"Videoclipe" Lá na Fronteira - César Oliveira e Rogério Melo

Postado por Mauro dos Reis | sexta-feira, abril 18, 2008 | , , | 0 comentários »

Aproveitando a sugestão da prenda do mês, encontramos este interessante videoclipe da música "Lá na Fronteira"de César Oliveira e Rogério Melo, produzido por Luis Henrique Ramos (Mano) com fotos de José Guilherme Martini.

Belas fotos daquele que é o animal de estimação do gaúcho, o cavalo, acompanhadas de boa música.

Os caveiras e o engodo da morte

Postado por Mauro dos Reis | sexta-feira, abril 18, 2008 | , , , | 0 comentários »

Poesia com a qual nossa prenda do mês Dominicke Marca sagrou-se Campeã Brasileira de Declamação Prenda Adulta (9º FENART – Pato Branco/PR).

Autor: Carlos Omar Villela Gomes

Os olhos nem se cruzaram
desde a saída pra lida...
Um vinha mais que montado
num baio que era um colosso,
O outro vinha num trono,
enforquilhado no mouro.
Dia longo, sol ardendo,
légua e pico, campo vasto...
Enfim o final de tarde e a
volta mansa pras casas.

Num repente o do baio cravou
as esporas e deu-lhe boca!
O outro, por ligeiro, já cutucou
num puaço o mouro que
vinha quieto.
Poeira comendo floxa,
gritedo ecoando longe!
Pata que pata os cavalos!
Relho que relho os gaúchos!

Carreira sem pretensão,
Sem cismas de cancha reta...
Uma carreira de campo,
Conforme disse um poeta.
Carreira dessas parelhas
Corrida por dois iguais...
Dois índios de campo e lida
Com almas de temporais.

Mas havia no caminho uma
toca de mulita...
Houve uma toca, uma pata
enfiada, um mouro rodado,
um pescoço quebrado,
Uma moça viúva, dois
piazitos órfãos e um velório
às pressas.

Houve sim, mas e por quê?
Por que a carreira, por quê?
Nem mesmo o moço do baio
Ao certo soube dizer.

Por que se calou de soco
Quem tinha muito a viver?
Por que se calou, por quê?

Por entre o pranto de todos,
Em vez do moço do mouro
Jazia apenas um corpo
Já sem estrelas no olhar.

Ao lado os Caveiras sorriam
com suas caras brancas,
Estranhos feito um palhaço
dançando dentro de um vaso.

Só eles sabiam bem...
Só eles tinham a voz;
Sabiam cada segundo
Da hora de todos nós.
Sabiam quem tinha a foice
Afiada, à mão de ceifar...
Sabiam o tempo exato
Que a foice cortava o ar!

Os Caveiras se esbaldavam...
Sorriam suas caras feias
De um jeito devastador.

Talvez lembrando o momento
Em que um deles se achegou se
engarupando no baio
E soprou ao pé do ouvido
do que se achava montado:
“-Crava as esporas e azula!”
E assim foi que aconteceu.
Talvez lembrando o momento
em que o outro, sussurrante,
Chegou pra o hoje finado,
e disse: “-Corre de atrás!”
E o moço, por bem mandado,
correu de atrás... ...e morreu.

Se divertiam assim...
Assim era que passavam.

De vez em quando nos rios,
nos açudes mais traiçoeiros,
Nos arroios mais covardes,
chegavam pra gurizada,
Como não querendo nada: ”
- Mas tchê, que baita calor!!”
O suficiente já era...
Em dez ou quinze minutos,
meia dúzia de afogados
Pra aumentar sua coleção.

As palavras dos Caveiras
(Com suas sílabas traiçoeiras)
Eram o engodo da morte.

Tantas feitas sucedidas com
feições inusitadas...
Tantas coisas escondidas
em histórias mal contadas;
Os Caveiras eram praga
pairando por esta terra;
Se já aprontavam na paz,

se deliciavam na guerra.

Trinta e cinco foi assim,
paraíso pra os Caveiras
Que ponteavam cada
carga com suas frases derradeiras;
Noventa e três, tempos brabos...
Eles chegaram gabolas...
Lavaram as caras brancas
no sangue ruim das degolas!

E assim foi por tanto tempo...
Em cada revolução...
Em cada fio de vingança
Do cornudo da ocasião.
Em cada trago de canha
Das peleias de bolicho,
Estavam sempre os Caveiras
Com seus medonhos cochichos.

Era o engodo da morte
Satisfazendo os caprichos.

Sei que a morte não é o fim,
Mas precisa ser assim?
Derrubados pelo engodo
Com palavras de festim?

Cadê a seqüência das coisas?
Cadê os ciclos naturais?
Pior que a morte de um filho
Só mesmo a dor de seus pais...
Não tem a mão do destino
Nessas piadas fatais!

Ouço uma voz murmurante
acariciar meu ouvido,
Enleiando os pensamentos
em cada duplo sentido...
Talvez me leve por diante,
talvez me arraste no estribo.

Quem sabe são os Caveiras,
sorrindo em suas caras brancas,
Trazendo o engodo da morte,
cobrando a vida sem prazo...
Estranhos feito um palhaço
dançando dentro de um vaso!


Sabe moço

Postado por Mauro dos Reis | sexta-feira, abril 18, 2008 | , , | 0 comentários »

Belíssima composição!
Porém, encontramos referências a pelo menos três autores diferentes.
Se alguém souber a informação correta por favor contate-nos!


Sabe moço
Que no meio do alvoroço
Tive um lenço no pescoço
Que foi bandeira pra mim
E andei mil peleias
Em lutas brutas e feias
Desde o começo
Até o fim.

Sabe moço
Depois das revoluções
Vi esbanjarem brasões
Pra caudilhos coronéis
Vi cintilarem anéis
Assinatura em papéis
Honrarias para heróis.

É duro moço
Olhar agora pra história
E ver páginas de glórias
E retratos de imortais
Sabe moço
Fui guerreiro como tantos
Que andaram nos quatro cantos
Sempre seguindo um clarim.

E o que restou,
Ah sim
No peito em vez de medalhas
Cicatrizes de batalhas
Foi o que sobrou pra mim.

Ah sim
No peito em vez de medalhas
Cicatrizes de batalhas
Foi o que sobrou pra mim.


Querência (César Oliveira e Rogério Melo)

Postado por Mauro dos Reis | sexta-feira, abril 18, 2008 | , , , | 3 comentários »



A música "Querência" foi a escolhida pela prenda do mês de Abril, Dominicke Marca, como sua preferida.

Composição: Anomar Denúbio Vieira

De fronte ao galpão grande
um cerne de curunilha
palanqueador de tropilhas
cravado num chão sulino
sob a luz de um céu divino
o campo que não se entrega
a pata e peito de égua
vai ressabiando o destino

A várzea se estende longe
vista do fundo das casas
e um campeiro cria asas
repassando a bagualada
quem tem olhos de invernada
e ânsios de crioulo no peito
faz o que deve ser feito
e o resto ajeita na estrada

A fibra desta querência
vem das lidas campo à fora
trazendo pátria na espora
e no cantar do fronteiriço
mesca de ciência e feitiço
timbrada a berro de gado
e a bufo de mal-costeado
que se amansou no serviço

De dia... Sol e nuances
De noite... romances e lua
Nesta querência xirua
cada vez mais entonada
Aparte, tombos, bolcadas
pealos, rodeios, carreiras
e um sotaque de fronteira
Pa hablar de una jineteada

Um paraíso é quem ronda
de tropa mansa e serena
A velha estância torena
postal de pampa e coxilha
Jaz mineiros, maçanilha
enchendo o pago de flores
E para entreter dissabores,
fumo bueno e figuerilha

Rincão de gente gaúcha
vida, terra e liberdade
quem se vai, sente saudade
quem volta bendiz a Deus
o mundo é feito de adeus
de apeie e chegue pra diente...
quem busca um sonho distante
acha bem perto dos seus.

Prenda do Mês - Dominicke Marca

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, abril 16, 2008 | , , , , | 4 comentários »

Neste mês de Abril, retomaremos o quadro Prenda do Mês com a nossa convidada a atual 2ª Prenda da Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha, Dominicke Marca.

Gaudérios: Tu és natural de que cidade? Falas um pouco de ti e de tuas raízes.

Me chamo Dominicke Marca, tenho 18 anos, natural da cidade de Lages/SC, porém, moro na cidade de Sorocaba/SP há 7 anos. E foi aqui que começou minha história dentro do Tradicionalismo Gaúcho. Ingressei no CTG Fronteira Aberta em 2003, e nesta mesma entidade fui: 2ª Prenda Juvenil 2003/2004, 1ª Prenda Juvenil 2004/2006, 1ª Prenda Adulta 2006/2007, e depois disso tive a honra de representar o Movimento Tradicionalista Gaúcho do Estado de São Paulo, fui a 1ª Prenda do Estado de São Paulo 2007/2008. Hoje sou a 2ª Prenda da Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha, o que muito me orgulha, por poder representar o Jovem Tradicionalista Brasileiro.


Gaudérios: Qual a relação que tens com a tradição Gaúcha?

A Tradição Gaúcha é o ar que respiro. Sinto-me feliz e realizada em poder levar em todos os lugares por onde vou a minha satisfação em fazer parte dessa grande família, digo família, pois dentro de nossas entidades surgem grandes amizades, carinho, admiração e acima de tudo respeito. Não sou nascida no Rio Grande do Sul, mas me sinto uma grande tradicionalista, pelo fato de lutar pela preservação e seriedade do tradicionalismo gaúcho mesmo tão longe.


Gaudérios: Participaste de um concurso de prendas, poderias falar como foi o concurso, o que os jurados avaliam? Conte-nos um pouco sobre o que aconteceu nos bastidores.

Na verdade participei de cinco concursos de prendas, e mesmo com toda experiência, a cada um deles senti uma sensação diferente. Costumo dizer que passamos por um vestibular tradicionalista e temos que saber tudo (história, geografia, tradição e folclore, atualidades, etc.). Acredito que é nos concursos de peões e prendas que vemos a tradição gaúcha sendo verdadeiramente levada a sério. É nesses mesmos concursos onde fazemos amigos para sempre, e esquecemos que eles eram nossos “concorrentes”. E é na hora do resultado que vemos trabalhos sendo reconhecidos, alegria, lágrimas, euforia... E tudo isso vale muito a pena!



Gaudérios: O que gostarias de dizer para as prendas que estão iniciando na tradição, ou até mesmo para aquelas que já participam de eventos tradicionalistas, em relação a ser uma autêntica prenda?

“QUERER É PODER”... Essa é a mensagem que gostaria de deixar as meninas e moças que sonham em ser Prendas de suas entidades, MTG e CBTG, onde estou hoje. Trabalhem, e trabalhem com amor, de maneira correta, pois não importa o número que levamos em nossas faixas (1ª, 2ª ou 3ª), na verdade nem importa a faixa, o que vale mesmo são os nossos trabalhos, nossa dedicação e nosso amor por essa causa. Um dia esse sonho de 1ª Prenda vai passar e não podemos deixar de ser Prendas de Primeira.


Gaudérios: Em relação à Cultura Gaúcha: qual tua música preferida? Poesia? Livro? Sites? Comunidades?

Música: Querência – César Oliveira e Rogério Melo.
Na verdade tenho várias músicas preferidas, escuto muito Luiz Marenco, Marcelo Oliveira, Pirisca Grecco.

Poesia: Os Caveiras e o Engodo da Morte – Carlos Omar Villela Gomes
Poesia esta com que sagrei-me Campeã Brasileira de Declamação Prenda Adulta (9º FENART – Pato Branco/PR)

Livro: ABC do Tradicionalismo Gaúcho, MTG 40 anos – Raiz, Tradição e Futuro.


Sites:

http://www.cbtg.com.br/ (Confederação Brasileira de Tradição Gaúcha)

www.mtgsp.com.br (Movimento Tradicionalista Gaúcho de São Paulo)

www.dominicke.flogbrasil.terra.com.br

Comunidades:

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=50448802 ( Dominicke – 2ª Prenda da CBTG)

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=27298194 (MTG/SP)

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=542323 (CTG’s do Estado de São Paulo)


Gaudérios: Qual o comentário que gostarias de fazer para complementar nossa conversa, por favor, fique a vontade?

Gostaria de agradecer mais uma vez pelo convite, e dizer que fico muitíssimo feliz em saber que o principal objetivo deste blog é levar nossa tradição a todos os cantos do Brasil. Parabéns pela dedicação, e contem comigo para o que precisarem.




Gaudérios: Bem, queremos encerrar mais esta entrevista agradecendo à Prenda Dominicke por sua participação neste quadro do Blog Gaudérios, bem como parabenizá-la por sua atuação dentro do Movimento Tradicionalista Gaúcho apesar da pouca idade e da distância em que vive do Rio Grande do Sul. Nos alegra, e a todos os gaúchos e gaúchas, ver que as tradições continuam firmes no cotidiano das novas gerações.




Gostastes da entrevista? Então deixas teu comentário!
O Blog Gaudérios agradece!


Raízes da Música Gaúcha

Postado por Djeine A. Dalla Corte | terça-feira, abril 15, 2008 | , , | 0 comentários »


Existem vários ritmos que fazem parte da cultura gaúcha, mas a maioria deles são variações de danças de salão centro-européias populares no século XIX. Esses ritmos, derivados da valsa, do xote, da polca e da mazurca, foram adaptados como vaneira, vaneirão, chamamé, milonga, rancheira, xote, polonaise e chimarrita, entre outras.

O único ritmo que realmente é gaúcho é o bugio, criado pelo gaiteiro Wenceslau da Silva Gomes, conhecido como Neneca Gomes, em 1928, na então província de São Francisco de Assis. Inspirado no ronco dos bugios, macacos que habitam as matas do Rio Grande do Sul, o ritmo foi banido de lá por ser considerado obsceno, mas foi cultivado em São Francisco de Paula, onde até hoje é realizado o festival nativista "O Ronco do Bugio".

A partir de 1970, com a criação da Califórnia da Canção Nativa em Uruguaiana, começaram a surgir festivais de música nativa, que incentivaram o surgimento de novos estilos, de músicos e compositores, naquilo que passou a ser chamado de "música nativista". A música nativista na verdade é formada por ritmos que já existiam, com destaque para a milonga e o chamamé, porém com canções mais elaboradas e com letras quase sempre dedicadas ao Rio Grande do Sul.
fonte: wikipédia

1ª CALIFÓRNIA 1971 - 1º LUGAR: REFLEXÃO

Picaço Velho

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, abril 09, 2008 | , , , | 0 comentários »

José Mendes


Um dia eu saí a camperear sozinho
no meu picaço velho de estimação
Ele saiu relinchando como adivinhar
que não voltava mais para seu galpão
O meu picaço velho era um cavalo
que foi bem ensinado e muito mansinho
Quando eu tinha preguiça de buscar o gado
o meu picaço velho trazia sozinho
Sai à galopito pela estrada afora
e meu picaço velho ia remoendo o freio
                         
Eu sai com o destino de ir na invernada
só para ver meu gado e dar sal no rodeio
Depois que eu dei o sal eu vi um boi brazino
e sempre boi brazino bem valente é
Apartei ele do gado e desatei meu laço
arrochei o meu picaço só pra ver o tropel
Lacei este brazino lá na beira de um mato
e esta estória triste até o animais sentem
O meu picaço velho se perdeu num valo
e eu abri a perna a sai lá na frente


E este boi brazino quando me avistou
abaixou a cabeça e fez um pegada
Tirei o corpo fora ele passou por mim
eu olhei para trás e dei uma risada
E foi nesta rodada que meu pingo amigo
ficou estendido na terra vermelha


Mas joguei meu doze braças e argola tiniu
peguei as duas guampas e defendi as orelhas
E quando estirou o laço deste boi brazino
ele virou de ponta nem pro mato foi
E o meu picaço velho que quebrou o pescoço
e morreu gemendo e olhando pro boi


GAÚCHO DE PASSO FUNDO

Postado por Djeine A. Dalla Corte | domingo, abril 06, 2008 | , , | 0 comentários »

TEIXEIRINHA

ME PERGUNTARAM SE EU SOU GAÚCHO
ESTÁ NA CARA REPARE O MEU JEITO
SOU DO RIO GRANDE LÁ DE PASSO FUNDO
TRATO TODO MUNDO COM MUITO RESPEITO
//:MAS SE ALGUÉM ME PISAR NO PALA
MEU REVOLVER FALA E O BOCHINCHO ESTÁ FEITO://

NÃO SOU NERVOSO E NEM CARREGO MEDO
EU ME CRIEI SEM CONHECER REMÉDIO
EU METO OS PEITOS EM QUALQUER FANDANGO
MAS QUANDO EU ME ZANGO ATÉ DERRUBO O PRÉDIO
//: EU SOU GAÚCHO E SE ME AGRIDE EU TUNDO
SOU DE PASSO FUNDO DO PLANALTO MÉDIO ://

ME PERGUNTARAM QUAL ERA RAZÃO
EU TER ORGULHO E SER PASSO-FUNDENSE
EU RESPONDI SOU DA TERRA DO TRIGO
TEM UM POVO AMIGO E QUANDO LUTA VENCE
//:É UM PEDAÇO DO RIO GRANDE AMADO
ORGULHA O ESTADO E O POVO RIOGRANDENSE ://

JÁ RESPONDI A PERGUNTA SEU MOÇO
ME DÁ LICENÇA VOU ENCILHAR O CAVALO
BRASIL A FORA ATRAVESSEI OS ESTADOS
TROTEANDO APRESSADO EU VIM TIRANDO O TALO
//: PRA VER AS PRENDAS MAIS LINDAS DO MUNDO
CHEGUEI EM PASSO FUNDO NO CANTAR DO GALO ://