Ditados gaúchos

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, novembro 30, 2007 | , | 2 comentários »

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Gauchada aqui tem alguns ditados gaúchos:
ACRÉSCIMO
"Aumentar mais que casa de ladrão."
"Aumentar como barriga de prenha."
ADEQUAÇÃO
"Cair bem como chuva em roça de milho."
ADERÊNCIA
"Grudado como bosta em tamanco."
"Agarrado como carrapato em culhão de touro."
ADMIRAÇÃO
"De boca aberta que nem burro que comeu urtiga."
AGILIDADE
"Mais corrido que lebrão de cusco."
AGITAÇÃO
"Virar-se mais que minhoca na cinza."
AGLOMERAÇÃO
"Quem gosta de aglomeramento é mosca em bicheira."
"Mais amontoado que uva em cacho."
AGUDEZA
"Afiado como navalha de barbeiro caprichoso."
ALHEIAMENTO
"Mais por fora que arco de barrica."
"Mais por fora que arco de barril."
"Mais por fora que quarto de empregada."
"Mais por fora que umbigo de vedete."
ALTIVEZ
"Mais alto que cavalo de oficial."
ALVOROÇO
"Causar alvoroço que nem mata-mosquito em convento."
AMARGURA
"Com cara de quem tomou chá de losna sem açúcar."
ANGÚSTIA
"Mais angustiado que barata de ponta-cabeça."
ANTIGUIDADE
"Mais velho que cagar sentado."
"Mais velho que mijar em arco."
"Mais velho que mijar pra frente."
"Mais velho que rascunho de Bíblia."
APERTO
"Apertado como queijo em cincha."
"Apertado como rato em guampa."
"Mais apertado que nó de soga em dia de chuva."
"Mais apertado que coleira de guaipeca."
"Mais apertado que chapéu novo."
APETITE
"Comer mais que remorso."
APRAZIMENTO
"Bueno como dinheiro achado."
"Bueno como faca achada."
"Bueno como namoro no começo."
ASSANHAMENTO
"Mais assanhado que lambari de sanga."
"Assanhada como solteirona em festa de casamento."


Tchê é ditado gaúcho que não acaba mais !!


ATENÇÃO
"Mais ligado que rádio de preso."
BELEZA
"Mais linda que camisola de noiva."
"Mais linda que laranja de amostra."
"Aquela prenda é mais linda que rosa em começo de primavera."
BRANCURA
"Mais branco que perna de freira."
BRILHO
"Brilhar como ouro de libra."
BURACO
"Esburacado como poncho de calavera."
"Mais por fora que cotovelo de caminhoneiro"
"Mais rebelde que cabelo de preto"
CHATICE
"Mais chato que chinelo de gordo."
"Mais chato que o irmão do 'Badanha'."
"Chato que nem gilete caída em chão de banheiro."
CIÚMES
"Mais ciumenta que mulher de tenente."
COMODIDADE
"Mais à vontade que bugio em mato de boa fruta."
COMPLEXIDADE
"Mais complicado que receita de creme Assis Brasil."
COMPRIMENTO
"Mais comprido que bombacha de gringo."
"Mais comprido que esperança de pobre."
"Mais comprido que suspiro em velório."
"Mais comprido que xingada de gago."
CONFUSÃO
"Mais enrolado que cabelo de negro."
"Mais enrolado que cristal para viagem."
"Mais enrolado que lingüiça de venda."
"Mais atrapalhado que cego em tiroteio"
CONTRARIEDADE
"Contrariado como gato a cabresto."
CORVO
"Que nem corvo em carniça de vaca atolada."
CURTEZA
"Mais curto que coice de porco."
"Mais curto que estribo de anão."
DEMORA
"Mais demorado que enterro de rico."
"Mais demorado que o mate do João Cardoso."
DESCONFIANÇA
"Mais desconfiado que cego que tem amante."
DESGRAÇA
"Pior que a filha casar com nordestino."
"Pior que cair do cavalo."
DESPREOCUPAÇÃO
"Mais folgado que colarinho de palhaço."
DISPERSÃO
"Espalhar-se como pó de mangueira em pé de vento."
"Esparramado como dedo de pé que nunca entrou em bota."
EMBARAÇO
"Mais perdido que cego em tiroteio."
"Mais perdido que cusco em tiroteio."
"Mais perdido que peido em bombacha."
"Mais perdido que surdo em bingo."
"Mais perdido que cebola em salada de fruta."
"Mais perdido que cusco que caiu do caminhão da mudança."
EMBROMAÇÃO
"Dar mais volta que bolacha em boca de velha."
ENCORDOAMENTO
"Encordoado como teta de porca."
ENFEITE
"Mais enfeitado que bombacha de biriva."
"Enfeitado como bidê de china."
"Mais floreado que guaiaca de correntino."
"Mais enfeitado que burro de cigano em festa."
ENTRAVADO
"Mais entravado que carteira em bolso de sovina."
ESCÂNDALO
"Mais escandaloso que relincho de burro chorro."
ESPERTEZA
"Esperto que nem gringo de venda."
"Que nem carro de funebreiro: só leva."
ESTICADO
"Mais esticado que cola de perdigueiro amarrando perdiz."
EXTRAVIO
"Extraviado que nem chinelo de bêbado."
FACILIDADE
"Mais fácil que fazer falar um rádio."
"Mais fácil que peidar dormindo."
"Mais fácil que tirar doce de guri."
FEDOR
"Mais fedorento que arroto de corvo."
FEIÚRA
"Mais feio que indigestão de torresmo."
"Mais feio que rodada de cusco em lançante."




FELICIDADE
"Alegre como lambari de sanga."
"Alegre que nem paisano à meia guampa."
"Contente como cusco de cozinheira."
"Mais faceiro que égua com dois potrilhos."
"Mais faceiro que filhote de ganso em taipa."
"Mais faceiro que guri de calça nova."
"Mais faceiro que pinto em cisco."
"Mais faceiro que sapo em banhado."
"Mais faceiro que tico-tico na chuva."
"Faceiro como guri de tirador novo."
"Faceiro como mosca em rolha de xarope."
"Faceiro que nem ganso novo."
FINURA
"Mais fino que assobio de papudo."
"Fino e comprido como pio de pinto."
FIRMEZA
"Firme como palanque em banhado."
FORÇA
"Mais forte que sapato de padre."
FROUXIDÃO
"Mais frouxo que calça de palhaço."
"Frouxo como peido em bombacha."
FÚRIA
"Furioso como gato embretado em cano de bota."
GRITARIA
"Gritar mais que cabrito embarcado."
"Ganiçar como cusco que levou água fervendo pelo lombo."
"Como tosa de porco: muito grito e pouca lã."
GROSSURA
"Mais grosso que cintura de sapo."
"Mais grosso que dedo destruncado."
"Mais grosso que mamona de tapera."
"Mais grosso que parafuso de patrola."
"Grosso como palanque de banhado."
"Grosso como rolha pra poço."
IMOBILIDADE
"Parado como água de poço."
IMUNDÍCIE
"Encardido como pelea de caudilho."
"Mais sujo que pau de galinheiro."
INCONSTÂNCIA
"Que nem vara verde, pende para o lado que está o vento."
INDIGÊNCIA MATERIAL
"Esfarrapado que nem poncho de gaudério."
INFERIORIDADE
"Mais por baixo que umbigo de cobra."
INQUIETUDE
"Inquieto como um galho de sarandi tocado pelo vento."
INTROMISSÃO
"Mais metido que dedo em nariz de piá."
"Mais metido que piolho em costura."
INUTILIDADE
"Mais inútil que buzina em avião."
"Mais inútil que mijar em incêndio."
JATO
"Jorrar longe como mijada de colhudo."
JUDIARIA
"Judiado como filhote de passarinho em mão de piá."
"Mais feio que tombo de porco em lajota molhada"
LAMACEIRA
"Está como o banhado quando o graxaim passa a trote."
LENTIDÃO
"Devagar como enterro de a pé."
LOUCURA
"Louco como galinha agarrada pelo rabo."
"Louco de sestiar nos trilho."
MAGREZA
"Mais magro que guri com solitária."
MALDADE
"Maldoso como petiço de guri."

Mais magra que uma bicicleta;

Mais por fora que joelho de escoteiro;

Mais duro que consciência de bolicheiro;

Mais feio que peidá na igreja;

E não tem jeito de acabar, ai vai mais uns ditados bem galdérios!!

MOVIMENTO

"Rebolear as ancas como avestruz repontada."
NERVOSISMO
"Mais nervoso que anão em comício."
"Mais nervoso que gato em dia de faxina."
OBESIDADE
"Gordo e lustroso como gato de bolicheiro."
"Mais pesado que pastel de batata."
PEIDO
"Peidar como metralhadora de piquete em entrevero de revolução."
PELEA
"Pelear como quem dança em surungo de china."
PERFUME
"Mais perfumado que mão de barbeiro."
PERIGO
"Mais perigoso que briga de foice apartada por gadanha."
POPULARIDADE
"Mais conhecido que parteira de campanha."
"Mais conhecido que a reza do padre-nosso."
"Mais conhecido que andar pra frente."
"Mais conhecido que marca de estância grande."
PRAZER
"Mais gostoso que beijo de prima."
PREGUIÇA
"Mais atirado pra trás que pica-pau em tronqueira."
"Atirado como rebenque velho."
"Mais largado que alpargata de negro em cancha de bocha."
PRESSA
"Mais apressado que cavalo de carteiro."
PRÉSTIMO
"Mais prestimosa que mãe de noiva."
"Dá mais que pereba em moleque."
QUIETUDE
"Mais quieto que guri cagado."
RABUGICE
"Cara amarrada como pacote de despacho."
RAPIDEZ
"Mais ligeiro que enterro de pobre."
"Mais ligeiro que tainha de açude."
"Mais ligeiro que correntino roubando."
RECEIO
"Mais medroso que velha em canoa."
"Mais medroso que cascudo atravessando galinheiro."
REPUGNÂNCIA
"Mais nojento que mocotó de ontem."
"Mais abostado que riquinho querendo ser gaudério."
SERIEDADE
"Mais sério que cusco em chalana."
"Mais sério que defunto."
"Mais sério que guri mijado."
"Mais fechado que baú de solteirona."
SOFRIMENTO
"Sofrer mais que mãe de ouriço."
"Sofrer como joelho de freira na Semana Santa."
SOLIDÃO
"Solito como galinha em gaiola de engorde."
SONO
"Dormir atirado que nem lagarto."
"Dormir que nem sapo morto estirado nos arreios."
TIMIDEZ
"Mais encolhido que tripa grossa na brasa."
TRANQÜILIDADE
"Mais tranqüilo que água de poço esperando o laçaço do balde."
"Tranqüilo como cozinheiro de hospício."
"Tranqüilo e sereno que nem baile de moreno."
"Tranqüilo que nem tartaruga de poço."
"Mansinho como gato de viúva."
"Que nem tartaruga de poço, só esperando o golpe do balde."
TRISTEZA
"Mais triste que último dia de rodeio."
"Triste como burro atolado."
USO
"Mais usado que pronome oblíquo em conversa de professor."
"É... Deus dá ferradura pra potro que não sabe correr."
VERMELHO
"Mais vermelho que pescoço de galo coió."
VISCOSIDADE
"Mais engraxado que telefone de açougueiro."
"Gosmento como cuspida de bêbado."
VIVO
"Vivo como cavalo de contrabandista."
Fonte: www.pampasonline.com.br

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VOCABULÁRIO GAUDÉRIO

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, novembro 29, 2007 | , | 0 comentários »

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a cabresto expr. Conduzido pelo cabresto. Submetido.

à meia guampa expr. Meio embriagado, levemente ébrio.

abichornado adj. Aborrecido, triste, desanimado.

anca s. Quarto traseiro dos quadrúpedes. Garupa do cavalo. O traseiro do vacum.

arreios s. Conjunto de peças com que se arreia um cavalo para montar.

bagual 1. Cavalo arisco, selvagem. 2. Fig. Pessoa grosseira, pouco sociável, rude.

bicheira s. Ferida nos animais, contendo vermes depositados pelas moscas varejeiras. Para sua cura, além de medicação, são largamente utilizadas as simpatias e benzeduras.

bidê s. Mesinha de cabeceira. (Aportuguesado do francês bidet).

biriva s. Nome dado aos habitantes de Cima da Serra, descendentes de bandeirantes, ou aos tropeiros paulistas, os quais geralmente andavam em mulas e tinham um sotaque especial diferente do da fronteira ou da região baixa do Estado. Var.: beriva, beriba, biriba.

bolicheiro s. Dono de bolicho.

bolicho s. Casa de negócio de pequeno sortimento e de pouca importância. Bodega. Taberninha.

bugio s. Pelego curtido e pintado, em geral forrado de pano.

cachaço s. Porco não castrado, barrasco, varrão.

calavera s. Indivíduo velhaco, caloteiro, caborteiro, vagabundo, tonto, tratante.

carreira s. Corrida de cavalos, em cancha reta. Quando participam da carreira mais de dois parelheiros, esta toma o nome de penca ou califórnia.

caudilho s. Chefe militar. Manda-chuva.

chalana s. Lanchão chato.

chasque significa mensageiro, pessoa de confiança que leva recado ou mensagem, a pé ou a cavalo, vencendo todas as dificuldades para cumprir a missão que lhe foi delegada. A palavra é de origem quíchua, e no Império Inca, o chasqui percorria grandes distâncias a pé, pois não havia cavalos no continente antes da descoberta da América. Na região do pampa, CHASQUE denomina o cavaleiro que levava mensagem ou correspondência de um lugar a outro. Há registro de uso da palavra já em 1680, em correspondência entre as Missões Jesuíticas.

china s. Descendente ou mulher de índio, ou pessoa do sexo feminino que apresenta alguns dos característicos étnicos das mulheres indígenas. Cabocla, mulher morena. Mulher de vida fácil. (Parece provir do quíchua, xina, que significa aia).

chineiro s. Grande número de chinas, índias ou caboclas.

chorro s. Jorro.

cincha s. Peça dos arreios que serve para firmar o lombilho ou o serigote sobre o lombo do animal.

colhudo adj. e s. Cavalo inteiro, não castrado. Pastor. Figuradamente, diz-se do sujeito valente, que enfrenta o perigo, que agüenta o repuxo.

corredor s. Estrada que atravessa campos de criação, deles separada por cercas em ambos os lados. Há, entre as cercas, regular extensão de terra, onde, por vezes, se arrancham os que não têm onde morar.

cuiudo adj. e s. O mesmo que colhudo.

cusco s. Cão pequeno, cão fraldeiro, cão de raça ordinária. O mesmo que guaipeca.

embretado p. p. Encerrado no brete. Metido em apertos, em apuros, em dificuldades; enrascado, emaranhado.

entrevero s. Mistura, desordem, confusão, de pessoas, animais ou objetos. Recontro em que as tropas combatentes, no ardor da luta, se misturam em desordem, brigando individualmente, corpo a corpo, sem mais obedecer a comando, usando predominantemente a arma branca.

estribo s. Peça presa ao loro, de cada lado da sela, e na qual o cavaleiro firma o pé.

ganiçar v. Ganir.

gaudério s. e adj. Pessoa que não tem ocupação séria e vive à custa dos outros, andando de casa em casa. Parasita, amigo de viver à custa alheia.

graxaim s. Guaraxaim, sorro, zorro. Pequeno animal semelhante ao cão, que gosta de roer cordas, principalmente de couro cru e engraxadas ou ensebadas, e de comer aves domésticas. Sai, geralmente, à noite. É muito comum em toda a campanha.

gringo s. Denominação dada ao estrangeiro em geral, com exceção do português e do hispano-americano.

guacho Que significa "órfão", expressão usada nas lidas campestres do sul do Brasil , bem como no Uruguai e Argentina que define um animal desmamado precocemente, geralmente pela morte da mãe. Este animal é então alimentado por mamadeira a exemplo de uma criança, até desenvolver-se.

guaiaca s. Cinto largo de couro macio, às vezes de couro de lontra ou de camurça, ordinariamente enfeitado com bordados ou com moedas de prata ou de ouro, que serve para o porte de armas e para guardar dinheiro e pequenos objetos.

guaipeca s. Cão pequeno, cusco, cachorrinho de pernas tortas, cãozinho ordinário, vira-lata, sem raça definida. Adj. Pequeno, de minguada estatura. Aplica-se, também, às pessoas, com sentido depreciativo.

guasqueaço s. Pancada, golpe dado com guasca. Relhaço, relhada, chicotada, chibatada, correada, açoite.

guri s. Criança, menino, piazinho, serviçal para trabalhos leves nas estâncias.

joão-grande s. Pessoa alta.

lançante s. Descida. Forte declive num cerro ou coxilha; qualquer terreno em declive.

mamona s. e adj. Diz-se de ou a terneira de sobreano que ainda mama.

mangueira s. Grande curral construído de pedra ou de madeira, junto à casa da estância, destinado a encerrar o gado para marcação, castração, cura de bicheiras, aparte e outros trabalhos.

maturrango ou baiano o que monta mal e não sabe executar os diversos trabalhos das fazendas de gado.

paisano adj. Do mesmo país. Amigo, camarada.

palanque s. Esteio grosso e forte cravado no chão, com mais de dois metros de altura e trinta centímetros aproximadamente de diâmetro, localizado na mangueira ou curral, no qual se atam os animais, para doma, para cura de bicheiras ou outros serviços.

papudo s. e adj. Indivíduo que tem papo. Balaqueiro, jactancioso, blasonador. O termo é empregado para insultar, provocar, depreciar, menosprezar outra pessoa, embora esta não tenha papo.

pelea s. Peleja, pugilato, contenda, briga, rusga, disputa, combate, luta entre forças geligerantes.

pelear v. Brigar, lutar, combater, pelejar, teimar, disputar.

pereba s. Ferida de mau caráter, de crosta dura, que sai geralmente no lombo dos animais. Mazela, sarna, cicatriz. Aplica-se, também, às feridas que saem nas pessoas. Figuradamente, ponto fraco. Var.: Pereva. (Parece provir do tupi-guarani, perebi, mancha de sarna).

petiço s. Cavalo pequeno, curto, baixo.

piá s. Menino, guri, caboclinho.

piquete s. Pequeno potreiro, ao lado da casa, onde se põe ao pasto os animais utilizados diariamente.

poncho s. Espécie de capa de pano de lã, de forma retangular, ovalada ou redonda, com uma abertura no centro, por onde se enfia a cabeça. É feito geralmente de pano azul, com forro de baeta vermelha. É o agasalho tradicional do gaúcho do campo. Na cama de pelegos, serve de coberta. A cavalo, resguarda o cavaleiro da chuva e do frio.

potrilho s. Animal cavalar durante o período de amamentação, isto é, desde que nasce até dois anos de idade. Potranco, potreco, potranquinho.

rebenque s. Chicote curto, com o cabo retovado, com uma palma de couro na extremidade. Pequeno relho.

repontar v. Tocar o gado por diante de um lugar para outro.

sanga s. Pequeno curso d'água menor que um regato ou arroio.

sarandi s. Terra maninha.

soga s. Corda feita de couro, ou de fibra vegetal, ou, ainda, de crina de animal, utilizada para prender o cavalo à estaca ou ao pau-de-arrasto, quando é posto a pastar. Corda de couro torcido ou trançado, que liga entre si as pedras das boleadeiras. O termo é usado também em sentido figurado.

surungo s. Arrasta pé, baile de baixa classe, caroço.

taipa s. Represa de leivas, nas lavouras de arroz. Cerca de pedra, na região serrana.

talho s. Ferimento.

tapera s. Casa de campo, rancho, qualquer habitação abandonada, quase sempre em ruínas, com algumas paredes de pé e algum arvoredo velho. Adj. Diz-se da morada deserta, inabitada, triste.

tarca sf Pedaço de tábua ou sarrafo, em que se marca, por meio de pequenos cortes, o número de animais ou objetos que se pretende somar no fim da contagem.

tirador s. Espécie de avental de couro macio, ou pelego, que os laçadores usam pendente da cintura, do lado esquerdo, para proteger e o corpo do atrito do laço. Mesmo quando não está fazendo serviços em que utilize o laço, o homem da fronteira usa, freqüentemente, como parte da vestimenta, o seu tirador que, por vezes, é de luxo, enfeitado com franjas, bolsos e coldre para revólver.

tosa s. Tosquia, toso, esquila.

tronqueira s. Cada um dos grossos esteios colocados nas porteiras, os quais são providos de buracos em que são passadas as varas que as fecham.

tropeiro s. Condutor de tropas, de gado, de éguas, de mulas, ou de cargueiros. Pessoa que se ocupa em comprar e vender tropas de gado, de éguas ou de mulas. Peão que ajuda a conduzir a tropa, que tem por profissão ajudar a conduzir tropas. O trabalho do tropeiro é um dos mais ásperos, pois, além das dificuldades normais da lida com o gado, é feito ao relento, dia e noite, com chuva, com neve, com minuano, com soalheiras inclementes, exigindo sempre dedicação integral de quem o realiza.

xucro adj. Diz-se do animal ainda não domado, chimarrão, bravio, esquivo, arisco.

Fonte: Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, de Zeno e Rui Cardoso Nunes.


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Cultura do Rio Grande do Sul

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, novembro 29, 2007 | , , | 0 comentários »

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O chimarrão.

O Rio Grande do Sul apresenta uma rica diversidade cultural. De uma forma sucinta, pode-se concluir que a cultura do estado tem duas vertentes: a gaúcha propriamente dita, com raízes nos antigos gaúchos que habitavam os pampas; a outra vertente é a cultura trazida pela colonização européia, efetuada por colonos portugueses, espanhóis e imigrantes alemães e italianos.

A primeira é marcada pela vida no campo e pela criação bovina. A cultura gaúcha nasceu na fronteira entre a Argentina, o Uruguai e o Sul do Brasil. Os gaúchos viviam em uma sociedade nômade, baseada na pecuária. Mais tarde, com o estabelecimento das fazendas de gado, eles acabaram por se estabelecer em grandes estâncias espalhadas pelos pampas. O gaúcho era mestiço de índio, português e espanhol, e a sua cultura foi bastante influenciada pela cultura dos índios guaranis, charruas e pelos colonos hispânicos.

Gaúchos engajados em dança típica.

No século XIX, o Rio Grande do Sul começou a ser colonizado por imigrantes europeus. Os alemães começaram a se estabelecer ao longo do rio dos Sinos, a partir de 1824. Ali estabeleceram uma sociedade baseada na agricultura e na criação familiar, bem distinta dos grandes latifundiários gaúchos que habitavam os pampas. Até 1850, os alemães ganhavam facilmente as terras e se tornavam pequenos proprietários, porém, após essa data, a distribuição de terras no Brasil tornou-se mais restrita, impedindo a colonização de ser efetuada nas proximidades do Vale dos Sinos. A partir de então, os colonos alemães passaram a se expandir, buscando novas terras em lugares mais longes e levando a cultura da Alemanha para diversas regiões do Rio Grande do Sul.


Parque Histórico em Lageado

A colonização alemã se expandiu nas terras baixas, parando nas encostas das serras. Quem colonizou as serras do Rio Grande do Sul foram outra etnia: os italianos. Imigrantes vindos da Itália começaram a se estabelecer nas Serras Gaúchas a partir de 1875. A oferta de terras era mais retrista, pois a maior parte já estava ocupada pelos gaúchos ou por colonos alemães. Os italianos trouxeram seus hábitos e introduziram na região a vinicultura, ainda hoje a base da economia de diversos municípios gaúchos.



Cultivo de uvas e arquitetura italiana da zona rural de Caxias do Sul

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As raízes da payada

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, novembro 29, 2007 | , , | 1 comentários »

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A payada é uma forma poética nascida na campanha argentina e uruguaia, em geral um repente em décima (estrofe de 10 versos), de redondilha maior (verso de sete sílabas) e rima entrelaçada (todos os versos rimam entre si, alternadamente).

As raízes da payada remontam aos romances e quadras medievais e renascentistas, de temática popular, trazidos pelos povoadores espanhóis do território platino. O contato com o linguajar e com o dia-a-dia da vida campeira, porém, adaptou essas expressões à realidade da campanha.

O payador surge então como um artista errante que leva aos mais distantes rincões informação e entretenimento, por meio do relato de improviso dos acontecimentos da Capital (Buenos Aires ou Montevidéu). Acompanhando-se ao violão no embalar de uma milonga ou solito, sem instrumento, o payador era uma figura respeitadíssima – há relatos de que mesmo em campos de batalha o primeiro mate era dele, atropelando a hierarquia militar.

A mais célebre payada literária é o poema épico em sextilhas Martín Fierro (1872), escrito pelo argentino José Hernández. Ainda hoje a payada é uma expressão cultural forte na Argentina e no Uruguai, com nomes como o uruguaio Gustavo Villón e os argentinos José Larraude e Argentino Luna.

A payada, no entanto, não vingou no Rio Grande do Sul. Poucos poetas e cantadores daqui seguiram a tradição, e muitos pesquisadores apontam Jayme Caetano Braun como sendo o único payador autêntico brasileiro, capaz de payar em espanhol e enfrentar em payadas de desafio os mestres platinos, como o legendário uruguaio Sandálio Santos – que dizem ter sido o "professor" de paya de Jayme. Vamos então rever mais uma do nosso payador gaúcho:


Payada

Raízes, tronco, ramagem...
Ramagem, tronco, raiz...
Abriu-se uma cicatriz
de onde brotei na paisagem...
O tempo me fez mensagem
que os ventos pampas dirigem,
Dos anseios que me afligem
de transplantar horizontes,
Buscando o rumor das fontes
pra beber água na origem.

Sobre o lombo da distância,
de paragem em paragem,
Fui repontando a mensagem
de bárbara ressonância,
Fazendo pátria na infância
porque precisei fazê-la,
E a Liberdade, sinuela,
sempre foi a estrela guia
Que o meu olhar perseguia
como quem busca uma estrela.

Pensei chegar alcançá-la,
no estágio de índio rude,
Mas nunca na plenitude,
porque essa deusa baguala
Que aos andejos embuçala,
nunca ninguém alcançou,
Bisneto nem bisavô,
nos entreveros mais brutos,
Labareda de minutos
que o vento sempre apagou.

Primeiro era o campo aberto,
descampado, sem divisas...
Com fronteiras imprecisas,
mundo sem longe nem perto..
Eu era o índio liberto,
barbaresco e peleador
Rei de mim mesmo,
senhor da natureza selvagem,
A religião da coragem
e o sol de bronze na cor

Um dia veio o jesuíta
a este rincão do planeta
Vestindo a sotaina preta
na catequese bendita
Foi mais do que uma visita
à minha pampa morena
Bombeei por trás da melena,
olhos nos olhos o irmão,
E gravei no coração
a santa cruz de Lorena!

Mais tarde veio mais gente
às minhas terras campeiras...
A falange das bandeiras,
impiedosa e inclemente...
Me levantei de repente
e as tribos se levantaram...
As várzeas se ensangüentaram,
elas que eram verdejantes,
Mas eu venci os bandeirantes,
que nunca mais retornaram!

E depois vieram os lusos,
os negros, os castelhanos,
E nos pagos campejanos,
novas normas, novos usos...
As violências e os abusos
da Ibéria, Castela e Lácio
Que rasgaram o prefácio
e mataram as plegárias
E as ânsias comunitárias
dos irmãos de Santo Inácio.

Não pude deter a vaga
de Andonega e Barbacena...
Se a História não os condena,
a mancha nunca se apaga!
A opressão jamais indaga
na sua ambição mesquinha,
Era meu tudo o que tinha,
era meu tudo o que havia,
E eu morri porque dizia
que aquela terra era minha!

Mas o eterno não morre,
porque permaneço vivo...
No lampejo primitivo
de cada fato que ocorre
O meu sangue rubro corre
na velha raça gaudéria,
Corcoveando em cada artéria
pela miscigenação
Na bárbara transfusão
com os andarengos da Ibéria...

Fui sempre aquilo que sou,
sou sempre aquilo que fui,
Porque a vida não dilui
o que a mãe terra gerou...
Sou o brasedo que ficou
e aceso permaneceu,
Sou o gaúcho que cresceu
junto aos fortins de combate
E já estava tomando mate
quando a pátria amanheceu!!!

E assim, crescendo ao relento,
criado longe do pai,
Junto ao mar doce - o Uruguai -,
o rio do meu nascimento,
Soldado sem regimento
no quartel da imensidade...
Um dia me meu vontade,
deixei crescer toda a crina
E me amasiei com uma china
que chamei de Liberdade!

Por mais de trezentos anos
fui pastor e sentinela
Na linha verde e amarela,
peleando com castelhanos,
Gravando com "los hermanos"
a epopéia do fronteiro!
Poeta, cantor e guerreiro
da América que nascia
Na bendita teimosia
de continuar brasileiro!!!!

Com Bento em mil entreveros,
em barbarescos ensaios...
Depois contra os paraguaios,
em Humaitá e Toneleros
Andei em Monte Caseros,
Paisandu, Peribebuí
Passo da Pátria, Avaí...
longe do meu território...
E fui ordenança de Osório
nos campos de Tuiuti

Depois, em Noventa e três,
na gesta federalista,
A pátria a perder de vista,
andei peleando outra vez...
Sem soldo no fim do mês
porque pelear era lindo,
As espadas retinindo,
chapéu batido na copa,
Como carneador de tropa
nas forças de Gomercindo

Mais adiante, em Vinte e três,
em Vinte e quatro de novo...
É o destino do meu povo
que assim altivo se fez,
A marca da intrepidez
deste velho território!
Ante o bárbaro ostensório
dos lenços rubros e brancos
Acompanhei os arrancos
do velho Flores, e Honório...

Chimangos e maragatos,
farrapos, federalistas
Caminhadas e conquistas
que a história guarda em seus fatos
Os tauras intemeratos
de adaga e pistola à cinta...

Não há ninguém que desminta
nossa estirpe de raiz
Que se adonou da matriz
nas arrancadas de Trinta

Depois vesti a verde-oliva,
como sempre voluntário,
No "cuerpo" expedicionário,
formando uma comitiva
Da nossa indiada nativa
pra responder um libelo
E o pendão verde-amarelo,
no outro lado do mundo,
Cravei, bem firme e bem fundo,
no velho Monte Castelo!

Hoje, tempo de mudar,
meu coração continua
O mesmo tigre charrua
das andanças do passado.
Sempre de pingo ensilhado,
bombeando pampa e coxilha...
A pátria é minha família!
Não há Brasil sem Rio Grande
E nem tirano que mande
na alma de um Farroupilha!
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Geada gaúcha

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, novembro 29, 2007 | , | 0 comentários »

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E pra quem não acreditou que o frio no Rio Grande chega a tal ponto, vai ai uma foto da tal da geada na taipa pra exemplificar a friagem...


E uma piadinha pra não perder o costume:


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