O Negrinho do Pastoreio - João Simões Lopes Neto

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, dezembro 17, 2008 | , , , | 0 comentários »

É bem conhecida dos gaúchos a história do negrinho judiado por seu patrão e que, ao perder a tropilha de tordilhos, é jogado ao formigueiro para ser devorado pelas formigas. Na procura dos cavalos porém, ele conta com a ajuda da sua madrinha, Nossa Senhora, a qual faz com que cada pingo do toco de vela que ele carrega vire uma nova luz e lhe dá para a eternidade, o baio e a tropilha de tordilhos. Até hoje, ao perder algo importante, se acende uma vela ao negrinho pedindo ajuda na procura.

Bem, muitas versões já foram escritas e eu não me atrevo a tentar fazer uma nova, não depois de ler esta de João Simões Lopes Neto, que usa os termos de nosso vocabulário gaudério, muitos que nós nem usamos mais e que correm o risco de serem esquecidos pelas novas gerações.

Então, sem mais rodeios, o Gaudérios traz o texto "O Negrinho do Pastoreio", encantem-se:

***

Do livro "Contos Gauchescos e Lendas do Sul"
Autor: João Simões Lopes Neto


O NEGRINHO DO PASTOREIO

NAQUELE TEMPO os campos ainda eram abertos, não havia entre eles nem divisas nem cercas; somente nas volteadas se apanhava a gadaria xucra e os veados e as avestruzes corriam sem empecilhos...

Era uma vez um estancieiro, que tinha uma ponta de surrões cheios de onças e meias-doblas e mais muita prataria; porém era muito cauíla e muito mau, muito.

Não dava pousada a ninguém, não emprestava um cavalo a um andante; no inverno o fogo da sua casa não fazia brasas; as geadas e o minuano podiam entanguir gente, que a sua porta não se abria; no verão a sombra dos seus umbus só abrigava os cachorros; e ninguém de fora bebia água das suas cacimbas.

Mas também quando tinha serviço na estância, ninguém vinha de vontade dar-lhe um ajutório; e a campeirada folheira não gostava de conchavar-se com ele, porque o homem só dava para comer um churrasco de tourito magro, farinha grossa e erva-caúna e nem um naco de fumo… e tudo, debaixo de tanta somiticaria e choradeira, que parecia que era o seu próprio couro que ele estava lonqueando...

Só para três viventes ele olhava nos olhos: era para o filho, menino cargoso como uma mosca, para um baio cabos-negros, que era o seu parelheiro de confiança, e para um escravo, pequeno ainda, muito bonitinho e preto como carvão e a quem todos chamavam somente o — Negrinho.

A este não deram padrinhos nem nome; por isso o Negrinho se dizia afilhado da Virgem, Senhora Nossa, que é a madrinha de quem não a tem.

Todas as madrugadas o Negrinho galopeava o parelheiro baio; depois conduzia os avios do chimarrão e à tarde sofria os maus tratos do menino, que o judiava e se ria.

***

Um dia depois de muitas negaças, o estancieiro atou carreira com um seu vizinho. Este queria que a parada fosse para os pobres; o outro que não, que não! que a parada devia ser do dono do cavalo que ganhasse. E trataram: o tiro era trinta quadras, a parada, mil onças de ouro. No dia aprazado, na cancha da carreira havia gente como em festa de santo grande.

Erva-Caúna – Variedade de mate, de qualidade inferior, e amargo.

Cacimbas – nascente d´aua – olho d´agua.

Onças – aqui, moeda da época.

Entre os dois parelheiros, a gauchada não sabia se decidir, tão perfeito era e bem lançado cada um dos animais. Do baio era fama que quando corria, corria tanto, que o vento assobiava-lhe nas crinas; tanto, que só se ouvia o barulho, mas não lhe viam as patas baterem no chão... E do mouro
era voz que quanto mais cancha, mais agüente e que desde a largada ele ia ser como um laço que se arrebenta...

As parcerias abriram as guaiacas, e aí no mais já se apostavam aperos contra rebanhos e redomões contra lenços.

—Pelo baio! Luz e doble!…

—Pelo mouro! Doble e luz!...

Os corredores fizeram as suas partidas à vontade e depois as obrigadas; e quando foi na última, fizeram ambos a sua senha e se convidaram. E amagando o corpo, de rebenque no ar, largaram, os parelheiros meneando cascos, que parecia uma tormenta...

— Empate! Empate! — gritavam os aficionados ao longo da cancha por onde passava a parelha veloz, compassada como numa colhera.

— Valha-me a Virgem madrinha, Nossa Senhora! — gemia o Negrinho.

— Se o sete-léguas perde, o meu senhor me mata! hip! hip! hip!...

E baixava o rebenque, cobrindo a marca do baio.

— Se o corta-vento ganhar é só para os pobres!... retrucava o outro corredor. Hip! hip!

E cerrava as esporas no mouro.

Mas os fletes corriam, compassados como numa colhera, Quando foi na última quadra, o mouro vinha arrematado e o baio vinha aos tirões… mas sempre juntos, sempre emparelhados.

E a duas braças da raia, quase em cima do laço, o baio assentou de supetão, pôs-se em pé e fez uma caravolta, de modo que deu ao mouro tempo mais que preciso para passar, ganhando de luz aberta! E o Negrinho, de em pêlo, agarrou-se como um ginetaço.

— Foi mau jogo! — gritava o estancieiro.

— Mau jogo! — secundavam os outros da sua parceria.

A gauchada estava dividida no julgamento da carreira; mais de um torena coçou o punho da adaga, mais de um desapresilhou a pistola, mais de um virou as esporas para o peito do pé... Mas o juiz, que era um velho do tempo da guerra de Sepé-Tíaraju, era um juiz macanudo, que já tinha visto muito mundo. Abanando a cabeça branca sentenciou, para todos ouvirem:

— Foi na lei! A carreira é de parada morta; perdeu o cavalo baio, ganhou o cavalo mouro, Quem perdeu, que pague. Eu perdi cem gateadas; quem as ganhou venha buscá-las. Foi na lei!

Não havia o que alegar. Despeitado e furioso, o estancieiro pagou a parada, à vista de todos, atirando as mil onças de ouro sobre o poncho do seu contrário, estendido no chão.

Torena – indivíduo forte valente, destemido.

E foi um alegrão por aqueles pagos, porque logo o ganhador mandou distribuir tambeiros e leiteiras, côvados de baeta e baguais e deu o resto, de mota, ao pobrerio. Depois as carreiras seguiram com os changueiritos que havia.

***

O estancieiro retirou-se para a sua casa e veio pensando, pensando calado, em todo o caminho. A cara dele vinha lisa, mas o coração vinha corcoveando como touro de banhado laçado a meia espalda… O trompaço das mil onças tinha-lhe arrebentado a alma.

E conforme apeou-se, da mesma vereda mandou amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho.

Na madrugada saiu com ele e quando chegou no alto da coxilha falou assim:

— Trinta quadras tinha a cancha da carreira que tu perdeste: trinta dias ficarás aqui pastoreando a minha tropilha de trinta tordilhos negros... O baio fica de piquete na soga e tu ficarás de estaca!

O Negrinho começou a chorar, enquanto os cavalos iam pastando.

Veio o sol, veio o vento, veio a chuva, veio a noite. O Negrinho, varado de fome e já sem força nas mãos, enleou a soga num pulso e deitou-se encostado a um cupim.

Vieram então as corujas e fizeram roda, voando, paradas no ar, e todas olhavam-no com os olhos reluzentes, amarelos na escuridão. E uma piou e todas piaram, como rindo-se dele, paradas no ar, sem barulho nas asas.

O Negrinho tremia, de medo... porém de repente pensou na sua madrinha Nossa Senhora e sossegou e dormiu.

E dormiu. Era já tarde da noite, iam passando as estrelas; o Cruzeiro apareceu, subiu e passou; passaram as Três-Marias: a estrela-d'alva subiu...

Então vieram os guaraxains ladrões e farejaram o Negrinho e cortaram a guasca da soga. O baio sentindo-se solto rufou a galope, e toda a tropilha com ele, escaramuçando no escuro e desguaritando-se nas canhadas.

O tropel acordou o Negrinho; os guaraxains fugiram, dando berros de escárnio. Os galos estavam cantando, mas nem o céu nem as barras do dia se enxergava: era a cerração que tapava tudo.

E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou.

***

O menino maleva foi lá e veio dizer ao pai que os cavalos não estavam.

O estancieiro mandou outra vez amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho.

E quando era já noite fechada ordenou-lhe que fosse campear o perdido. Rengueando, chorando e gemendo, o Negrinho pensou na sua madrinha Nossa Senhora e foi ao oratório da casa, tomou o coto de vela acesa em frente da imagem e saiu para o campo.

Por coxilhas e canhadas, na beira dos lagoões, nos paradeiros e nas restingas, por onde o Negrinho ia passando, a vela benta ia pingando cera no chão; e de cada pingo nascia uma nova luz, e já eram tantas que clareavam tudo. O gado ficou deitado, os touros não escarvaram a terra e as manadas xucras não dispararam... Quando os galos estavam cantando, como na véspera, os cavalos relincharam todos juntos. O Negrinho montou no baio e tocou por diante a tropilha, até a coxilha que o seu senhor lhe marcara.

E assim o Negrinho achou o pastoreio. E se riu...

Gemendo, gemendo, o Negrinho deitou-se encostado ao cupim e no mesmo instante apagaram-se as luzes todas; e sonhando com a Virgem, sua madrinha, o Negrinho dormiu. E não apareceram nem as corujas agoureiras nem os guaraxains ladrões; porém pior do que os bichos maus, ao clarear o dia veio o menino, filho do estancieiro e enxotou os cavalos, que se dispersaram, disparando campo fora, retouçando e desguaritando-se nas canhadas.

O tropel acordou o Negrinho e o menino maleva foi dizer ao seu pai que os cavalos não estavam lá...

E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou...

***

O estancieiro mandou outra vez amarrar o Negrinho pelos pulsos, a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho... dar-lhe até ele não mais chorar nem bulir, com as carnes recortadas, o sangue vivo escorrendo do corpo… O Negrinho chamou pela Virgem sua madrinha e Senhora Nossa, deu um suspiro triste, que chorou no ar como uma música, e pareceu que morreu...

E como já era noite e para não gastar a enxada em fazer uma cova, o estancieiro mandou atirar o corpo do Negrinho na panela de um formigueiro, que era para as formigas devorarem-lhe a carne e o sangue e os ossos... E assanhou bem as formigas, e quando elas, raivosas, cobriam todo o corpo do Negrinho e começaram a trincá-la é que então ele se foi embora, sem olhar para trás.

Nessa noite o estancieiro sonhou que ele era ele mesmo, mil vezes e que tinha mil filhos e mil negrinhos, mil cavalos baios e mil vezes mil onças de ouro… e que tudo isto cabia folgado dentro de um formigueiro pequeno...

Caiu a serenada silenciosa e molhou os pastos, as asas dos pássaros e a casca das frutas.

Coto – pedaço; mesmo que toco.

Passou a noite de Deus e veio a manhã e o sol encoberto. E três dias houve cerração forte, e três noites o estancieiro teve o mesmo sonho.

***

A peonada bateu o campo, porém ninguém achou a tropilha e nem rastro.

Então o senhor foi ao formigueiro, para ver o que restava do corpo do escravo.

Qual não foi o seu grande espanto, quando chegado perto, viu na boca do formigueiro o Negrinho de pé, com a pele lisa, perfeita, sacudindo de si as formigas que o cobriam ainda!... O Negrinho, de pé, e ali ao lado, o cavalo baio e ali junto a tropilha dos trinta tordilhos... e fazendo-lhe frente, de guarda ao mesquinho, o estancieiro viu a madrinha dos que não a têm, viu a Virgem, Nossa Senhora, tão serena, pousada na terra, mas mostrando que estava no céu... Quando tal viu, o senhor caiu de joelhos diante do escravo.

E o Negrinho, sarado e risonho, pulando de em pêlo e sem rédeas; no baio, chupou o beiço e tocou a tropilha a galope.

E assim o Negrinho pela última vez achou o pastoreio. E não chorou, e nem se riu.

***

Correu no vizindário a nova do fadário e da triste morte do Negrinho, devorado na panela do formigueiro.

Porém logo, de perto e de longe, de todos os rumos do vento, começaram a vir notícias de um caso que parecia um milagre novo...

E era, que os posteiros e os andantes, os que dormiam sob as palhas dos ranchos e os que dormiam na cama das macegas, os chasques que cortavam por atalhos e os tropeiros que vinham pelas estradas, mascates e carreteiros, todos davam notícia — da mesma hora — de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, gineteando de em pêlo, em um cavalo baio!…

Então, muitos acenderam velas e rezaram o Padre Nosso pela alma do judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma cousa, o que fosse, pela noite velha o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar da sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o remiu e salvou e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver.

***

Todos os anos, durante três dias, o Negrinho, desaparece: está metido em algum formigueiro grande, fazendo visita às formigas, suas amigas; a sua tropilha esparrama-se, e um aqui, outro por. lá, os seus cavalos retouçam nas manadas das estâncias. Mas ao nascer do sol do terceiro dia, o baio relincha. perto do seu ginete; o Negrinho monta-o e vai fazer a sua recolhida; é quando nas estâncias acontece a disparada das cavalhadas e a gente olha, olha, e não vê ninguém, nem na ponta, nem na culatra.

***

Desde então e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, sarado e risonho, cruza os campos, corta os macegais, bandeia as restingas, desponta os banhados, vara os arroios, sobe as coxilhas e desce às canhadas.

O Negrinho anda sempre à procura dos objetos perdidos, pondo-os de jeito a serem achados pelos seus donos, quando estes acendem um coto de vela, cuja luz ele leva para o altar da Virgem Senhora Nossa, madrinha dos que não a têm.

Quem perder suas prendas no campo, guarde esperança: junto de algum moirão ou sob os ramos das árvores, acenda uma vela para o Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo —Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Foi por ai que eu perdi!...

Se ele não achar… ninguém mais.

Culatra – Retaguarda de um rebanho.

Prendas – Jóias. Algo que se preza.

LEI Nº 8.814, DE 10 DE JANEIRO DE 1989.

Postado por Djeine A. Dalla Corte | segunda-feira, dezembro 08, 2008 | , , | 0 comentários »


Fixa o dia 04 de dezembro como o "DIA DO POETA REPENTISTA GAÚCHO e do ARTISTA REGIONAL GAÚCHO", no Estado do Rio Grande do Sul.

DEPUTADO ALGIR LORENZON, Presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.

Faço saber, em cumprimento ao disposto no § 5º do artigo 37 da Constituição do Estado, que a Assembléia Legislativa decretou e eu promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º - Fica estipulado o dia quatro (04) de dezembro como efeméride dedicada à pública homenagem ao poeta repentista gaúcho e ao artista regionalista gaúcho, no Estado do Rio Grande do Sul.

Art. 2º - As comemorações oficiais ficarão a cargo do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore - IGTF.

Art. 3º - Consagra GILDO DE FREITAS (Leovegildo José de Freitas), falecido a 04 de dezembro de 1982, patrono do poeta repentista gaúcho e TEIXEIRINHA (Victor Matheus Teixeira), falecido a 04 de dezembro de 1985, patrono do artista regionalista gaúcho.

Art. 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário.



ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO, em Porto Alegre, 10 de janeiro de 1989.

Ladrão de Felicidade

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, dezembro 05, 2008 | , | 1 comentários »

Poesia escolhida pela Prenda do Mês de Dezembro Liriane dos Santos.

Autor: Salvador Lamberty

Num paraíso de sonhos
Marlene e José se amavam
Toda vez que se encontravam
Juravam eterno amor
Mas o destino traidor
Cruel, amargo e atrevido,
Jogou seus sonhos floridos
Numa cascata de dor.

Marlene, uma moça rica,
Um futuro tão brilhante
O seu olhar fascinante
Tornava a mais preferida
Por todos era querida,
Era meiga e tão formosa,
Como o florar de uma rosa
Na primavera da vida.

Enquanto José era pobre,
Vivia do seu trabalho.
Era uma gota de orvalho
No jardim da humanidade
Com tanta honestidade,
Fibra, ardor e respeito,
Tinha um coração no peito
Feito de amor e bondade.

Num lapso de muitos dias
Ele foi correspondido,
Era um romance escondido
Mas tão cheio de pureza.
Naquela estranha beleza
Pelo amor que então sentia.
Esqueceu tudo o que tinha
Para enfrentar a pobreza.

Até que um dia Marlene
Foi chamada por seu Pai:
Minha filha você vai
Contar tudo o que se passa
Não quero que uma desgraça
Venha nos trazer tristeza.
Conte tudo com franqueza
Deixe de fazer trapaça.

Marlene baixou os olhos
Lágrimas pelo seu rosto:
Papai se lhe dou desgosto
De joelhos peço perdão.
Eu sei que a tua intenção
E que eu viva pros estudos,
Mas eu amo acima de tudo
São ordens do coração."

Houve um olhar em silêncio
Como um sinal de revolta:
“- Eu prefiro vê-la morta
Deitada sobre um caixão
Frente a uma multidão
Rodeada de quatro velas,
Prefiro nunca mais vê-la
Se casar com aquele peão."

Foi como se um temporal
Desmoronasse um castelo.
Um coração tão singelo
Pra suportar tanta dor
"- Se na vida só há um amor
E me roubam a liberdade,
Um mundo de crueldades
Para mim não tem valor."

Quando foi tarde da noite
la foi sem ninguém ver
Ao seu amado dizer
A sua infelicidade
E envolvidos pela maldade,
Num olhar temo e sereno
Por um copo de veneno
Partiram para eternidade.

No outro dia a alvorada
Era um painel de tristezas.
Enlutou-se a natureza
Quando foram encontrados,
Estavam bem abraçados
E inertes sobre o chão,
Ela trazia entre as mãos
Num bilhete este recado:

“- Papai, teu desejo foi feito,
Podes me ver sobre a mesa
Não lamentes de tristeza,
Nem chores a infelicidade.
Fiques com tua vaidade,
Teu orgulho amaldiçoado
E o remorso de ter me roubado
A vida e a felicidade.

Diga à mamãe que lá do céu
Eu vou sentir a falta dela.
Entregues um beijo a ela
E diz pra me perdoar.
Talvez ela vá chorar
Pois parto sem dizer nada,
Já que aqui não tem morada
Pra quem aprendeu a amar.”

Este foi mais um romance
Que o tal destino exauriu.
Duas flores que pelo frio
Secaram ao rigor do vento.
Com linhas de pensamento
Formou-se um livro de ensinos,
Escrito pelo destino,
Com letras de sofrimento.

Que isso sirva de exemplo
A muitos pais de família,
Que fazem de suas filhas
Objetos de ambição.
Essa dramática lição
Mostra ao povo interesseiro.
Que o orgulho e o dinheiro
Não mandam no coração.

Senhor das Manhãs de Maio

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, dezembro 05, 2008 | , , | 0 comentários »

A música "Senhor das Manhãs de Maio" foi escolhida pela Prenda do Mês de Dezembro, Liriane dos Santos como sendo sua preferida.

Gujo Teixeira / Luiz Marenco

Meu galpão de alma tranqüila
ressuscita todo dia...
Cada vez que o sol destapa
sua silhueta sombria
e desenha cinamomos
na minha querência vazia...

- Senhor das manhãs de maio
ceva este mate pra mim
que eu venho a tempos de lua
minguando sonhos assim:
- Os que eu posso, sonho aos poucos
os que eu não posso, dou fim...

Silencio quando posso
Quando quero sou estrada
diviso as coisas do tempo
bem antes da madrugada.
Numa prece que bem me lembro
refaço minhas orações:
- "Pai nosso que estais no céu
precisai vir aos galpões!"

No descaso dos galpões
- solito quando me vejo -
é que se achega a saudade
com seus olhos de desejo.
Pondo estrelas madrugueiras
neste céu de picumã
parecendo que se adentra
pra contemplar minha manhã.

Meus sonhos domei pra lida
pra minha rédea, ao meu gosto
pras dores da minha alma
se ela cruzar esse agosto.
- Por favor Senhor dos mates
não deixe a manhã tão triste
mateia junto comigo
que eu sei que tu ainda existe...

Teixeirinha

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, dezembro 04, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Victor Matheus Teixeira, mais conhecido como Teixeirinha, nasceu em Rolante, em 3 de março de 1927 — e faleceu em Porto Alegre em 4 de dezembro de 1985. Foi um cantor e compositor brasileiro, também conhecido como o Rei do Disco, pelos recordes de vendas de discos que conseguiu em sua época.

Biografia

Teixeirinha teve uma infância difícil, especialmente por ter perdido aos sete anos o pai, um carreteiro, e aos nove anos a mãe, em um incêndio. Em 1960 tornou-se sucesso nacional com o lançamento de "Coração de Luto",que falava da trágica morte de sua mãe, no programa do Chacrinha. Em 1961 conheceu em Bagé a cantora Mary Terezinha, que se tornou sua efetiva companheira.

Atuou também no cinema, sendo que o filme Coração de Luto, de 1967, era uma autobiografia.

Teixeirinha é um típico músico da música gaúcha, sendo ele um ícone do estilo. Uma de suas canções mais famosas é "Querência Amada", que em sua introdução possui uma dedicatória ao pai e acabou se tornando um hino informal ao Rio Grande do Sul.

Teixeirinha e Mazzaropi foram os maiores fenômenos populares do cinema sul-americano regional. No caso do cantor gaúcho, seus filmes chegaram a superar 1,5 milhões de espectadores, obtidos apenas nos três estados do sul do país. Eram co-produzidos por distribuidores e exibidores locais, que lhes asseguravam a permanência em cartaz. Sua última produção, "A Filha De Iemanjá" foi distribuída pela Embrafilme com fracos resultados. Uma análise mais detalhada dos resultados de exibição pode conduzir a uma melhor compreensão da relação regional da distribuição e da exibição.

Discografia

1960 - O Gaúcho Coração do Rio Grande
1961 - Assim é nos pampas
1961 - Um gaúcho canta para o Brasil
1962 - Saudades de Passo Fundo
1962 - Teixeirinha, volume 4
1963 - Teixeirinha Show
1963 - Teixeirinha interpreta
1963 - Êta gaúcho bom
1964 - Gaúcho autêntico
1964 - Canarinho cantador
1965 - O rei do disco
1965 - Bate-bate coração
1966 - Disco de ouro
1966 - Teixeirinha no cinema
1967 - Coração de Luto - trilha sonora do filme
1967 - Mocinho aventureiro
1967 - Dorme Angelita
1968 - Doce coração de mãe
1968 - Última tropeada
1969 - O rei
1969 - Volume de prata
1970 - Carícias de amor
1971 - Fora de série
1971 - Entre a cruz e o amor
1971 - Chimarrão da hospitalidade
1972 - Ela tornou-se freira - trilha sonora do filme
1972 - Minha homenagem
1973 – O Internacional
1973 - Sempre Teixeirinha
1974 - Última gineteada / Menina que passa
1975 - Pobre João - trilha sonora do filme
1975 - Aliança de ouro
1975 - Lindo Rancho
1977 - Norte a Sul
1977 - Canta meu povo / Fronteira gaúcha
1978 - Amor de verdade / Inseparável violão
1978 - Menina da gaita / O Centro-Oeste brasileiro
1979 - 20 anos de glória
1980 - Menina Margareth / Vida e morte
1981 - Iemanjá - trilha sonora do filme
1982 - Que droga de vida / Infância frustrada
1982 - Dez desafios inéditos - Teixeirinha e Mary Terezinha
1983 - Chegando de longe / Apenas uma flor
1984 - Guerra dos desafios - Teixeirinha e Nalva Aguiar
1984 - Quem é você agora / Amor desfeito
1985 - Amor aos passarinhos
1993 - Os Grandes Sucessos de Teixeirinha (Póstumo)
1994 - Teixeirinha Canta com Amigos (Póstumo)

Participação Especial

1980 - A Grande Noite da Viola

Filmografia

1967 - Coração de Luto
1969 - Motorista sem limites
1972 - Ela Tornou-se Freira
1973 - Teixeirinha 7 Provas
1974 - O Pobre João
1976 - Na Trilha da Justiça
1976 - Carmen a Cigana
1976 - A Quadrilha do Perna Dura
1978 - Meu Pobre Coração de Luto
1978 - Gaúcho de Passo Fundo
1979 - Tropeiro Velho
1981 - A Filha de Iemanjá


Gildo de Freitas

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, dezembro 04, 2008 | , , | 0 comentários »

Biografia

Nome: Leovegildo José de Freitas.

Data de Nascimento: 19 de junho de 1919.

Local de Nascimento: Bairro do Passo d'Areia, Porto Alegre, filho de Vergílio José de Freitas e Georgínia de Freitas.

Profissão: Muitas, trabalhador, fora-da-lei, negociante, político, ídolo e mito, mas a rigor apenas uma: trovador e cantador popular. Considerado até pelos seus inimigos como o maior dos trovadores gaúchos. Fez sucesso versando sobre as coisas do Rio Grande. A rapidez de raciocínio e o humor eram suas maiores qualidades. Fez fama nos programas de rádio ao vivo na década de 50 e foi grande amigo de Teixeirinha, com quem disputou popularidade e acabou brigando em 1977. Foi amigo de Getúlio Vargas e por isso considerado subversivo após o golpe de 64. Também de especializou em animar bailões de músicas gaúchas e alegrar o povo.

Cronologia

1931 - Gildo foge de casa pela primeira vez, aos 12 anos.
1937 - É tido como desertor, por não ter se apresentado à convocação militar. Envolve-se na primeira briga séria, onde morre um jovem amigo. Primeira prisão. Cria ódio da polícia.
1941 - Casamento com dona Carminha. Passa a ter morada fixa no bairro de Niterói, em Canoas, Grande Porto Alegre. Continuam os contratempos com a polícia.
1944 - Nasce o primeiro filho depois de dois perdidos. Gildo começa a viajar bastante e a ser reconhecido como trovador. A polícia mantem-se em cima.
1949 - Trovador com fama ascendente em todo o Rio Grande do Sul, desaparece de casa e reaparece na fronteira gaúcha. Em longa temporada passada no Alegrete, mal consegue caminhar, com problema de paralisia nas pernas.
1950/51 - Em São Borja, conhece Getúlio Vargas e entra em sua campanha política. Param as perseguições policiais. Primeira viagem ao Rio de Janeiro.
1953/54 - Faz fama como trovador nos progamas de rádio ao vivo em Porto Alegre. Volta à viver no Passo d`Areia, com a família.
1955 - Encontro e identificação como Teixeirinha. Muitas viagens. Mudança para o bairro Passo do Feijó e abertura do primeiro bolicho.
1956/60 - Maior atração do programa Grande Rodeio Coringa dos domingos à noite. Mais viagens com Teixeirinha.
1961/62 - Declínio dos progamas de rádio ao vivo, televisão começando. Gildo resolve largar de mão a "cantoria" e inventa de criar porcos.
1963 - Viagem a São Paulo para gravar o primeiro disco.
1964 - É lançado o primeiro LP. Em meados do ano é "convidado" a prestar depoimento sobre suas ligações com o trabalhismo.
1965 - Início da célebre disputa com Teixeirinha através dos discos. Jango o convida para viver no Uruguai e ele não aceita.
1970/77 - Várias internações em hospitais, sucesso popular das gravações, muitas viagens. A "briga" com Teixeirinha chega ao auge. Mudança para Viamão.
1978 - Inaugura em Viamão a Churrascaria Gildo de Freitas e dá início aos bailões.
1982 - Grava o último disco, para a mesma gravadora dos outros todos, Continental. Última internação em hospital, últimas aparições públicas em programas de TV. Morte em 4 de dezembro.

Observação: O A Lei Estadual 8814, de 10 de janeiro de 1989, cujo Projeto de Lei foi de autoria do então Deputado Joaquim Moncks e justificativa com mais de vinte folhas.

Esta Lei, "Fixa o dia 4 de dezembro como o "DIA DO POETA REPENTISTA GAÚCHO e do ARTISTA REGIONAL GAÚCHO", no Estado do Rio Grande do Sul. Consagra como patronos respectivamente Gildo de Freitas e Teixeirinha, pois ambos morreram em 4 de dezembro, o Gildo em 1982 e o Teixeirinha em 1985.

Algumas de suas músicas :

Baile do Chico Torto
Definiçâo das pilchas
Definição do Grito
Eu Não Sou Convencido
Eu Reconheço Que Sou Um Grosso
Figueira amiga
História dos Passarinhos
Homem feio não possui mulher bonita
Homem Sem Coragem
Lembrança Do Passado
Mula Preta
Percorrendo o Rio Grande
Que negrinha boa
Rancho de Capim Barreado
Resposta do Relho Trançado
Saudades de Minha Terra
Sistema Dos Pagos
Trança De China

Passo Fundo homenageia Teixeirinha e Gildo de Freitas

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, dezembro 04, 2008 | , , , | 0 comentários »

Acontece hoje, dia 04 de dezembro, em Passo Fundo, na Praça do Teixeirinha uma Tertúlia com mateada, organizada pela Rádio Planalto em homengem aos dois baluartes da música e da trova do Rio Grande.

Na Praça que leva o nome do Teixeirinha, onde há um monumento construído pelo artista plástico Paulo Siqueira, se reunirão músicos, trovadores e artistas para rememorar as clássicos dos dois artistas que tanto contribuíram para a formação da musica gaúcha.

Leia mais no Gaudérios sobre Teixeirinha e Gildo de Freitas.

A comemoração nesta data deve-se a:


A qual estabelece o dia 04 de dezembro como o "DIA DO POETA REPENTISTA GAÚCHO e do ARTISTA REGIONAL GAÚCHO", no Estado do Rio Grande do Sul, em função de se tratar do dia e mês de falecimento de Teixeirinha e Gildo de Freitas.

Prenda do mês de Dezembro - Liriane Dos Santos

Postado por Mauro dos Reis | segunda-feira, dezembro 01, 2008 | , , , , , | 0 comentários »


Gaudérios: Tu és natural de que cidade? Falas um pouco de ti e de tuas raízes (como seu meio de convívio, familiares e amigos, influenciaram seu interesse pela cultura gaúcha?).

Primeiramente eu gostaria de agradecer o convite do blog Gaudérios para esta entrevista.

Bem, me chamo Liriane Dos Santos, tenho 17 anos, sou natural de Itaqui, fronteira oeste do estado, mas moro em Alvorada desde os meus seis anos. Meus pais sempre freqüentaram CTGs, antes mesmo de começar a andar e falar eu já usava vestidos de prenda e freqüentava os bailes da minha cidade natal, mas o interesse pela cultura gaúcha veio mesmo depois de estar morando algum tempo aqui em Alvorada quando resolvi entrar para a invernada juvenil do CTG Amaranto Pereira (CTG que represento até hoje), em 2005.

Após meu ingresso na invernada juvenil veio o convite para participar do concurso interno de prendas, até então não conhecia praticamente nada da cultura gaúcha, mas graças ao apoio de amigos, dos meus pais e do então Diretor Cultural o Sr.Adair Rocha, o tio Adair, eu recebi a faixa de 2ª Prenda Adulta em 2006.

Gaudérios: Qual a relação que tens com a tradição Gaúcha atualmente?

Atualmente sou a 1ª Prenda do meu CTG, o Amaranto Pereira, e também sou a Prenda Farroupilha do município de Alvorada. (Entrevista concedida em Junho de 2008.)
Também danço atualmente na invernada adulta do meu CTG.



Gaudérios: Participaste de um concurso de prendas, poderias falar como foi o concurso, quais habilidades a prenda precisa demonstrar? Conte-nos um pouco sobre o que aconteceu nos bastidores (dificuldades e alegrias).

Nesta curta vivência tradicionalista que tenho já participei de três concursos de prendas, sendo eles: dois concursos internos e o concurso de prenda farroupilha.

O concurso interno é dividido em quatro partes: Prova escrita, Mostra Folclórica, Prova Oral e Prova Artística.

Na prova escrita são avaliados conhecimentos de história e geografia do RGS e também conhecimentos sobre tradicionalismo, folclore e tradição.

Na mostra folclórica é feito um resgate de algum tema pré-definido como por exemplo: lendas, festas, folguedos, religiosidade e artesanato. Em 2007, por exemplo, o tema da mostra folclórica do meu CTG foi artesanato com materiais recicláveis.

Na prova oral a prenda deve discorrer espontaneamente sobre um tema sorteado, podendo este tema ser sobre história, geografia, tradição, tradicionalismo e folclore.

Na prova artística a prenda deve dançar uma dança tradicional e uma dança de salão, além de escolher entre tocar um instrumento musical, cantar ou declamar.

No concurso de Prenda Farroupilha do município além dessas provas a prenda também deve demonstrar conhecimento sobre a história e a geografia do seu município.

Graças ao apoio dos meus pais, dos meus amigos e da patronagem do meu CTG eu não tive muitas dificuldades em meus concursos, sempre dá aquele nervosismo, mas a alegria de estar representando o meu CTG e o apoio dos meus amigos faz valer a pena todo o nervosismo.

Gaudérios: O que gostarias de dizer para as prendas que estão iniciando na tradição, ou até mesmo para aquelas que já participam de eventos tradicionalistas, em relação a ser uma autêntica prenda?

Pra mim ser uma autêntica prenda é acima de tudo amar esse nosso estado e as suas tradições, sendo ou não prenda de faixa. O recado que eu deixe para as prendas é: Não tenham vergonha, mas sim orgulho de serem representantes de uma cultura tão linda como é a cultura Riograndense, e acima de tudo amem muito o que vocês fazem e lutem sempre pelos seus objetivos.


Gaudérios: Em relação à Cultura Gaúcha:

Qual tua música preferida? São muitas, mas tem uma que acho muito linda que é a musica Senhor das manhãs de maio.

Poesia? Ladrão de Felicidade de Salvador Ferrando Lamberty.

Livro? História do RGS - Moacir flores, Rio Grande Do Sul História e tradições - José Machado Leal, Alvorada Tradicionalista, Recital de Poesias para Prendas - Salvador Ferrando Lamberty.

Sites? www.mtg.org.br

Comunidades?
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=5430433 (1ª Região Tradicionalista)
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=420170 (MTG)
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=10486273 (Poesia Gaúcha)

Gaudérios: Qual o comentário que gostarias de fazer para complementar nossa conversa, por favor, fique a vontade?

Bem, eu gostaria de agradecer mais uma vez pelo convite, e dizer que é sempre um prazer contribuir para fortalecer cada dia mais as tradições e a cultura do nosso Rio Grande Do Sul.





Gaudérios: Depois de algum tempo sem prendas no quadro Prenda do Mês, o Blog Gaudérios se alegra em encerrar o ano de 2008 com a prenda Liriane Dos Santos que, como as demais participantes, demontra um profundo sentimento de amor e respeito aos costumes autênticos do povo gaúcho. Ficamos honrados com a possibilidade de divulgação destas prendas que se dispõe a aprender tanto sobre a sua cultura, numa época em que cada vez mais as tradições se perdem. Abraços a Todos!


Gostastes da entrevista? Então deixas teu comentário!
O Blog Gaudérios agradece!

A história da Panela de Carreteiro de Noel Guarany.

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, novembro 27, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Leia a emocionante história da panela de carreteiro dada pelo pai do Pedro Ortaça ao Noel Guarany, o qual, como prova da grande amizade que sentia, a deu como presente para o Jayme Caetano Braun. O desfecho comovente desta história envolvendo grandes expoentes da música e poesia gaúchas, você lê no texto abaixo. Esta história, foi publicada originalmente no Jornal da Região e enviada pelo senhor Savio Moura de São Luiz Gonzaga ao nosso amigo Hilton Luiz Araldi.


Jornal da Região
São Luiz Gonzaga, 15 e 16 de novembro de 2008
Bossoroca


Recuperada, panela de carreteiro, que foi de Noel Guarany, já faz, parte de seu acervo.
Após uma longa procura, Bossoroca conseguiu fazer o resgate da ‘panela de carreteiro’ que pertenceu a Noel Guarany. Essa peça estava sob a guarda da família de Jayme Caetano Braun, mas ultimamente quem tinha a sua posse era o cidadão Dilton Osmar Alves dos Santos, conhecido como “Bombachudo”.

A prof.ª Maria Júlia Ferreira Honn foi quem o colocou a par da longa procura dessa panela, visando cumprir o desejo do próprio Jayme de devolvê-la a seu dono. Maria Júlia elogiou a capacidade de compreensão e a consciência cultural de Dilton dos Santos, pois ao tomar conhecimento do caso, disse: “É com imenso prazer que recambeio esta panela para o acervo do Município de Bossoroca, compreendo o seu valor histórico”. É interessante acrescentar que essa panela foi oferecida como presente a Noel Guarany, pelo pai do Pedro Ortaça.

A prof. Maria Júlia Ferreira Honn, que trabalha na organização da nova edição do “Tributo a Noel Guarany”, promoção da Prefeitura de Bossoroca, disse que “são atitudes de desprendimento deste tipo que engrandecem a cultura do RS”. Maria Júlia também tornou público pedido para quem tenha a posse de objetos que pertenceram a Noel Guarany, que os envie à Prefeitura de Bossoroca, para enriquecer o acervo que está sendo montado no “Espaço Noel Guarany”. Nesse local já estão expostos diversos objetos que pertenceram ao grande intérprete e letrista. Inclusive, na pasta onde guardava os originais das suas composições, foi encontrado o original da “Milonga da Panela”, de autoria de Jayme Caetano Braun, onde manifesta o desejo de Noel, após ter um neto, obter novamente a posse da panela. “Missão cumprida”, disse a prof. Maria Júlia. A seguir, o poema:

Milonga da Panela

Panela de carreteiro,
dos tempos da monarquia
em constante romaria,
no velho pago campeiro,
regalo de um missioneiro
que me ofertou – de presente,
mas agora – indiferente,
a uma amizade sadia,
vive a sonhar – noite e dia,
chorando a panela ausente!
Maestro dos veteranos
da nossa canção bravia!
uma panela vazia,
não vale teus desenganos!
deixa isso pra os profanos
que a nossa história revela.
Guarani – a vida é tão bela,
em nossa terra baguala,
pra que gastar tanta fala
por causa de uma panela?
Larga de mão – eu te peço,
da idéia de entrar em juízo,
termina dando prejuízo,
só com as custas do processo,
o tempo aponta o progresso,
já sem relincho nem berro;
podes errar – como eu erro,
continuando desunidos
e nós dois sermos cozidos,
nessa panela de ferro!
Os três pés dessa marmita,
queimada – de casca escura,
são – na verdade – a estrutura
da nossa terra jesuíta,
por isso bugre – acredita,
na fala deste mestiço;
– canta – e não pensa mais nisso,
deixa que durma o passado,
o Pedro Ortaça é o culpado
de todo esse rebuliço!

Fica a panela comigo,
pois dela tenho usufruto,
cada segundo e minuto,
lembranças do tempo antigo
e – se não falo contigo,
por causa de uma querela,
caso eu estique a canela,
já está gravado o decreto:
– quando tiveres um neto,
manda buscar a panela!

Jayme Caetano Braun
Viamão - RS

Noel Guarany - Potro Sem Dono

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 0 comentários »


A sede de liberdade rebenta a soga do potro
Que parte em busca do pago e num galope dispara
Rasgando a coxilha ao meio
Mordendo o vento na cara.....

Bebe o horizonte nos olhos, empurra a terra pra trás.
Já vai bem longe a figura, mostra o caminho tenaz.
A humanidade sofrida,
Que luta em busca da paz.

Vai potro sem dono, vai livre como eu.

Se a morte lhe faz negaça,
Joga a vida com a sorte.
Desprezando a própria morte,
Não se prende a preconceito.
Nem mata a sede com farsa,
Leva o destino no peito.

Na seiva da madrugada,
Vai florescendo a canção.
Aquece o fogo de chão,
Enxuga meu pranto de ausência,
Nesta guitarra campeira,
Velho clarim da querência.

Breve resumo da vida e da obra de Noel Guarany:

1941 – Nasce em Bossoroca
1960 – Começa a percorrer países da América Latina
1968 – Apresenta um programa na Rádio São Luiz, em São Luiz Gonzaga
1970 – Lança, com Cenair Maicá, um compacto com as músicas Filosofia de Andejo e Romance do Pala Velho
1971 – Disco Legendas Missioneiras
1973 – Disco Destino Missioneiro
1975 – Participa do disco Música Popular do Sul e lança o álbum LP sem Fronteiras
1976 – Lança, na Argentina, o disco independente Payador, Pampa e Guitarra
1977 – Disco Noel Guarany Canta Aureliano Figueiredo Pinto
1979 – Disco De Pulperia
1980 – Disco Alma, Garra e Melodia
1982 – Disco Para o que Olha sem Ver
1988 – Disco A Volta do Missioneiro
1998 – Morre aos 56 anos, em Santa Maria

Noel Guarany - Na Baixada do Manduca

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 1 comentários »

Quantos fandangos já foram embalados pelas "guitarras orientales" e a "gaita correntina" da música, pra lá de gaudéria: "Na Baixada do Manduca" de Noel Guarany. Como diria o Gaudério, chega dá coceira na bota!

Na Baixada do Manduca
Noel Guarany

Lá na baixada do manduca hai rebuliço de china
Três guitarras orientales e uma gaita correntina
E um biriva Rio-grandense com toadas lisboinas

***
E dê-lhe mate pelos campos no compasso da chamarra
Entra Juca e sai manduca, dê-lhe cordeona e guitarra
E dê-lhe mate pelos campos no compasso da chamarra
Entra Juca e sai manduca, dê-lhe cordeona e guitarra
***

O chinaredo lá da estância se aprepara já faz dias
Segundo Siá Basilícia vai trazer várias famílias
Pra escutar o Dom Ortaça e o gaiteiro Malaquia
E um cantor da Bossoroca que canta com galhardia

Jaguarão Chico e Vichadero, se alvorotou a peonada,
Do caseiro ao capataz todos de bota ensebada
E o careca Saragoza nem liga pras gineteadas

A prendinha Ana Luisa filha do nosso patrão
Já encardou água de cheiro vindo de outro rincão
E um delantal colorado partido de sua opinião

Noel Guarany - Chamarrita de Galpão

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 1 comentários »

Chamarrita de Galpão, de Noel Guarany, me lembro dos meus tempos de infância, onde o CTG era uma diversão e tanto, lá aprendíamos o Pezinho, a Cana Verde, o Maçanico e a Chimarrita, além é claro das danças de salão como o Vanerão e o Chote.


Chamarrita de Galpão


Noel Guarany


A trote e a galope percorro qualquer lonjura
Com a minha vida nos tentos e a justiça na cintura

É coisa linda de ver, um índio quando se agarra
E destorce um doze braças dando pealos de cucharra
E a dirigir a festança no compasso da chamarra

O dia que eu amanheço com os pés apapagaiado
Com a bombacha arremangada e o tirador do outro lado
Milico na minha frente não passa sem ser notado

Quem será aquele louco que vai toda disparada
Respondi no pé da letra não é louco, não é nada
Aquele lá é um gaúcho que vai ver sua namorada

Sou domador de mão cheia ginetaço flor e flor
Tranço laço, ainda por cima tenho sorte para o amor
Não sou manco na guitarra, guitarreiro e cantador

Noel Guarany - Balseiros do Rio Uruguay

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 0 comentários »

Para refrescar a memória dos que conhecem ou dar, aos que ainda não tiveram este prazer, uma amostra da autêntica música e poesia gaudéria:

Balseiros do Rio Uruguay

Noel Guarany

Oba! viva! veio a enchente
O Uruguai transbordou
Vai dar serviço prá gente
Vou soltar minha balsa no rio
Vou rever maravilhas
Que ninguém descobriu

Amanhã eu vou embora pros rumo de uruguaiana
Vou levando na minha balsa cedro, angico e canjerana
Quando chegar em são borja, dou um pulo a santo tomé
Só pra ver as correntinas e pra bailar um chamamé

Se chegar ao salto grande me despeço deste mundo,
Rezo a deus e a são miguel e solto a balsa lá no fundo
Quem se escapa deste golpe, chega salvo na argentina
Só duvido que se escape do olhar das correntinas

Noel Guarany - Romance do pala velho

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 0 comentários »

Em memória dos dez anos da morte de um dos maiores poetas e intérpretes gaúchos, Noel Guarany, faremos uma série de postagens com suas músicas:

Uma vez fui na cidade,
na maldita perdição,
lá perdi meu pala velho,
que me doeu no coração.
Quando voltei da cidade,
vinha com dor na cabeça,
cheguei fazendo promessa:
Deus permita que apareça.

Encontrei xirú do posto e
não deixei de maliciar
que ele achou meu pala velho e
não queria me entregar.
Fui dar parte ao comissário,
ficou pra segunda-feira
me levaram na conversa,
se foi a semana inteira.

Veja as coisas como são,
como se forma a lambança
que pelo mal dos pecados
era o forro das crianças.
Com este pala rasgado,
passava campos e rios
com este meu palinha velho
não temo chuva nem frio.

Foi forro para as carpetas
e em carreiras perigosas
"inté" serviu de agasalho
pra muita prenda mimosa.
"Inté" nas noites gaudérias
meu pala soltito ao vento
ia abanando pachola
pras luzes do firmamento.

Informem nas vizinhanças
este triste sucedido
quem tiver meu pala velho
que prendam este bandido.
Neste mundo todos morrem,
da morte ninguém atalha
me entreguem meu pala velho
para mim levar de mortalha

Dez anos da morte de Noel Guarany

Postado por Mauro dos Reis | sexta-feira, outubro 03, 2008 | | 0 comentários »

"Neste dia 06 de outubro fazem 10 anos que Noel Borges do Canto Fabrício e Silva, o Noel Guarany, deixou o Rio Grande de luto. Nascido em 26 de dezembro de 1941, na adolescência aprendeu de forma autodidata a compor, tocar e cantar o idioma guarani que levou para seus discos, procurando preservar a canção missioneira, além dos temas guaranis, as milongas e chamarras, resgatando as origens missioneiras e indígenas, o que enriqueceu sua trajetória.

Aos 16 anos busca no violão uma forma de transmitir sua sensibilidade musical, aos 19 anos já viajava pelos países do prata, pesquisando a cultura do folclore guarani, pois era descendente destes e de onde buscou seu nome artístico e colheu os diversos ensinamentos que utilizou como subsídio para as músicas que criou.

Em Bossoroca, sua terra natal e onde está enterrado, todos os anos se reúnem amigos, parentes e músicos para homenagear aquele que foi reconhecido internacionalmente por resgatar e recolher tantos temas ligados ao fiel e autêntico sentimento de gauchismo, que expressava em seus versos:

"Uma simbiose terrunha,
que não percebem os tolos,
consolida este meu canto,
e é um dos meus consolos.
Defendendo a amada terra,
o patrimônio cultural.
Ninguém me leva por diante,
nem prostitui meu ideal.
Cada milonga que eu canto,
é um Hino Nacional. "

Foi jornalista e radialista, além de poeta e cantor. Em 1970 compôs e gravou com Cenair Maicá seu primeiro LP e após vários discos solos, em 1976 lança com Jayme Caetano Braun o disco Payador, Pampa e Guitarra, em 1978 recebe a autorização da família de Aureliano de Figueiredo Pinto para musicar e gravar as letras de um dos maiores poetas precursores da autenticidade gaúcha transformada em verso, o que mostra mais uma vez sua vontade de resgatar as virtudes, os valores e a autenticidade como cantor e como gente segundo Barbosa Lessa.

Em 6 de outubro de 1998, morre na Casa de Saúde de Santa Maria, tendo sido enterrado em sua terra natal, Bossoroca. Por todo seu trabalho e um legado de extrema grandeza e importância em prol e na formação da cultura gaúcha, não podemos deixar passar esta data sem reverenciar um dos que com afinco, resgatou, preservou e difundiu a autêntica musicalidade gaúcha e sul americana. "

Pesquisa : Hilton luiz Araldi

Dia do Cavalo

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, setembro 12, 2008 | , | 0 comentários »

"Neste 14 de setembro comemora-se o Dia do Cavalo. A Lei, de número11.973, sancionada pelo governador do Estado Germano Rigotto, em 23 desetembro de 2003, institui o "Dia do Cavalo" no Estado do Rio Grande do Sul.

A data deve ser comemorada anualmente junto com a Semana Farroupilha, passando a fazer parte do calendário de eventos culturais do Estado, sobre responsabilidade do Poder Executivo e órgãos voltados à promoção da cultura Riograndense.

Esse magnífico animal, o qual não se sabe precisamente quando chegou ao Rio Grande, é parte do espírito do povo rio-grandense, sem ele o gaúcho por certo nem existiria. Este animal acompanha o gaúcho na construção desse estado.

O cavalo foi em muitas batalhas o tanque de guerra, e em todas elas foi peça fundamental para conquistas de novos territórios. Para o autor da proposta de lei, dep. Osmar Severo "estainiciativa valorizará as tradições e os costumes do povo rio-grandense, buscando homenagear e reconhecer o trabalho do animal que acompanhou o gaúcho na construção deste Estado".

O cavalo é fiel amigo do homem campeiro, ajudando-lhe na lida com o gado, no transporte além de ser o "animal do rodeio", participando de diversas provas. E nessa área dos esportes o cavalo tem muita importância também fora dos nossos pagos. É utilizado nas caçadas, no pólo, nas corridas de cavalo e concursos de salto.

É o único animal que participa junto com o cavaleiro de uma prova nas olimpíadas, onde a égua Baloubet du Rouet trouxe de Atenas, junto com o cavaleiro Rodrigo Pessoa, uma medalha de prata, além do Enduro Eqüestre, esporte familiar muito difundido no Rio Grande do Sul.

Em Passo Fundo existe um pelotão hípico que além de ser uma forma prática de deslocamento em determinadas circunstancias, impõe o devido respeito quando necessário. Foi de cima de um cavalo que D. Pedro I proclamou nossa independência.
Os cavalos além auxiliam-nos no policiamento, e também na equoterapia, onde os animais auxiliam na recuperação de pessoas traumatizadas e no trabalho com Portadores de Necessidades Especiais. Uma boa quantia desses animais atua junto aos papeleiros como puxadores de carroças, ajudando-os a limpar a cidade que sujamos."

Autor: Hilton Luiz Araldi


Segue abaixo a cópia da lei que institui "Dia do Cavalo":

LEI Nº 11.973, DE 23 DE SETEMBRO DE 2003.
Institui o "Dia do Cavalo" no Estado do Rio Grande do Sul.
O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.


Faço saber, em cumprimento ao disposto no artigo 82, inciso IV, daConstituição do Estado, que a Assembléia Legislativa aprovou e eusanciono e promulgo a Lei seguinte:

Art. 1º - Fica instituído o "Dia do Cavalo", que será comemoradoanualmente no dia 14 de setembro.

Art. 2º - Caberá ao Poder Executivo, bem como aos órgãos voltados àpromoção da cultura rio-grandense, a elaboração da programação a serdesenvolvida por ocasião das comemorações do "Dia do Cavalo", emconjunto com a Semana Farroupilha.

Parágrafo único - Para a elaboração do programa e ações referidas nocaput, serão ouvidas e convidadas a participar as associaçõesvinculadas ao tema, bem como os centros de culto à tradição gauchesca.

Art. 3º - O "Dia do Cavalo", deverá fazer parte do calendário deeventos culturais do Estado do Rio Grande do Sul.

Art. 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º - Revoga-se as disposições em contrário.

PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 23 de setembro de 2003.

BAGUAL

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, setembro 10, 2008 | , | 0 comentários »

1. Cavalo arisco, selvagem.

2. Fig. Pessoa grosseira, pouco sociável, rude.

Foto de: Eduardo Amorim

GUACHO

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, setembro 10, 2008 | , | 0 comentários »

Que significa "órfão", expressão usada nas lidas campestres do sul do Brasil , bem como no Uruguai e Argentina que define um animal desmamado precocemente, geralmente pela morte da mãe. Este animal é então alimentado por mamadeira a exemplo de uma criança, até desenvolver-se.

A foto abaixo exemplifica o termo guacho:

Semana Farroupilha - Canção Tema 2008

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, setembro 09, 2008 | , , | 0 comentários »


Não sei se todos irão concordar comigo, porém, tenho que admitir que não sabia da existência de um tema para a Semana Farroupilha e muito menos que ela tinha uma canção tema!

Mas, o importante é aprender! Ainda mais se o assunto for a cultura, uma vez que esta permanece em constante evolução, e no caso da Cultura Gaúcha, se fortalece com o passar dos anos.

Bem, o fato é que a Semana Farroupilha tem sim uma temática e uma canção especialmente composta para esta festividade, a qual versa sobre o assunto escolhido para o ano.

A Semana Farroupilha de 2008 tem como tema: Nossos símbolos: nosso orgulho!

Repare como, na canção abaixo, são mencionados os símbolos do Rio Grande do Sul:


Orgulho de um Povo



Eu sinto orgulho desse sotaque sulino...
De um povo que canta o Hino
Com respeito e devoção!
Dessa Bandeira, amado pano sagrado...
do mapa do nosso Estado
Em forma de coração!

Eu tenho orgulho das nossas rodas de Mate
E na paz que se reparte
Nesse gesto de oferenda!
Da cor alegre de um Brinco-de-Princesa,
Flor que enfeita com beleza
As tranças das nossas prendas!

(refrão)
Eu sinto orgulho
Do entono dos centauros
No trono dos seus Cavalos,
Preservando Tradições!
Eu tenho orgulho
Dessa Alma Farroupilha,
Chama Crioula que brilha
No sacrário dos Galpões!

Eu sinto orgulho desse meu sangue Farrapo...
Brasão de Armas dos guapos,
Que nos trás tanta emoção!
Dessa heróica bravura dos Quero-queros,
Feito caudilhos austeros
Defendendo nosso chão!
Eu tenho orgulho dum churrasquito nas brasas...
Cordeona pedindo vasa
E a gauchada contente!
Eu sinto orgulho dessa fé que se revela
Num simples chá de Macela
Curando os males da gente!

(refrão)
Eu sinto orgulho
Do entono dos centauros
No trono dos seus Cavalos,
Preservando Tradições!
Eu tenho orgulho
Dessa Alma Farroupilha,
Chama Crioula que brilha
No sacrário dos Galpões!

Autores: Duca Duarte e Silvio Ayone.
Intérprete: Cristiano Quevedo

Em nossas pesquisas sobre a Semana Farroupilha descobrimos uma porção de coisas interessantes e que nem todos conhecem. A partir desta postagem, nós estaremos dividindo estas informações com os leitores do Blog Gaudérios.

Semana Farroupilha - TEMA 2008

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, setembro 09, 2008 | , | 0 comentários »

"As sociedades organizadas adotam uma série de símbolos representativos que, de uma forma ou de outra, representam aspectos importantes da história, do folclore, das crenças, dos valores e do imaginário do povo que as constituem. No Rio Grande do Sul não é diferente, aliás, talvez seja, entre os Estados Brasileiros, aquele em que os aspectos simbólicos sejam mais fortes e estejam mais presentes no imaginário das pessoas.

Com o objetivo de destacar, valorizar e tornar mais conhecidos os símbolos oficiais ou não, a Comissão Estadual da Semana Farroupilha decidiu adotar, como temário dos festejos farroupilhas de 2008, exatamente esta simbologia.

Os símbolos oficiais, definidos por legislação especifica, temos a Bandeira, o Hino e as Armas (Lei 5.213/66), a planta Erva-mate (Lei 7.439/80), a ave Quero-quero (Lei 7.418/80), a flor Brinco-de-princesa (Decreto 38.400/98), o Cavalo Crioulo (Lei 11.826/02), a planta medicinal Macela (Lei 11.858/02), a bebida Chimarrão (Lei 11.929/03) e o prato típico Churrasco (Lei 11.929/03).

Além dos símbolos considerados oficiais, posto que definidos em lei, a sociedade gaúcha possui outros símbolos importantes, tias como: A Chama Crioula (desde 1947) e o Galpão de Estância (simbolismo do Rio Grande primitivo). De outra forma, encontramos símbolos representativos de um município ou de uma região, como o monumento ao laçador em Porto Alegre, o monumento ao imigrante em Caxias do Sul ou as bromélias de Gravataí.

Em cumprimento à função didática e aculturadora dos festejos farroupilhas de 2008, recomenda-se que nas escolas, nos centros de tradições gaúchas, nas sociedades literárias regionais e em todos os lugares e em todas as oportunidades possíveis, sejam estudados os nossos símbolos, compreendendo-os, valorizando-os e os preservando como uma das formas importantes de valorização da cultura regional típica, de aumento da auto-estima e demonstração publica do quanto nos orgulhamos das nossas coisas.

Nos desfiles temáticos realizados no encerramento dos festejos, recomenda-se destacar os símbolos oficiais, em primeiro lugar, e os símbolos não oficiais e locais como forma de caracterizar a região ou o município onde eles ocorrem."

Manoelito Carlos Savaris
Presidente do IGTF - Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore
Fonte: www.semanafarroupilha.com.br

20 de Setembro e Semana Farroupilha

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, setembro 09, 2008 | , , , | 0 comentários »

Neste mês entramos no período que está sem dúvidas entre os mais significativos para a Cultura Gaúcha. Trata-se do mês de Setembro.

Isso acontece por motivos históricos, visto que há muitos anos, no dia 20 de Setembro de 1835, ocorreu a tomada de Porto Alegre a qual foi marco do início de uma revolta que duraria 10 anos, a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos.

Como surge a Semana Farroupilha?

Na década de 40 foi criada a Ronda Gaúcha que mais tarde, no dia 11 de dezembro de 1964, através da Lei 4.850, a Assembléia Estadual oficializou a Ronda Gaúcha, com o nome de Semana Farroupilha, uma semana especial, para reverenciar a cultura e relembrar os fatos históricos que fizeram do Rio Grande do Sul, o que hoje ele é.

O período de comemoração passou a ser de uma semana, do dia 14 à 20 de setembro. Em 1996, através de lei federal, o dia 20 de setembro foi oficializado o Dia do Gaúcho ou Dia da Liberdade, no qual são homenageados os heróis da Revolução Farroupilha.

Passado algum tempo, a partir do ano 1995, o dia 20 de setembro é definido pela Constituição Estadual com a data magna do Estado, passando a ser feriado.

Observe como o Hino Riograndense refere-se aos fatos históricos e aos valores do povo gaúcho:

Como a aurora precursora
do farol da divindade,
foi o Vinte de Setembro
o precursor da liberdade.

Estribilho:

Mostremos valor, constância,
nesta ímpia e injusta guerra,
sirvam nossas façanhas
de modelo a toda terra.


Mas não basta pra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo,
povo que não tem virtude
acaba por ser escravo.

Letra: Francisco Pinto da Fontoura
Música: Comendador Maestro Joaquim José de Mendanha
Harmonização: Antônio Corte Real

Mais sobre o Payador: Jayme Caetano Braun

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 29, 2008 | , , , | 0 comentários »

A foto mostra Jayme (como goleiro, segurando a bola nas mãos) no jogo do Colégio Nossa Senhora da Conceição em Passo Fundo - RS, onde estudou.

"Jayme nasceu em São Luiz Gonzaga mas, naquele momento, tremeram os alicerces dos quatro pontos cardeais do Rio Grande, porque nascia o grande e inimitável payador desta terra, que terá o calendário mudado para antes e depois de Jayme Caetano Braun."

"Jayme Caetano Braun é, hoje, um nome repetido em todos os quadrantes do Rio Grande...

Seus livros nada mais são do que instantâneos de algumas notas que o auto conservou. O mais perdeu-se e se perderá nas noites de galpão, nas reuniões sociais e nos encontros de payadores onde Jayme, de improviso, emocionado e de olhar penetrante, solta ao sabor de uma milonga o rosário de ouro das suas mais profundas composições. Ele é um repentista soberbo encarnando, nos momentos de exaltação, o panorama inteiro do Rio Grande.

Na pasmosa transfiguração do espírito revive nele, nestes momentos, o índio inculto, nas oferendas tribais, no soturno socalcar de couros estirados sobre troncos ocos, linguagem grave de evocações lendárias do selvagem galpão.

Revive o homem de chiripá e botas de garrão de touro, na inimitável expressão dos dias da conquista, onde se viviam momentos de couro cru e a lei era a faca, nas distâncias infinitas do pampa, quando os monarcas da amplidão transpunham distâncias ao ritmo de quatro-patas e, ao evoaçar de crinas de baguais recém-domados.

É o peão de estância, no seu linguajar grosseiro e pitoresco, a reviver pealos porteira afora e a decompor expressões desconhecidas da gramática, porque se geraram nos atropelos de campereadas, que não se repetem, sovando rédeas e pelegos.

Na misteriosa transubstanciação das rimas, abstrai o seu tipo físico e veste a expressão de domadores e vaqueanos, ao trote de garanhões poderosos, destilando ao compasso de patas a rima bárbara de horizontes chucros. Os que ouvem estranham-se de um Rio Grande com pasto, percebendo a bulha de tiradores e o tinido ancestral das esporas de ferro, riscando ilhargas de baguais. Afundam pelos descampados bravios do Continente de São Pedro, em caravoltas da História, remontando às jornadas da Colônia do Sacramento, onde se forjaram os gaúchos de três pátrias. Penetram os momentos das arriadas nas vaquerias do mar, no comércio bruto de couro e sebo, ao zunir de boleadeiras e laços e no rechinar de arreios, quando o homem se impunha às leis bárbaras de uma natureza crua, entre tropéis e manadas...

Depois, na transposição maravilhosa da inteligência, ele nos repõe nos nossos dias, frente ao fogo de um galpão evocativo, embebidos da visionária e impressionante retrospecção do passado, para nos sentirmos mais rio-grandenses e compreendermos que, somente a um homem a cavalo, poderia ser atribuída a tarefa de vigiar como sentinela este imenso Brasil.

Jayme nasceu em São Luiz Gonzaga mas, naquele momento, tremeram os alicerces dos quatro pontos cardeais do Rio Grande, porque nascia o grande e inimitável payador desta terra, que terá o calendário mudado para antes e depois de Jayme Braun."

1969, Porto Alegre

Texto de: Balbino Marques da Rocha
Prefácio do livro: Potreiro de Guachos, de Jayme Caetano Braun.

***

O PAYADOR EM 17 DATAS

Jayme Caetano Braun deixa uma extensa obra em livros e discos:

1924 – (30 de janeiro) Jayme Caetano Braun nasce em Timbaúva, antigo 3º Distrito de São Luiz Gonzaga, hoje município de Bossoroca. O pai era filho de imigrantes alemães e a mãe, uma chirua bugra.

1940 - Muda-se com o pai João Aloysio e família para Passo Fundo, escreve seus primeiros versos. Nasce artisticamente. Responde questões de história e geografia em versos, estudante que foi do Colégio Conceição. 1942 - Presta o serviço militar em Passo Fundo

1943 – Começa a publicar poemas no jornal A Notícia, de São Luiz Gonzaga.

1945 – Começa a atuar na política, participando em palanques de comício como payador. O poema O Petiço de São Borja, publicado em revistas e jornais do país, fala de Getúlio Vargas. Participa da campanha de Ruy Ramos, com o poema O Mouro do Alegrete, como era conhecido. Nos anos seguintes, participa das campanhas de Leonel Brizola, João Goulart e Egidio Michaelsen.

1948 – Dirige o programa radiofônico Galpão de Estância, em São Luiz Gonzaga.

1954 – Publica Galpão da Estância, o primeiro livro.

1958 – Sai a primeira edição da coletânea De Fogão em Fogão. 1962 - Se lança candidato a Deputado Estadual e sua votação permite que fique suplente, porém nunca atuou como parlamentar.

1965 – Lança o livro Potreiro de Guaxos.

1966 – Publica três livros: Bota de Garrão, Brasil Grande do Sul e Passagens Perdidas.

1973 – Participa do programa semanal Brasil Grande do Sul, na Rádio Guaíba, com produção de Flávio Alcaraz Gomes. O programa ficou no ar por 15 anos.

1990 – Lança o livro Payador e Troveiro.

1993 – Lança o disco Paisagens Perdidas, com sucessos como Mangueira de Pedra, Tio Anastácio, Cordeiro Guacho e Payada da Primavera.

1993 – Sai o disco Poemas Gaúchos, com sucessos como Payada da Saudade, Piazedo, Remorsos de Castrador, Cemitério de Campanha e Galo de Rinha.

1996 – Publica a antologia poética 50 Anos de Poesia.

1999 – (8/Julho) Jayme Caetano Braun morre em Porto Alegre.

Jayme Caetano Braun,
Filho de São Luiz Gonzaga,
No terceio duma adaga,
Nunca se enliou nas esporas.
O payador das auroras,
O campeador gauchesco,
Abriu coivara payando,
Alçou um vôo acenando
Com a aba do chapéu,
Sabendo que, lá no céu,
Existem alguém esperando.

Quem sabe o Ciro Gavião,
Quem sabe Aureliano Pinto,
Quem sabe o negro retinto,
Que se chamava Anastácio,
Quem sabe até don Pascácio,
Andejo dos corredores,
Guasqueiros, alambradores,
Ginetes da cepa antiga
Vão esperar com cantiga
O maior dos payadores.

Deixou tropilhas de rimas,
Retouçando nos galpóes,
As futuras gerações
Seguirão teu catecismo,
Honrarão teu gauchismo
Que jamais será disperso.
Pois quem deixou universo
De payadas igual às tuas
Volta nas noites de lua
Para enfrenar mais um verso.

por Telmo de Lima Freitas


Pesquisa de: Hilton Luiz Araldi

Oração das Cavalgadas

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 29, 2008 | , | 0 comentários »

Iberê Moro Machado

Patrão Grande das alturas,
Dono da estância do céu
Humilde, eu tiro o chapéu
Pra rezar em reverência
E rogar Tua tenência
sobre homens e cavalos.
Que, no fim somos iguais
Nesta Tua criatura,
Gota d'água nas lonjuras
Das coxilhas siderais.
Obrigado, de antemão,
Pela força no repecho
Seja de grama ou de areia.
Protege-nos das peleias
Nos dá acostamento.
Livra o perigo a contento
E faz com que passe reto.
Que o chapéu seja um bom teto
E, o poncho, meio sustento.
Aos companheiros do apoio,
Estende a Tua bênção.
Aponta com Tua mão
O nosso melhor caminho.
Que uma sanga e um matinho
Nunca nos falte por diante.
Seja o ô-de-casa o bastante
Pra conseguirmos o pouso
Que nos garanta o repouso
Do qual precisa o viajante.
No mais, pedimos saúde
Que ela nunca é demais
Para homens e animais
Vencerem esta jornada.
E que esta cavalgada
De xirús simples, sem luxo,
Perpetue o debucho deste povo cavaleiro
Que mostra pro mundo inteiro
Que GAÚCHO é sempre GAÚCHO.
Amém.

OS GURIS CONDUZEM A CHAMA

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 29, 2008 | , | 0 comentários »

Ai está mais uma prova de que se aprende mais pelo exemplo do que pelo discurso. Acompanhe o relato da Cavalgada que conduz a Chama Crioula e que no dia 22/08/2008 teve a bonita participação, na tarefa de carregar bandeiras e a chama, dos 4 piás que integram o grupo:



"Nos tempos de antigamente nas estâncias, os guris faziam os serviços leves, como ajudar as cozinheiras, tratar os pintos, dar água para os animais ou como mandalete para um chasque, entre outros.

Hoje nas cidades, induzidos pelos pais que também tem amor pelos cavalos, são os filhos que dão continuidade aos hábitos herdados dos antepassados. Nos Cavaleiros do Planalto Médio não é diferente.

Quatro piás que acompanham a cavalgada da Chama Crioula são os responsáveis pela condução da mesma e das bandeiras. Eles tem entre 12 e 15 anos, e acompanhados dos pais, recebem do Geolar, coordenador de cavalaria a orientação correta de como se portar, dos demais membros, principalmente do seu Juca, que também os tratam como filhos, ensinamento e educação, mas nada de moleza.

Cada um trata seu pingo, cada um se vira com as encilhas e os forros de cama e a exigência que o grupo tem com eles é a mesma que em relação aos demais. Ou seja, nada de previlégios.

E hoje (dia 22/08/08), no rodízio natural que há entre os cavaleiros de conduzir a chama e as bandeiras, foi o dia dos piás do grupo : Eduardo, Guilherme, Antonio e Bruno.

O dia começou diferente para eles, com mais agito. Afinal conduzir a chama, que tanto simboliza para o gaúcho é motivo redobrado para estar na cavalgada. A pilcha a preceito, o lenço no pescoço e o chapéu, a capa de chuva para o causo de uma garoa, tudo de acordo para que não tenham mais paradas que as já programadas e para que a cavalgada transcorra normalmente. A responsabilidade de manter a chama e os pavilhões na formação correta, a ritmo dos passos dos pingos para que se cumpra o horário fazem deles nesta hora, verdadeiros homens.

É assim que, nesta escola informal, os que hoje são guris, com a formação que adquirem nesta e em outras empreitadas o sentido de camaradagem, de responsabilidade e civismo acima de tudo se formam os cidadãos de amanhã e os que darão continuidade natural ao trabalho dos Cavaleiros do Planalto Médio.

Terminam o dia cansados, mas com o sentimento do dever cumprido e história para contar em casa e para os amigos.

Domingo as 11 horas, os Cavaleiros do Planalto Médio chegam com a chama no Parque de Rodeios da Roselêndia onde serão recebidos por autoridades, amigos e tradicionalistas. Dali, uma centelha será conduzida até a Brigada Militar e outra ficará na sede do grupo para que os representantes das outras cidades que compõem a Sétima Região Tradicionalista venham tambem buscar uma centelha para as cerimonias de 20 de setembro."

Grupo Cultural e Tradicionalista Cavaleiros do Planalto Médio
Lema : "De Passo Fundo a cavalo pela integração do Rio Grande"

A Suprema Paz - Paulo de Freitas Mendonça

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 29, 2008 | , , | 0 comentários »

Ultimamente a violência parece ser tomada como a única alternativa diante das adversidades e as pessoas têm se tornado embrutecidas diante das consequências desta situação, passando a conviver e até mesmo julgar como "normais" as notícias trágicas que a mídia expõe.

É importante não perdermos a noção do que é certo, em um mundo de valores tão confusos.

É importante não deixarmos de ser HUMANOS.

***


Poesia em décima enviada ao Gaudérios pelo Senhor Paulo de Freitas Mendonça:


A Suprema Paz
Paulo de Freitas Mendonça


A paz é mais que um evento,
sutil em sua unidade.
Possui mais diversidade
que da terra ao firmamento.
A paz de estacionamento,
por plasmada, nada faz,
ensimesmada lhe apraz
beber do egocentrismo.
Por ser paz de egoísmo
Não é a suprema paz.

A paz de quem não agride
com falso olhar sereno,
por não judiar do pequeno
se julga grande e regride.
Pela empáfia não progride,
pois tem ganância mordaz.
Dança a vaidade fugaz
na guerra embaixo dos panos,
sendo paz de ares profanos
Não é a suprema paz.

A paz falsa que consola
pondo-lhe a mão na cabeça.
Ao contrário que pareça
produz falácia e enrola,
num discurso que controla
a inocência que ali jaz.
É uma paz incapaz
de acalmar alheia dor.
Por ser de esfera inferior,
Não é a suprema paz.

A paz trançada em tratados,
em contrato ou carta régia,
é uma paz de estratégia
com dois lados deformados.
É paz dos desesperados
que são guerreiros, aliás,
com rastros de sangue atrás,
apenas cessam as mortes
Paz de interesse dos fortes
Não é a suprema paz.

A paz por necessidade
por revanche do vencido
é algo tão sem sentido,
foge a razão da verdade.
É paz sem cumplicidade
que um passo em falso a desfaz.
Logo a guerra se refaz
em sua arte tão ágil.
Por ter fundamento frágil,
Não é a suprema paz.

Paz de interesse vulgar,
gesto de falso cortês,
salgada de insensatez
é gota doce no mar.
Mistura-se ao seu azar
e por mais que seja audaz
torna-se ineficaz
de vestir-se em cortesia.
Por ser paz de antipatia
Não é a suprema paz.

A paz de estar solito
no meio da multidão
ou de arder em solidão
em seu recinto restrito.
É paz que sufoca o grito
da realidade vivaz.
Por sonhador contumaz,
se torna um auto-recluso.
Por ser a paz de um confuso,
Não é a suprema paz.

A paz de grande festejo
só vestida de aparência
é uma paz sem consciência
de destorcido desejo.
Rolam moedas ao tejo
na extravagância voraz.
Quase ninguém é capaz
de conter farto consumo.
Por embriagar seu rumo
Não é a suprema paz.

Paz de alardes frenéticos
de falatórios inúteis
com protagonistas fúteis
e resultados patéticos,
atropela atos éticos,
mostra vistoso cartaz,
porém quem é perspicaz
pouca atenção lhe demanda,
porque a paz de propaganda
Não é a suprema paz.

Contudo, a paz de verdade
tem sopros de onipotência,
de compreensão, clemência,
fé, justiça e caridade,
de infinita bondade,
de servidor pertinaz,
de amoroso tenaz,
vendo a todos como seus.
Só a paz que vem de Deus
É sim, a suprema paz.

Alma de Bolicheiro

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , , | 0 comentários »

Composição: Jayme Caetano Braun/Leonel Gomez e João Gabriel Silveira Gomes

Video: Alma de Bolicheiro
Jayme Caetano Braun / Leonel Gomez
18ºReculuta da Canção Crioula
Guaíba RS Brasil




Acompanhe a letra de Alma de Bolicheiro:

Sou bolicho, bulperia
Venda e casa de negócio
Verdadeiro sacerdócio
Farmácia e perfumaria

Me chamam templo campeiro
Do velho pago lendário
Meu balcão conficionário
Meu sacerdote ocultpeiro

/:Fui o primeiro entreposto
Dentro do solo pampeano
Entra ano e passa ano
E eu nunca paguei imposto:/

Bolicheiro, bolicheiro, bolicheiro de campanha
Me bota um trago de canha
Pra mata meu desespero
Bolicheiro, perdi o rumo
E a memória já me falha
Me vende um maço de palha
Me vende um palmo de fumo

Bolicheiro eu nem apeio
Me dá uma vela depressa
Vou pagar uma promessa
Pro negro do pastoreio

Bolicheiro, bolicheiro
Eu vou ver a namorada
Me traz uma flor colorada
E um frasco de água de cheiro

/:Fui o primeiro entreposto
Dentro do solo pampeano
Entra ano e passa ano
E eu nunca paguei imposto:/

Bolicheiro, bolicheiro, bolicheiro de campanha
Me bota um trago de canha
Pra mata meu desespero
Bolicheiro, perdi o rumo
E a memória já me falha
Me vende um maço de palha
Me vende um palmo de fumo

Marta Suint, Jose Curvelo y Jineteadas en Fiesta Gaucha

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , | 0 comentários »

Pajada à Morte de Um Poeta - Paulo de Freitas Mendonça

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Quando morre um poeta
Ficam seus versos escritos
E muitos temas bonitos
Na poesia incompleta
Acalma-se um'alma inquieta
Na busca de inspirações
E suas belas canções
Pelo Pago estribilham
Com lágrimas que fervilham
Caídas sobre os tições

Quando morre um poeta
Muitos recitam seus versos
Outros gritam no Universo
O fim de sua cancha reta.
Dão a notícia completa
A dor e o suor da lida
Mexem na sua ferida
Contam sua desilusão
E fingem dar-lhe atenção
Que não lhe deram na vida

Quando morre um poeta
Cala uma voz criativa
Sua poesia nativa
É abortada ou se embreta.
É num vazio que se aquieta,
Pelo silêncio engolida
Morre antes de ter vida
Numa folha de papel
Como a Torre de Babel
É por Deus interrompida

Quando morre um poeta
Entre o choro, há poesia,
O coração se esvazia
De uma platéia seleta
E uma cantiga discreta
Entre soluço e saudade
Apaga a claridade
De um ser iluminado
Que por Deus foi batizado
Com poesias de verdade

Quando morre um poeta
O sonho meio se ofusca
E a realidade rebusca
Outro rumo em sua seta.
Impõe a vida concreta
Sem vazão pras ilusões,
E quer transformar canções
Em coisas imagináveis
Tenta tornar vulneráveis
As loucas inspirações.

Quando morre um poeta
Ficam órfãos seus poemas
Improdutivos seus temas
E inalcansável sua meta.
Fica uma obra incompleta
Nas gavetas reviradas,
Junto as frases rabiscados,
Imagens de um sonhador.
Fica calado um cantor
Por canções inacabadas

Quando morre um poeta
A poesia entristece,
A rima feia padece
Por ter ficado incorreta,
E a poesia indiscreta
Prefere ser esquecida
Por ter sido concebida
Num momento de euforia,
Embora seja poesia
Que jamais fora relida.

Quando morre um poeta
Há mais brilho nas estrelas
Mais calor para aquecê-las,
E as noites ficam mais quieta
Cheias de rimas secretas
De sonhos e fantasias
Transformando as poesias
Em tão garboso matiz
E o Céu se faz mais feliz
Por sorver sua energia.