais.
Obrigado, de antemão,
Pela força no repecho
Seja de grama ou de areia.
Protege-nos das peleias
Nos dá acostamento.
Livra o perigo a contento
E faz com que passe reto.
Que o chapéu seja um bom teto
E, o poncho, meio sustento.
Aos companheiros do apoio,
Estende a Tua bênção.
Aponta com Tua mão
O nosso melhor caminho.
Que uma sanga e um matinho
Nunca nos falte por diante.
Seja o ô-de-casa o bastante
Pra conseguirmos o pouso
Que nos garanta o repouso
Do qual precisa o viajante.
No mais, pedimos saúde
Que ela nunca é demais
Para homens e animais
Vencerem esta jornada.
E que esta cavalgada
De xirús simples, sem luxo,
Perpetue o debucho deste povo cavaleiro
Que mostra pro mundo inteiro
Que GAÚCHO é sempre GAÚCHO.
Amém.

OS GURIS CONDUZEM A CHAMA

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 29, 2008 | , | 0 comentários »

Ai está mais uma prova de que se aprende mais pelo exemplo do que pelo discurso. Acompanhe o relato da Cavalgada que conduz a Chama Crioula e que no dia 22/08/2008 teve a bonita participação, na tarefa de carregar bandeiras e a chama, dos 4 piás que integram o grupo:



"Nos tempos de antigamente nas estâncias, os guris faziam os serviços leves, como ajudar as cozinheiras, tratar os pintos, dar água para os animais ou como mandalete para um chasque, entre outros.

Hoje nas cidades, induzidos pelos pais que também tem amor pelos cavalos, são os filhos que dão continuidade aos hábitos herdados dos antepassados. Nos Cavaleiros do Planalto Médio não é diferente.

Quatro piás que acompanham a cavalgada da Chama Crioula são os responsáveis pela condução da mesma e das bandeiras. Eles tem entre 12 e 15 anos, e acompanhados dos pais, recebem do Geolar, coordenador de cavalaria a orientação correta de como se portar, dos demais membros, principalmente do seu Juca, que também os tratam como filhos, ensinamento e educação, mas nada de moleza.

Cada um trata seu pingo, cada um se vira com as encilhas e os forros de cama e a exigência que o grupo tem com eles é a mesma que em relação aos demais. Ou seja, nada de previlégios.

E hoje (dia 22/08/08), no rodízio natural que há entre os cavaleiros de conduzir a chama e as bandeiras, foi o dia dos piás do grupo : Eduardo, Guilherme, Antonio e Bruno.

O dia começou diferente para eles, com mais agito. Afinal conduzir a chama, que tanto simboliza para o gaúcho é motivo redobrado para estar na cavalgada. A pilcha a preceito, o lenço no pescoço e o chapéu, a capa de chuva para o causo de uma garoa, tudo de acordo para que não tenham mais paradas que as já programadas e para que a cavalgada transcorra normalmente. A responsabilidade de manter a chama e os pavilhões na formação correta, a ritmo dos passos dos pingos para que se cumpra o horário fazem deles nesta hora, verdadeiros homens.

É assim que, nesta escola informal, os que hoje são guris, com a formação que adquirem nesta e em outras empreitadas o sentido de camaradagem, de responsabilidade e civismo acima de tudo se formam os cidadãos de amanhã e os que darão continuidade natural ao trabalho dos Cavaleiros do Planalto Médio.

Terminam o dia cansados, mas com o sentimento do dever cumprido e história para contar em casa e para os amigos.

Domingo as 11 horas, os Cavaleiros do Planalto Médio chegam com a chama no Parque de Rodeios da Roselêndia onde serão recebidos por autoridades, amigos e tradicionalistas. Dali, uma centelha será conduzida até a Brigada Militar e outra ficará na sede do grupo para que os representantes das outras cidades que compõem a Sétima Região Tradicionalista venham tambem buscar uma centelha para as cerimonias de 20 de setembro."

Grupo Cultural e Tradicionalista Cavaleiros do Planalto Médio
Lema : "De Passo Fundo a cavalo pela integração do Rio Grande"

A Suprema Paz - Paulo de Freitas Mendonça

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 29, 2008 | , , | 0 comentários »

Ultimamente a violência parece ser tomada como a única alternativa diante das adversidades e as pessoas têm se tornado embrutecidas diante das consequências desta situação, passando a conviver e até mesmo julgar como "normais" as notícias trágicas que a mídia expõe.

É importante não perdermos a noção do que é certo, em um mundo de valores tão confusos.

É importante não deixarmos de ser HUMANOS.

***


Poesia em décima enviada ao Gaudérios pelo Senhor Paulo de Freitas Mendonça:


A Suprema Paz
Paulo de Freitas Mendonça


A paz é mais que um evento,
sutil em sua unidade.
Possui mais diversidade
que da terra ao firmamento.
A paz de estacionamento,
por plasmada, nada faz,
ensimesmada lhe apraz
beber do egocentrismo.
Por ser paz de egoísmo
Não é a suprema paz.

A paz de quem não agride
com falso olhar sereno,
por não judiar do pequeno
se julga grande e regride.
Pela empáfia não progride,
pois tem ganância mordaz.
Dança a vaidade fugaz
na guerra embaixo dos panos,
sendo paz de ares profanos
Não é a suprema paz.

A paz falsa que consola
pondo-lhe a mão na cabeça.
Ao contrário que pareça
produz falácia e enrola,
num discurso que controla
a inocência que ali jaz.
É uma paz incapaz
de acalmar alheia dor.
Por ser de esfera inferior,
Não é a suprema paz.

A paz trançada em tratados,
em contrato ou carta régia,
é uma paz de estratégia
com dois lados deformados.
É paz dos desesperados
que são guerreiros, aliás,
com rastros de sangue atrás,
apenas cessam as mortes
Paz de interesse dos fortes
Não é a suprema paz.

A paz por necessidade
por revanche do vencido
é algo tão sem sentido,
foge a razão da verdade.
É paz sem cumplicidade
que um passo em falso a desfaz.
Logo a guerra se refaz
em sua arte tão ágil.
Por ter fundamento frágil,
Não é a suprema paz.

Paz de interesse vulgar,
gesto de falso cortês,
salgada de insensatez
é gota doce no mar.
Mistura-se ao seu azar
e por mais que seja audaz
torna-se ineficaz
de vestir-se em cortesia.
Por ser paz de antipatia
Não é a suprema paz.

A paz de estar solito
no meio da multidão
ou de arder em solidão
em seu recinto restrito.
É paz que sufoca o grito
da realidade vivaz.
Por sonhador contumaz,
se torna um auto-recluso.
Por ser a paz de um confuso,
Não é a suprema paz.

A paz de grande festejo
só vestida de aparência
é uma paz sem consciência
de destorcido desejo.
Rolam moedas ao tejo
na extravagância voraz.
Quase ninguém é capaz
de conter farto consumo.
Por embriagar seu rumo
Não é a suprema paz.

Paz de alardes frenéticos
de falatórios inúteis
com protagonistas fúteis
e resultados patéticos,
atropela atos éticos,
mostra vistoso cartaz,
porém quem é perspicaz
pouca atenção lhe demanda,
porque a paz de propaganda
Não é a suprema paz.

Contudo, a paz de verdade
tem sopros de onipotência,
de compreensão, clemência,
fé, justiça e caridade,
de infinita bondade,
de servidor pertinaz,
de amoroso tenaz,
vendo a todos como seus.
Só a paz que vem de Deus
É sim, a suprema paz.

Alma de Bolicheiro

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , , | 0 comentários »

Composição: Jayme Caetano Braun/Leonel Gomez e João Gabriel Silveira Gomes

Video: Alma de Bolicheiro
Jayme Caetano Braun / Leonel Gomez
18ºReculuta da Canção Crioula
Guaíba RS Brasil




Acompanhe a letra de Alma de Bolicheiro:

Sou bolicho, bulperia
Venda e casa de negócio
Verdadeiro sacerdócio
Farmácia e perfumaria

Me chamam templo campeiro
Do velho pago lendário
Meu balcão conficionário
Meu sacerdote ocultpeiro

/:Fui o primeiro entreposto
Dentro do solo pampeano
Entra ano e passa ano
E eu nunca paguei imposto:/

Bolicheiro, bolicheiro, bolicheiro de campanha
Me bota um trago de canha
Pra mata meu desespero
Bolicheiro, perdi o rumo
E a memória já me falha
Me vende um maço de palha
Me vende um palmo de fumo

Bolicheiro eu nem apeio
Me dá uma vela depressa
Vou pagar uma promessa
Pro negro do pastoreio

Bolicheiro, bolicheiro
Eu vou ver a namorada
Me traz uma flor colorada
E um frasco de água de cheiro

/:Fui o primeiro entreposto
Dentro do solo pampeano
Entra ano e passa ano
E eu nunca paguei imposto:/

Bolicheiro, bolicheiro, bolicheiro de campanha
Me bota um trago de canha
Pra mata meu desespero
Bolicheiro, perdi o rumo
E a memória já me falha
Me vende um maço de palha
Me vende um palmo de fumo

Marta Suint, Jose Curvelo y Jineteadas en Fiesta Gaucha

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , | 0 comentários »

Pajada à Morte de Um Poeta - Paulo de Freitas Mendonça

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Quando morre um poeta
Ficam seus versos escritos
E muitos temas bonitos
Na poesia incompleta
Acalma-se um'alma inquieta
Na busca de inspirações
E suas belas canções
Pelo Pago estribilham
Com lágrimas que fervilham
Caídas sobre os tições

Quando morre um poeta
Muitos recitam seus versos
Outros gritam no Universo
O fim de sua cancha reta.
Dão a notícia completa
A dor e o suor da lida
Mexem na sua ferida
Contam sua desilusão
E fingem dar-lhe atenção
Que não lhe deram na vida

Quando morre um poeta
Cala uma voz criativa
Sua poesia nativa
É abortada ou se embreta.
É num vazio que se aquieta,
Pelo silêncio engolida
Morre antes de ter vida
Numa folha de papel
Como a Torre de Babel
É por Deus interrompida

Quando morre um poeta
Entre o choro, há poesia,
O coração se esvazia
De uma platéia seleta
E uma cantiga discreta
Entre soluço e saudade
Apaga a claridade
De um ser iluminado
Que por Deus foi batizado
Com poesias de verdade

Quando morre um poeta
O sonho meio se ofusca
E a realidade rebusca
Outro rumo em sua seta.
Impõe a vida concreta
Sem vazão pras ilusões,
E quer transformar canções
Em coisas imagináveis
Tenta tornar vulneráveis
As loucas inspirações.

Quando morre um poeta
Ficam órfãos seus poemas
Improdutivos seus temas
E inalcansável sua meta.
Fica uma obra incompleta
Nas gavetas reviradas,
Junto as frases rabiscados,
Imagens de um sonhador.
Fica calado um cantor
Por canções inacabadas

Quando morre um poeta
A poesia entristece,
A rima feia padece
Por ter ficado incorreta,
E a poesia indiscreta
Prefere ser esquecida
Por ter sido concebida
Num momento de euforia,
Embora seja poesia
Que jamais fora relida.

Quando morre um poeta
Há mais brilho nas estrelas
Mais calor para aquecê-las,
E as noites ficam mais quieta
Cheias de rimas secretas
De sonhos e fantasias
Transformando as poesias
Em tão garboso matiz
E o Céu se faz mais feliz
Por sorver sua energia.

Ao Jayme Caetano Braun - payada de Arabí Rodrigues

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , | 0 comentários »

O papa dos payadores - em memória

Meu irmão de querer bem,
peço licença primeiro,
é o payador brasileiro,
que do pampa largo vem,
para mostrar o que tem
depois da última conquista.
No mundo tradicionalista,
alcançou o terceiro grau;
do mangrulho do Jarau,
a voz crioula farfalha,
a legenda da Medalha
Jayme Caetano Braum.

O motivo da honraria,
a quem de um modo, ou de outro,
tenha amanunciado potro,
entre o solo e a porfia.
A guitarra, uma guria,
filha da deusa pampiana,
retratando a quero-mana
nos requebros da cantiga.
A musa por ser antiga,
alcança métrica e rima
e o payador põe a estima,
a luz que nos interliga.

Nem todos que receberam
tiveram o mesmo privilégio,
de pertencer ao colégio,
aonde os pajés aprenderam.
Mas por certo mereceram,
pelo trabalho em defesa
da nossa maior riqueza:
bons hábitos e costumes,
que servem de guia e lumes,
aos povos do mundo inteiro,
é o gaúcho brasileiro
ante o altar dos perfumes.

Ao papa dos paydores,
Caetano Braum, poesia,
quem sabe, talvez, um dia,
quando o Senhor dos senhores,
proclamar nossos amores,
ao largo do infinito,
eu possa dizer contrito:
que fiz tudo quanto pude,
pra mostrar tua virtude,
aos que chegaram depois,
como solistas, nós dois,
somos sempre juventude...

Visite o Blog O Payador de Arabí Rodrigues

NOS LÁBIOS DO PAJADOR - Pedro Júnior da Fontoura

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Sobrou só o meu silêncio
Numa quietude interior
O gosto dos beijos teus
Nos lábios do pajador.
O calor do teu abraço
A leveza do teu ser
Teu corpo junto ao meu
É tudo que quero ter.

E restou o teu encanto
O brilho do teu olhar
O sussurro da tua voz
Na arte de se entregar.
Tua magia mulher
Teu sotaque, tua leveza
A força das tuas mãos
Indecifrável beleza.

Quero sentir o teu corpo
Os teus seios, teu calor.
Teu sussurro, teu suor,
Teus segredos meu amor.
Quero ser somente teu
O tempo todo, com calma
Numa entrega total
Dar-te coração e alma.

Lua cheia de março de 2000, entre Porto Alegre e Buenos Aires.

Pajada À Mulher - Jadir Oliveira

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Composição: Jadir Oliveira / Paulo De Freitas Mendonça

Abro minh'alma cativa
Que amanheceu orvalhada
Querendo ser libertada
Por esta musa nativa
Deusa guardiã primitiva
Do segredo mais fecundo
Com sentimento profundo
Conforme o tema requer
Vamos pajar à mulher
Progenitora do mundo

Este princípio que fitas
Num horizonte de sonho
A ele eu me proponho
Pois há rimas infinitas
Com atitudes bonitas
Tem a mulher, com certeza,
Meiguice, amor, firmeza
E um dom de protetora
Seja santa ou pecadora
Transcende a própria beleza

Antes mesmo de ser gente
Somos dependentes dela
E quando abrimos a goela
Para este mundo vivente
É ela quem faz a frente
Para apontar o caminho
É tão grande o seu carinho
Seu seio, tão importante,
Como quem diz “segue adiante
Que eu não te deixo sozinho”

Desde a mãe, primeiro amor,
A mulher está presente
No coração inocente
Que desabrocha qual flor
Depois quando sonhador
A professora primeira,
A namorada trigueira
Que pra vida dá sentido
E quando amadurecido,
Os braços da companheira

Quantos poetas e cantores
Descreveram sua beleza
Por verem nela a leveza
Das asas dos beija-flores
Trazendo coplas de amores
Entre sorrisos e prantos
Desde o paraiso, quantos
De seu ventre já nasceram
E quantos por ela morreram
Perdidos por seus encantos?

Ela conhece os segredos
Que carregamos na alma
Sabe desvendar com calma
Todos os nossos enredos
Sabe acalentar os medos
A sua alma é tão pura
Com sua mão nos segura
A cada dia que nasce
Na expressão de sua face
Amor, carinho e ternura

Por ser um simples mortal
Não consigo descrevê-la
Pois compará-la a uma estrela
Não seria original
Seu brilho não tem igual
Resplandece eternamente
Compará-la a uma vertente
Ou ao diamante mais raro
É pouco, não a comparo
Ela é mulher simplesmente

Merece o nosso respeito
E um pedido de perdão
Por crimes da inquisição
O mais brutal preconceito
Ao negarem seu direito
Desde lá, à atualidade
Estão negando a igualdade
De uma forma desmedida
À geradora da vida
De toda a humanidade

No xucro céu dos cantores
É uma Deusa iluminada
Que santifica a pajada
Na alma dos pajadores
Traz o perfume das flores
Colhidas no paraíso
No lume do seu sorriso
Arco íris de magia
Que vem bebendo poesia
Na cacimba do improviso

ARTIGOS DE FÉ DO GAÚCHO - João Simões Lopes Neto

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , ,

Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem.

Alguns aprendem à sua custa, quase sempre já tarde pra um proveito melhor. Eu sou desses.

Pra não suceder assim a vancê, eu vou ensinar-lhe o que os doutores nunca hão de ensinar-lhe por mais que queimem as pestanas deletreando nos seus livrões. Vancê note na sua livreta:

1º. Não cries guaxo: mas cria perto do teu olhar o potrilho pro teu andar.

2º. Doma tu mesmo o teu bagual: não enfrenes na lua nova, que fica babão; não arrendes na miguante, que te sai lerdo.

3º. Não guasqueies sem precisão nem grites sem ocasião: e sempre que puderes passa-lhe a mão.

4º. Se és maturrango e chasque de namorado, mancas o teu cavalo, mas chegas; se fores chasque de vida ou morte, matas o teu cavalo e talvez não chegues.

5º. A maior pressa é a que se faz devagar.

6º. Se tens viajada larga não faças pular o teu cavalo; sai ao tranco até o primeiro suor secar; depois ao trote até o segundo; dá-lhe um alce sem terceiro e terás cavalo para o dia inteiro.

7º. Se queres engordar o teu cavalo tira-lhe um pêlo da testa todas as vezes da ração.

8º. Fala ao teu cavalo como se fosse a gente.

9º. Não te fies em tobiano, nem bragado, nem melado; pra água, tordilho; pra muito, tapado; mas
pra tudo, tostado.

10º. Se topares um andante com os anelos às costas, pergunta-lhe - onde ficou o baio?...

11º. Mulher, arma e cavalo do andar, nada de emprestar.

12º. Mulher, de bom gênio; faca, de bom corte; cavalo de boa boca; onça, de bom peso.

13º. Mulher sardenta e cavalo passarinheiro... alerta, companheiro!...

14º. Se correres eguada xucra, grita; mas com os homens, apresilha a língua.

15º. Quando dois brincam de mão, o diabo cospe vermelho...

16º. Cavalo de olho de porco, cachorro calado e homem de fala fina… sempre de relancina...

17º. Não te apotres, que domadores não faltam...

18º. Na guerra não há esse que nunca ouviu as esporas cantarem de grilo...

19º. Teima, mas não apostes; recebe, e depois assenta; assenta, e depois paga...

20º. Quando 'stiveres pra embrabecer, conta três vezes os botões da tua roupa...

21º. Quando falares com homem, olha-lhe para os olhos, quando falares com mulher, olha-lhe
para a boca... e saberás como te haver...

...

Que foi?
Ah! quebrou-se a ponta do lápis?
Amanhã vancê escreve o resto: olhe que dá para encher um par de tarcas!...



Glossário
Arrendes – do verbo arrendar: submeter o cavalo às rédeas, sem freio, durante a doma. Guasqueies – do verbo guasquear: fustigar com guasca ou outro açoite.
Cavalo de boa boca – cavalo obediente às rédeas.
Cavalo passarinheiro – cavalo assustadiço.

Chama Crioula - Os Tiranos

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, agosto 20, 2008 | , | 0 comentários »

Os Tiranos
Eu fui criado na lida campeira
Velha parceira de raiz gaúcha
No meu gateado "patiei" horizontes
Levantando a fronte desta vida xucra

Todos caminhos que atalho troteando
Vem tastaveando dentro do meu peito
E esta raça mantendo a tenência
Faz-se querência com braço direito

A chama crioula que arde no pago
Está alo largo servindo o intento
Mantendo viva a nossa tradição
Que o coração bate em seu sustento.

Pra quem campeou domando xucrismo
O gauchismo vem como bandeira
Tá desfraldada correndo no sangue
O velho rio grande herança sementeira

As gineteadas xucras pelos campos
Mesclam-se aos cantos com a nossa voz
E os índios tauras de marca pampeana
Trazem a gana dos nossos avós.

Chama Crioula - Os Tiranos

Cavaleiros do Planalto cumprem metade da jornada

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, agosto 20, 2008 | , | 0 comentários »

"Por estas voltas de campo, andei cansando o cavalo. Tocando o gado por diante, mandando a vida pra frente. Sabendo que o Sul pra gente é bem maior do que tantos. Tamanho os olhos dos outros querendo o verde dos campos". Com a letra da música Cansando o Cavalo, do Gujo Teixeira e do Marenco na mente, os Cavaleiros do Planalto Médio cumpriram nesta quarta-feira mais uma jornada na condução da Chama Crioula de São Leopoldo a Passo Fundo.

Após passar por Santana, Harmonia, Brochier, Poço da Antas, Encantado, Capitão e Nova Bressia a cavalgada faz pousada no CTG Porteira da Amizade de Revaldo, onde cavalos e cavaleiros descansam após percorrerem 214 km do total de 348 até Passo Fundo onde chegarão domingo dia 24.

Segundo o patrão do grupo Giovani Giacomini, além de estarem cumprindo um dever cívico, a sitisfação é maior pelo gosto de andar a cavalo e pela hospitalidade e novas amizades que se formam em cada sesteada e pouso.

A cavalhada anda bem porque o respeito com os animais é sempre primordial e o cuidado é tanto que primeiro os cavalos são tratados para depois os peões se alimentarem, e não esquecendo de pedir a proteção divina na Oração do Gaúcho :

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e com licença do Patrão Celestial.
Vou chegando, enquanto cevo o amargo de minhas confidências, porque ao romper da madrugada e ao descambar do sol, preciso camperear por outras invernadas e repontar do Céu, a força e a coragem para o entrevero do dia que passa.

O cozinheiro Cecílio capricha e diversifica bem a "bóia campeira" para que todos tenham energia suficiente porque amor a causa e a satisfação em cumprimento do dever há de sobra.

Fonte: Cavaleiros do Planalto Médio

O Sinuelo

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, agosto 20, 2008 | , , , , | 1 comentários »

Talvez muitas pessoas ignorem o que é sinuelo. Mesmo muita estância, atualmente, não possui mais um amestrado sinuelo para os apartes de bois num pelado de rodeio. Este serviço agora é feito em tronco. Até as tropas são faturadas desta maneira. Tem lá suas vantagens. Poupa os cavalos e com pouca gente e tempo se aparta, refuga qualquer número de reses.

O sinuelo era formado de um lote de seis a doze bois de igual pelagem, tendo, porém, sempre um deles o pêlo diferente. Por exemplo: se o lote de bois fosse salino, um deles era mouro ou vice-versa. Os animais para futuro sinuelo era escolhidos pela pelagem e tirados da cria com dois anos de idade. Depois ficava, à parte, em um potreiro, para se enquadrilharem. Feito isso,começava-se, então, a ensina-los a missão que deveriam vir a desempenhar nas lides do campo.

Todos os dias eram trazidos do potreiro e, por várias vezes, obrigados a entrar e sair da mangueira, a fim de aprenderem a fazer isso com facilidade, segurança e presteza. Eram metidos como já disse, a gritos e a laço, mangueira adentro e porteira afora. Para alerta-los ou acelerar a marcha, se gritava: "Sinuelo boi" – E, para tranqüiliza-los ou pará-los, o grito era: "Oxe boi".

Cada vez de se levantar um rodeio ou mover-se com o gado, mesmo em plena marcha e ao aproximar-se de uma porteira ou mangueira, gritava-se pelo sinuelo, a fim de que ele ponteasse, fazendo com que o resto do gado o seguisse.

Nos rodeios, se colocava o sinuelo a uma distancia de uns 80 metros. Lá ele ficava, sem mover-se, cuidado por dois homens à espera das reses que seriam apartadas. Essas reses eram tiradas do rodeio uma de cada vez, calçadas entre dois ou três campeiros, aos gritos de "fora, boi", e levadas a pata de cavalo e, se possível, assavam-lhe a roseta da esporas no lombo. Mas, ao aproximarem-se do sinuelo, agiam com calma, a fim de não espantarem as reses ou bois ariscos que já tinham sido apartados e estavam entre o sinuelo.

Hoje em dia, em falta de sinuelo, para se conduzir alguma animal xucro ou para os apartes dos rodeios, improvisa-se um sinuelo com vacas e bois mansos. Isso resolve e facilita o serviço. Em tempos idos, cada estância apresentava seu sinuelo de bois criados e de pelagem original, como africano, nilo e jaguané. E tinham maior satisfação ainda em demonostrar como os animais era bem adestrados no serviço. E a gauchada de lado, fazia valer suas qualidades campeiras, ressaltando a perícia e boa rédeas de seus pingos, soltos de pata, barbaridade!

Como era lindo o grito de "Ta fora, boi", cerrando perna no pingo, costeleando o boi a ponto de riscar-lhe o fio do lombo com a espora. Um homem é um homem. E o que é do homem o bicho não come.

Autor : Raul Annes Gonçalves

Do livro Mala de Garupa (Costumes Campeiros)
Terceira Edição – Martins Livreiro

Fonte: Hilton Luiz Araldi

OS NOMES DO RIO GRANDE DO SUL

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, agosto 20, 2008 | , | 0 comentários »


1534 – São Pedro. Em Homenagem a Pero Lopes de Souza, que teria navegado pela Lagoa dos Patos.

1550 – Rio Grande. Conforme mapa de Pierre Desvaliers.

1562 – Capitania d'El Rei Nosso Senhor. Mapa de capitanias.

1637 – Porto de São Pedro. Mapa dos Jesuítas.

1698 – Província do Rei. Mapa do Frei José de Santa Tereza.

1721 – Rio Grande de São Pedro. Presente em documentos a partir de 1721.

1737 - Continente do Rio Grande. Denominação posterior a fundação do presidio de Rio Grande.

1751 – Continente de Viamão. Segundo mapa.

1760 – Governo do Rio Grande. Quando houve a elevação para a categoria de governo.

1769 – Continente do Rio Grande de São Pedro. Conforme documentos oficiais da época.

1807 – Capitania de São Pedro. Quando da elevação à Capitania Geral.

1819 – Província do Rio Grande de São Pedro do Sul. Segundo a documentação oficial à época.

1824 – Província do Rio Grande do Sul. A partir da primeira Constituição do Império.

1836 – Estado Rio-Grandense. Nome dado pelos Farroupilhas.

1889 – Estado do Rio Grande do Sul. Com a proclamação da República.

Pesquisa: Hilton Luiz Araldi

Cavaleiros do Planalto seguem firme na condução da Chama Crioula

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, agosto 20, 2008 | , , | 0 comentários »

E a cavalgada continua, faça chuva ou faça sol nossos bravos Cavaleiros do Planalto seguem firmes na condução da Chama Crioula, conforme pode ser observado na imagem:



"Após 174 km em 3 dias de muita chuva o tempo melhorou para que os cavaleiros pudessem cavalgar sem os ponchos que os abrigava da umidade. Com o firme propósito de respeitar os locais pre-determinados de almoço e pouso, os Cavaleiros do Planalto Médio seguem intrépidos na condução da Chama Crioula.

Dos 23 cavaleiros que participam desta cavalgada seis dos mais experientes já possuem a comenda Ordem dos Cavaleiros Riograndenses por terem cumprido mais de 3.000 km a cavalo, entre eles, o Juca, Deoclécio, Mercildo, Verceli, Zebra e o Irajá que transmitem aos mais jovens a experiênia necessária para o bom andamento da jornada.

O grupo tem o compromisso de entregar a chama em Passo Fundo no Parque de Rodeios no próximo domingo de onde uma centelha irá para a Brigada Militar e outra estará a disposição na sede do grupo para as comitivas que se deslocam das demais cidades que fazem parte da sétima região tradicionalista buscarem a centelha para também realizarem em suas cidades as atividades próprias de um 20 de setembro autêntico."


Fonte: Cavaleiros do Planalto Médio

Cavaleiros do Planalto conduzem a Chama Crioula

Postado por Djeine A. Dalla Corte | segunda-feira, agosto 18, 2008 | , , | 0 comentários »

O acendimento da Chama Crioula 2008, ocorreu neste sábado (16) na Ponte Seca, centro do município de São Leopoldo, às 10h45min, debaixo de chuva. O patrono da Semana Faupilha no Estado Wilmar Winck de Souza, un dos fundadores do 35 CTG, foi o responsável por colher a centelha do fogo de chão e acender a Chama. Antes, porém, houve apresentação de danças e de uma peça teatral, além da declamação do poema A Volta do Farrapo pelo poeta Dorval Dias.

Segundo os organizadores, mais de mil e quinhentos cavalarianos representando todas as regiões tradicionalistas do Estado, se fizeram presentes.
De Passo Fundo, entre outras autoridades, se fizeram presentes o Coordenador da Sétima RT Sebastião Cavalheiro e o piquete de 23 cavaleiros do Grupo Cultural e Tradicionalista Cavaleiros do Planalto Médio, que pelo quarto ano consecutivo são os responsáveis por trazer a chama até nosso município.

O grupo, fundado em 2005, tem como lema "Do Planalto Médio a Cavalo Pela Integração do Rio Grande", segundo seu Comandante Giovani Giacomini cumpre com isso uma das finalidades para o qual foi formado, que é promover, cultuar e divulgar as tradições do Rio Grande, dada a importância e o simbolismo que a Chama Crioula tem para todos os gaúchos. "Assim como na Semana da Pátria também na Semana Faurroupilha temos um fogo simbólico : a Chama Crioula, que representa a história, a tradição e a alma da sociedade gaúcha" afirma Giacomini.

O Comandante da Cavalaria Antonio Geolar Kutz, programou o pouso para 30 km distante de São Leopoldo, uma vez que a solenidade de acendimento tomou quase toda a manhã. Nos póximos dias são percorridos em média 40 km diários, sempre com troca das montarias. No dia 17 a grupo almoça no CTG Recanto Nativo de Harmonia e o pouso está programado para o CTG Rincão dos Brochiers no município de Brochier.


A Chama chegará em Passo Fundo dia 24 de Agosto após percorrer 348 km, onde os Cavaleiros do Planalto serão recebidos no Parque de Rodeios da Roselândia por autoridades, imprensa e tradicionalistas de nosso município.

Fonte: Cavaleiros do Planalto Médio


A "Chama Crioula"

Postado por Djeine A. Dalla Corte | segunda-feira, agosto 18, 2008 | , , | 0 comentários »



O simbolismo do fogo é universal, encerra em si o poder e a força. Assim como na Semana da Pátria, também na Semana Farroupilha temos um fogo simbólico, a "Chama Crioula", aliás, esta tem origem primeira naquela: foi em 1947 que, pela vez primeira, ardeu um candeeiro crioulo. A "Chama Crioula" representa a história, a tradição, a alma da sociedade gaúcha, construída ao longo de pouco mais de três séculos. Em torno dela construímos um ambiente de reverência ao passado, de culto aos feitos e fatos que nos orgulham, de reflexão sobre a sociedade que somos e a que queremos ser. Frente à chama, não fazemos festa, não bebemos, não dançamos. Nossa postura é de reverencia e de compenetração cívica.

Neste ano de 2008, o Rio Grande e o mundo tradicionalista se voltam para São Leopoldo para reverenciar a história dos jesuítas que introduziram o gado nestas terras, os indígenas que assimilaram a nova riqueza e a trajetória vitoriosa de uma sociedade que superou todas as dificuldades, desde a Guerra Guaranítica até as quebras das safras de soja e trigo, para manter e fazer crescer o "Rio Grande Missioneiro".

Como liame que une todas as querências, todos os galpões, todos os acampamentos, todas as manifestações da Semana Farroupilha, a Chama Crioula arderá no Rio Grande, sempre carregada de a cavalo por homens e mulheres que sabem o que fazem e o que querem.

História
Os idealizadores da Chama Crioula foram jovens estudantes vindos da campanha para a Capital, que procuravam um espaço onde pudessem reviver suas origens do campo e cultivar sentimentos regionalistas. À meia noite do dia sete de setembro de 1947, antes da extinção do fogo simbólico da pátria, Paixão Cortes e dois amigos, então estudantes do Colégio Júlio de Castilhos, retiraram uma centelha da chama e a conduziram a cavalo ao saguão do colégio, onde ardeu em um candeeiro até a meia noite do dia 20 de setembro.

Durante esse período, os jovens realizaram uma programação que contou com cantos, poesias, palestras e exposições sobre a cultura gaúcha. Desde então, a Chama Crioula passou a representar um local onde o povo do Rio Grande do Sul cultiva as suas tradições.

***

A Chama Crioula será acesa no dia 16 de agosto, em São Leopoldo. A solenidade marca o início oficial das comemorações farroupilhas no Estado. Como o Fogo Simbólico, que simboliza o espírito do culto à Pátria, a chama Crioula encarna a magnitude da Tradição gaúcha. A Chama Crioula de 1947, transformou-se num símbolo gaúcho, para arder nos Centros de Tradições Gaúchas, nas Semanas Farroupilhas e em outros eventos tradicionais. É a representação do amor ao pago. O ideal do, também símbolo tradicionalista, folclorista Paixão Corte, com aquele primeiro facho traduziu a fertilidade da cultura que se perpetua na ronda legada aos tradicionalistas: a chama da alma gaúcha!

Os Cavaleiros do Planalto Médio, capitaneados pelo comandante Giovani Giacomini pelo quarto ano consecutivo se preparam para a realização de mais uma cavalgada tradicionalista que conduzirá uma centelha da chama desde São Leopoldo até Passo Fundo, percorrendo 348 km em 9 dias de cavalgada, com uma estrutura de 31 cavalos, 23 cavaleiros e 11 pessoas no apoio entre cozinheiro, ferreiro, trtadores e motoristas. Representantes de diversos municípios da região estarão buscando para o início das atividades a serem desenvolvidas durante a Semana do Gaúcho. "Nossos símbolos: nosso orgulho!" é o tema da Semana Farroupilha 2008. O temário irá valorizar os símbolos oficiais do Rio Grande do Sul, com o propósito de torná-los mais conhecidos pela população. O projeto congrega primeiramente os 10 símbolos listados na legislação: Bandeira, Hino, Armas, a planta Erva-mate, a ave Quero-Quero, a flor Brinco-de-princesa, o Cavalo Crioulo, a planta medicinal Macela, a bebida Chimarrão, e o prato típico Churrasco.

Fonte:
Cavaleiros do Planalto Médio