Poesia: Mimosa de Vaine Darde

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, março 13, 2009 | , , , | 3 comentários »

A poesia "Mimosa" de Vaine Darde, foi escolhida pela nossa Prenda do Mês de Março, Josi Hellem Vernetti, como sua preferida, acompanhe e emocione-se como nós:

Eu não sabia que te amava tanto,
Pois, na campanha, quando um homem sonha,
Tem pouco tempo pra cuidar do campo.
Depois, tu sempre foste tão presente
Que eu jamais te vi ausente
Pra saber se te amava.

Mal rompia a aurora...
Eu já ouvia teus passos, pela casa,
Querendo fazer silêncio
Com medo que eu despertasse
E te surpreendesse, às voltas,
Sem ter fogo no fogão
E um mate bem cevado.

Nunca senti falta de ti
Pois nunca me deixaste faltar nada,
Tão grande era o teu zelo
Com a minha indiferença
Que tu sabias décor todas as minhas manias
Que tu fazias feliz todas as minhas vontades
Como se o amor me concedesse
Esse direito absurdo
De ser o senhor da casa.

Eu nunca precisei exigir nada,
E nunca nada pedi.
Tu, sim, estavas sempre pronta,
Sempre alegre e disposta
Me dando tudo de ti.
A noite, na penumbra do candeeiro,
Bueno, aí eu dava atenção
Pra teu corpo moreno
Sempre disposto a tudo...
Cativo dos meus desejos.

Então me explica, Mimosa,
Como é que eu saberia
Que aqueles beijos, no catre...
A prosa adoçando o mate
Na hora do sol se pôr:
(Como é que eu saberia?)
te juro que eu não sabia
que aquilo tudo era amor!

Diacho, como isso dói!
A lembrança é um ferro em brasa
Que queima a gente por fora
Deixando marca por dentro.
Parece que eu estou vendo
A atenção dos teus cuidados
Quando vinhas, de mansinho,
Trazendo um mate cheiroso,
E mil promessas nos olhos
Para sentar no meu colo
Qual um bichinho assustado...

Eu pensei que fosse assim:
Que os homens e as mulheres
Apenas vivessem juntos
Pra tomar mate e dormir.
Que os homens fossem pra o campo
Lidar com potro e lavoura,
E as mulheres, bem, as mulheres:
As mulheres fossem feitas
Pra ter filho e cuidar casa.
Meu Deus do céu, que pecado...
Como eu te amava Mimosa.

Mas, tu nunca quebraste um prato...
Tu nunca viraste o rosto...
Nem nunca negaste nada...
Mesmo quando eu chegava borracho dos bolichos
Ou vinha de madrugada, com cara de sorro manso,
Duma fuzarca de baile,
Ou cambicho com percanta:
Tu ainda me esperavas com café e bolo frito,
E, no mas, choramingavas baixinho...
Pra não perturbar meu sono.
Tu, sim, Mocinha, tu não me amavas:
Tu eras louca por mim!

Quantas vezes me ajudaste
A apear do cavalo, por que eu não tinha vergonha
De beber até cair,
E me levavas pra o rancho,
E, com paciência de mãe, descalçavas minhas botas,
E tiravas minha roupa.
Até banho tu me deste...
Tu me perdoa, Mimosa,
Mas eu sempre fui um canalha.

Não, te juro que eu não sabia
Que as mulheres, quando amam,
As vezes, são quase santas,
Pois se dão de tal maneira
Que viram posse da gente,
E sofrem qualquer desgosto
Como se fosse normal...
Quantas noites de novena
Te ajoelhastes, ao pé do catre,
Acariciando o rosário
Pra que Deus me protegesse
Naquelas domas de potro.

E dizer que em tantos anos
De vida vivendo juntos
Eu nunca voltei pra casa
Te trazendo alguma flor,
Eu nunca chorei por ti,
Nem nunca disse: - Te amo!
(Porque isso era fraqueza
E, gaúcho, ah, gaúcho é macho!
Não dá o braço a torcer
Pra prenda não tomar conta...)

Como eu fui xucro, Mimosa,
Tu me destes mil motivos
E eu não soube ser feliz,
Tu querias ser amor
E eu não soube ser amigo.
Eu nunca te mereci
Mas tu sempre acreditaste que eu era o que não fui,
Tu, sim, soubeste ser, ao meu lado,
O que jamais eu seria:
Uma santa de bondade
E uma fonte de perdão.

Bueno, chega de prosa,
Eu te trouxe as margaridas
Que plantaste no oitão...
(Não liga se estou chorando,
Pois, agora, eu sempre choro
Quando chego e não te encontro...)
Hoje, eu criei coragem
E vim dizer que te amo,
Que eu sempre, sempre te amei!
Só pede pra Deus, Mimosa,
Que ele, também me perdoe
E quando eu mudar de lado,
E for translúcido e aéreo
Me conceda a eterna graça...
E deixe, em nome do amor,
Que eu seja anjo contigo.

Poesia: Prenda Minha de Telmo de Lima Freitas

Postado por Djeine A. Dalla Corte | domingo, março 08, 2009 | , , , | 0 comentários »


Neste Dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, uma singela homenagem do Blog Gaudérios a todas as mulheres gaúchas:

Prenda Minha

Telmo de Lima Freitas

Hoje é treze sexta-feira prenda minha é dia de louvação
Me fugiram os amigos mais antigos me deste consolação
Já passaram muitas luas, prenda minha muitas luas já passei

Fiz promessas pro negrinho coitadinho por isso que te encontrei
Acho cedo muito cedo prenda minha pra dizer que escureceu
Foi a noite dos teus olhos prenda minha que acordou os olhos meus
Foi teu riso disfarçado prenda minha que laçou meu bem-querer
Se eu fugir do sul do mundo num segundo voltarei prá te rever

Abre o poncho desta alma prenda minha que eu preciso me abrigar
Se o inverno for intenso como penso muito frio eu vou passar
Hoje é treze sexta-feira prenda minha é dia de louvação

Texto de autoria da Prenda do Mês de Março

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, março 06, 2009 | , | 0 comentários »

Texto de autoria da Prenda do Mês de Março - Josi Hellem Vernetti.

Aos leitores do Blog Gaudérios, adianto que se trata de uma bela declaração de amor, tanto ao companheiro de nossa prenda Josi Hellem, como ao próprio estado do Rio Grande do Sul.

Em suas próprias palavras, são "...versos campeiros de minha autoria em homenagem a meu paysano Daniel."


O gaúcho mais Taura do RS!!!!


Ele tem a faca mais gaúcha que estes pampas já viu!

A estampa mais campeira e tradicional!

O sorriso que adelgaça auroras!

Filho do pago, que ama e zela esta terra.

A voz que invade a escuridão da noite repontando que o dia vem nascendo e que já é chegada a hora da lida!

Cevo o mate pra ti meu peão estancieiro, forte, macanudo, peão que leva a vida na ponta do laço, na laçada do tempo o nó que não se desata e nele o sonho alçado.

Este gaúcho, que lusitano leva nas veias sangue crioulo, caudilho, farrapo...

Se vivestes naquelas épocas de revolução farroupilha certamente serias lembrado por tamanha bravura e mais certo como o pasto que se renova ao beber da sangria, teu nome estaria escrito em rastros de glória e liberdade no chão e no céu do nosso pampa.

Taura, pra ti que estampa a simplicidade de um trabalhador, um peãozito das voltas das casas e ao mesmo tempo a realeza e altivez do señor patrão das terras, que sabe o valor das pequenas coisas sem desfazer daquelas de magnitude que jogo ao vento minha devoção e respeito.

Tens sobre tua cabeça a ponta do pala do patrão velho lá do galpão maior, e sobre ti foi lançado os seus olhos, que te aquerenciam e guardam dos pealos, da cerca e dos caminhos de chão desigual que pisas diariamente com tuas botas garronudas..., e todos os rayutos del sol que iluminam teu andar...

Se eu humilde xirua tenho um pedido ao meu patrão maior, a ele peço então que nunca te deixe faltar esse brilho cor-de-pasto que ele te deu de regalo.

Taura é de aprofundamento que este coração já judiado pelo tempo e circustâncias, mas que ao te mirar se bota a bailar ao som de uma chacarerita, deixa aqui neste teu galpão virtual, como tu mesmo costumeiramente diz, estas singelas palavras, que não dizem quase nada ao mesmo tempo que palanqueia quase tudo!

Quase porque minha sabedoria interiorana não me permite alegar aqui o que deveramente mereces ser dito de ti.

Toma de mim prenda arrinconada em teus persoelos, todo o meu cariño, todo o amor que não cabe mais na casa grande do coração, e tens em mim que nada sou, uma companheira de mate, de lida, de doma, de campo, de cavalgadas no chuvisco da manhã cedita, fria e escura, companheira de casco, de caça, de charlas galponeiras madrugadas a fora, companheira de bailongos e sarandeios e também xirua pra teus carinhos e vontades arrodijados em teus pelegos.

Tu domas um bocudo por dia, nunca vi gaúcho que agüentasse esse tirão, porque sujeitar redomão não é pra qualquer braço.

De soslaio te fito e nessa cancha reta da vida me vou de tiro ao teu lado carrera e esbarro, mas sem nunca afloxar nenhum tento porque se aprendi algo das lições que tua sapiência me deu foi que, até se falqueja as vezes mas que nunca se achica assim no más e que tanto faz o trote deste pingo o importante é ele chegar no destino que se queres em paz.

Não é a toa que Deus marca a ferro de fogo lá no céu os que aqui na terra tem cruzada definitiva e deles faz semente nativa para perpetuar a tradição incontida no sul desse mundão infame, mas que se faz de inflame o amor e convicção por esta pátria gaúcha de amores campesinos, de luar prateado e de milongas apaixonadas!

Que tu seja o patrão do nosso rancho, e que eu possa ser prenda muy hermosa e útil as honrarias da tua casa!

Muito orgulho em ser tua Xirua amada, e tu meu Taura amado!

Prenda do Mês de Março - Josi Hellem Vernetti

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quarta-feira, março 04, 2009 | , | 0 comentários »

Josi Hellem Vernetti tem 23 anos e é universitária de Administração.

Gaudérios: Tu és natural de que cidade? Falas um pouco de ti e de tuas raízes.

Josi: Bueno, sou natural de Porto Alegre, criada no extremo sul da cidade, área rural perto dos campos sendo iniciada na lida de campo através do meu avô que sempre foi um apaixonado pela nossa cultura, cresci entre amigos gaudérios nas cabanhas nas horas de lazer cuidando e sempre aprendendo sobre umas de minhas paixões, os cavalos, e gracias ao patrão velho só fui sendo rodeada por pessoas que cultuam o mesmos valores tradicionalistas!!!

Gaudérios: Qual a relação que tens com a tradição Gaúcha atualmente?

Josi: Não sou de freqüentar bailes por pura falta de tempo, mas a essência da alma campeira é o que me liga a esse amor incondicional, a verdadeira mulher do campo por mais que viva na cidade modernizada sempre levará a seiva da raiz cravada nesse sul lindo, e juntamente com meu paysano (namorado) Daniel Irion que também é um gaúcho taura de tradição, cultuamos nossa devoção as tradições através dos mates, charlas sobre as lidas e ouvindo a mais pura música do nosso estado, importante ressaltar que até o namoro dos verdadeiros gaudérios é especial, coisa linda uma poesia escrita com nosso vocabulário típico e matear juntos é encantador.

Gaudérios: Para você o que é ser uma autêntica prenda?

Josi: Mas Tchê, é o que eu digo sempre, prenda não é só se pilchar de belos vestidos, participar de concursos culturais e ganhar faixas de piquetes e CTGs, creio que a prenda hermosa além claro desta mimosice que encanta e faz parte de nossa cultura deve ser aquela guria que coloca sua bombacha, as botas, um chapéu bem tapeado e vai a frente levando a bandeira do puro tradicionalismo. Até me chamam de chucra, mas tchê, a simplicidade de ser de campo e alma nos torna as verdadeiras prendas, as quais sentem brotar dentro do peito o amor e o respeito puro à nossa história. Sabe quando você sente o pêlo arrepiar ao abrir de uma gaita? Ou o coração pulsar no mesmo ritmo do bumbo leguero e um sapateado bem macanudo? É assim que eu me sinto uma verdadeira prenda gaúcha, tendo o orgulho de saber que em minhas veias corre sangue farrapo!

Gaudérios: Dentre as tradições e costumes típicos do povo gaúcho, quais você considera mais importantes e procura vivenciar em seu cotidiano?

Josi: Não teria como enumerar as mais importantes, pois todas para mim são de suma importância, nem sempre é possível realizá-las na cidade grande, mas como resido ainda nesta área rural ou agraciada por Deus, o mate cevado a capricho no raiar do sol ou nas tardesitas de charla e prosa, a boa música gaúcha, as danças e reuniões nos centros de tradições e, é claro, o autêntico churrasco gaúcho preparado ao som da gaita e acompanhado de uma canha bem gaudéria, sabe aquela que te faz gritar “alachergaaaa”!!!


Gaudérios: Em relação à Cultura Gaúcha: qual tua música preferida?

Josi:O campo e No Desdobrar das Auroras de Cézar Oliveira e Rogério Mello e Luiz Marenco em geral, tche difícil dizer amo tantas!

Poesia?

Josi: Mimosa de Vaine Darde, mas Jaime Caetano Braun é incontestável!

Livro? Lenda?

Josi: Amo a nossa batalha farrapa!

Sites? Comunidades?

Josi: Gosto do Apaysanado.com e o Blog Gaudérios, e olha onde vim parar? heheh


Gaudérios: Qual o comentário que gostarias de fazer para complementar nossa conversa, por favor, fique a vontade?

Josi: Bueno, o que deixo aos leitores é um imenso prazer em poder dizer o quanto sou apaixonada e devota a essa tradição linda que nos foi dada de presente em berço sulino ao nascermos neste estado.

Poder dizer que o prazer em ser gaúcha nos infla o peito, nos faz especiais aos olhos do Brasil inteiro, pois é de prache vermos publicado por aí temáticas referentes ao nosso povo, as quais afirmam que somos um povo autêntico, cantamos nosso hino com tanta emoção como em nenhum outro estado, somos pioneiros em diversas áreas, um povo, como o próprio hino diz: "aguerrido e bravo"!

O Brasil sente orgulho e uma pontinha de inveja das nossas glórias e conquistas, pois o sangue farrapo derramado sobre essa terra serve até hoje de adubo para nosso campo e engorda nosso gado admirado no mundo inteiro. Nossa terra é rica, é linda e nada mais me deixa tão feliz do que bater do peito e dizer: Eu sou Gaúcha tchê!!!


Sobre a mulher gaúcha que sou nas palavras de Jayme Caetano Braun:

"O teu cetro de realeza!
E o trono da natureza
É teu, chinoca lindaça...
Pois tu refletes com graça
As fidalgas Açorianas
Charruas e Castelhanas
Vertentes vivas da raça!"
(Poesia: "China")

"Nasci no meio do campo
Na costa do banhadal
Dentro dum rancho barreado
De chão duro e desigual
Meu berço foi um pelego
Sobre um couro de bagual."
(Poesia: "Meu Rancho")


Gaudérios: É sem palavras que terminamos essa entrevista com a prenda Josi Hellem Vernetti, pois suas respostas expressam o sentimento de muitas gaúchas e gaúchos com relação ao nosso estado. Ficamos honrados em tê-la como parte do quadro Prenda do Mês pois, mesmo não sendo uma "prenda de faixa", é uma autêntica prenda gaúcha. Abraços a Todos!

Gostastes da entrevista? Então deixas teu comentário!
O Blog Gaudérios agradece!