Noel Guarany - Potro Sem Dono

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 0 comentários »


A sede de liberdade rebenta a soga do potro
Que parte em busca do pago e num galope dispara
Rasgando a coxilha ao meio
Mordendo o vento na cara.....

Bebe o horizonte nos olhos, empurra a terra pra trás.
Já vai bem longe a figura, mostra o caminho tenaz.
A humanidade sofrida,
Que luta em busca da paz.

Vai potro sem dono, vai livre como eu.

Se a morte lhe faz negaça,
Joga a vida com a sorte.
Desprezando a própria morte,
Não se prende a preconceito.
Nem mata a sede com farsa,
Leva o destino no peito.

Na seiva da madrugada,
Vai florescendo a canção.
Aquece o fogo de chão,
Enxuga meu pranto de ausência,
Nesta guitarra campeira,
Velho clarim da querência.

Breve resumo da vida e da obra de Noel Guarany:

1941 – Nasce em Bossoroca
1960 – Começa a percorrer países da América Latina
1968 – Apresenta um programa na Rádio São Luiz, em São Luiz Gonzaga
1970 – Lança, com Cenair Maicá, um compacto com as músicas Filosofia de Andejo e Romance do Pala Velho
1971 – Disco Legendas Missioneiras
1973 – Disco Destino Missioneiro
1975 – Participa do disco Música Popular do Sul e lança o álbum LP sem Fronteiras
1976 – Lança, na Argentina, o disco independente Payador, Pampa e Guitarra
1977 – Disco Noel Guarany Canta Aureliano Figueiredo Pinto
1979 – Disco De Pulperia
1980 – Disco Alma, Garra e Melodia
1982 – Disco Para o que Olha sem Ver
1988 – Disco A Volta do Missioneiro
1998 – Morre aos 56 anos, em Santa Maria

Noel Guarany - Na Baixada do Manduca

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 1 comentários »

Quantos fandangos já foram embalados pelas "guitarras orientales" e a "gaita correntina" da música, pra lá de gaudéria: "Na Baixada do Manduca" de Noel Guarany. Como diria o Gaudério, chega dá coceira na bota!

Na Baixada do Manduca
Noel Guarany

Lá na baixada do manduca hai rebuliço de china
Três guitarras orientales e uma gaita correntina
E um biriva Rio-grandense com toadas lisboinas

***
E dê-lhe mate pelos campos no compasso da chamarra
Entra Juca e sai manduca, dê-lhe cordeona e guitarra
E dê-lhe mate pelos campos no compasso da chamarra
Entra Juca e sai manduca, dê-lhe cordeona e guitarra
***

O chinaredo lá da estância se aprepara já faz dias
Segundo Siá Basilícia vai trazer várias famílias
Pra escutar o Dom Ortaça e o gaiteiro Malaquia
E um cantor da Bossoroca que canta com galhardia

Jaguarão Chico e Vichadero, se alvorotou a peonada,
Do caseiro ao capataz todos de bota ensebada
E o careca Saragoza nem liga pras gineteadas

A prendinha Ana Luisa filha do nosso patrão
Já encardou água de cheiro vindo de outro rincão
E um delantal colorado partido de sua opinião

Noel Guarany - Chamarrita de Galpão

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 1 comentários »

Chamarrita de Galpão, de Noel Guarany, me lembro dos meus tempos de infância, onde o CTG era uma diversão e tanto, lá aprendíamos o Pezinho, a Cana Verde, o Maçanico e a Chimarrita, além é claro das danças de salão como o Vanerão e o Chote.


Chamarrita de Galpão


Noel Guarany


A trote e a galope percorro qualquer lonjura
Com a minha vida nos tentos e a justiça na cintura

É coisa linda de ver, um índio quando se agarra
E destorce um doze braças dando pealos de cucharra
E a dirigir a festança no compasso da chamarra

O dia que eu amanheço com os pés apapagaiado
Com a bombacha arremangada e o tirador do outro lado
Milico na minha frente não passa sem ser notado

Quem será aquele louco que vai toda disparada
Respondi no pé da letra não é louco, não é nada
Aquele lá é um gaúcho que vai ver sua namorada

Sou domador de mão cheia ginetaço flor e flor
Tranço laço, ainda por cima tenho sorte para o amor
Não sou manco na guitarra, guitarreiro e cantador

Noel Guarany - Balseiros do Rio Uruguay

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 0 comentários »

Para refrescar a memória dos que conhecem ou dar, aos que ainda não tiveram este prazer, uma amostra da autêntica música e poesia gaudéria:

Balseiros do Rio Uruguay

Noel Guarany

Oba! viva! veio a enchente
O Uruguai transbordou
Vai dar serviço prá gente
Vou soltar minha balsa no rio
Vou rever maravilhas
Que ninguém descobriu

Amanhã eu vou embora pros rumo de uruguaiana
Vou levando na minha balsa cedro, angico e canjerana
Quando chegar em são borja, dou um pulo a santo tomé
Só pra ver as correntinas e pra bailar um chamamé

Se chegar ao salto grande me despeço deste mundo,
Rezo a deus e a são miguel e solto a balsa lá no fundo
Quem se escapa deste golpe, chega salvo na argentina
Só duvido que se escape do olhar das correntinas

Noel Guarany - Romance do pala velho

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 0 comentários »

Em memória dos dez anos da morte de um dos maiores poetas e intérpretes gaúchos, Noel Guarany, faremos uma série de postagens com suas músicas:

Uma vez fui na cidade,
na maldita perdição,
lá perdi meu pala velho,
que me doeu no coração.
Quando voltei da cidade,
vinha com dor na cabeça,
cheguei fazendo promessa:
Deus permita que apareça.

Encontrei xirú do posto e
não deixei de maliciar
que ele achou meu pala velho e
não queria me entregar.
Fui dar parte ao comissário,
ficou pra segunda-feira
me levaram na conversa,
se foi a semana inteira.

Veja as coisas como são,
como se forma a lambança
que pelo mal dos pecados
era o forro das crianças.
Com este pala rasgado,
passava campos e rios
com este meu palinha velho
não temo chuva nem frio.

Foi forro para as carpetas
e em carreiras perigosas
"inté" serviu de agasalho
pra muita prenda mimosa.
"Inté" nas noites gaudérias
meu pala soltito ao vento
ia abanando pachola
pras luzes do firmamento.

Informem nas vizinhanças
este triste sucedido
quem tiver meu pala velho
que prendam este bandido.
Neste mundo todos morrem,
da morte ninguém atalha
me entreguem meu pala velho
para mim levar de mortalha

Dez anos da morte de Noel Guarany

Postado por Mauro dos Reis | sexta-feira, outubro 03, 2008 | | 0 comentários »

"Neste dia 06 de outubro fazem 10 anos que Noel Borges do Canto Fabrício e Silva, o Noel Guarany, deixou o Rio Grande de luto. Nascido em 26 de dezembro de 1941, na adolescência aprendeu de forma autodidata a compor, tocar e cantar o idioma guarani que levou para seus discos, procurando preservar a canção missioneira, além dos temas guaranis, as milongas e chamarras, resgatando as origens missioneiras e indígenas, o que enriqueceu sua trajetória.

Aos 16 anos busca no violão uma forma de transmitir sua sensibilidade musical, aos 19 anos já viajava pelos países do prata, pesquisando a cultura do folclore guarani, pois era descendente destes e de onde buscou seu nome artístico e colheu os diversos ensinamentos que utilizou como subsídio para as músicas que criou.

Em Bossoroca, sua terra natal e onde está enterrado, todos os anos se reúnem amigos, parentes e músicos para homenagear aquele que foi reconhecido internacionalmente por resgatar e recolher tantos temas ligados ao fiel e autêntico sentimento de gauchismo, que expressava em seus versos:

"Uma simbiose terrunha,
que não percebem os tolos,
consolida este meu canto,
e é um dos meus consolos.
Defendendo a amada terra,
o patrimônio cultural.
Ninguém me leva por diante,
nem prostitui meu ideal.
Cada milonga que eu canto,
é um Hino Nacional. "

Foi jornalista e radialista, além de poeta e cantor. Em 1970 compôs e gravou com Cenair Maicá seu primeiro LP e após vários discos solos, em 1976 lança com Jayme Caetano Braun o disco Payador, Pampa e Guitarra, em 1978 recebe a autorização da família de Aureliano de Figueiredo Pinto para musicar e gravar as letras de um dos maiores poetas precursores da autenticidade gaúcha transformada em verso, o que mostra mais uma vez sua vontade de resgatar as virtudes, os valores e a autenticidade como cantor e como gente segundo Barbosa Lessa.

Em 6 de outubro de 1998, morre na Casa de Saúde de Santa Maria, tendo sido enterrado em sua terra natal, Bossoroca. Por todo seu trabalho e um legado de extrema grandeza e importância em prol e na formação da cultura gaúcha, não podemos deixar passar esta data sem reverenciar um dos que com afinco, resgatou, preservou e difundiu a autêntica musicalidade gaúcha e sul americana. "

Pesquisa : Hilton luiz Araldi