Chimarrão E Poesia

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sábado, março 22, 2008 | , , , | 0 comentários »


Jayme Caetano Braun


O payador missioneiro
Sente o calor do braseiro
Batendo forte no rosto
E vai mastigando o gosto
Da velha infusão amarga,
Sentindo o peso da carga
Que algum ancestral comanda
Enquanto o mundo se agranda
E o coração se me alarga

Sempre a mesma liturgia
Do chimarrão do meu povo,
Há sempre um algo de novo
No clarear de um outro dia,
Parece que a geografia
Se transforma - de hora em hora
E o payador se apavora
Diante um mundo convulso
Sentindo o bárbaro impulso
De se mandar campo fora!



Muito antes da caverna
Eu penso - enquanto improviso,
Nos campos do paraíso
O patrão que nos governa,
Na sua sapiência eterna
E eterna sabedoria,
Deu o canto e a melodia
Para os pássaros e os ventos
Pra que fossem complementos
Do que chamamos poesia!

Por conseguinte - o Adão,
Já nasceu poeta inspirado,
Mesmo um tanto abarbarado
Por falta de erudição
E compôs um poema pagão
À sua rude maneira,
Para a sua companheira,
A mulher - poema beleza,
Inspirado - com certeza
Numa folha de parreira!

Os Menestréis - os Aedos,
Os Bardos - Os Rapsodos,
Poetas grandes - eles todos,
Manejando a voz e os dedos
Vão desvendando os segredos
Nas suas rudes andanças,
As violas em vez de lanças,
Harpas - flautas - bandolins,
Semeando pelos confins
As décimas e as romanzas!


Tanto os poetas orientais
Como os poetas do ocidente,
Cada qual uma vertente,
Todos eles mananciais,
Nos quatro pontos cardeais
Esparramando canções
E - no rastro das legiões
Do lusitano prefácio,
A última flor do lácio
Nos deu Luiz Vaz de Camões!

No Brasil continental
Chegaram as caravelas
E vieram junto com elas
As poesias - com Cabral,
Para um marco imemorial
Nestas florestas bravias
Perpetuando melodias
De imorredouro destaque:
Castro Alves e Bilac
E Antônio Gonçalves Dias!

Neste garrão de hemisfério
Quando a pátria amanhecia
Surgiu também a poesia
No costado do gaudério
Na pia do batistério
Das restingas e das flores
E a horda dos campeadores
Bárbara e analfabeta
Pariu o primeiro poeta
No canto dos payadores!


E foi ele - esse vaqueano
Do cenário primitivo,
Autor do poema nativo
Misto de pêlo e tutano,
De pampeiro - de minuano,
Repontando sonhos grandes;

Hidalgo - Ramiro - Hernández
El Viejo Pancho - Ascassubi
Mamando no mesmo ubre
Desde o Guaíba aos Andes!


Há uma grande variedade
De poetas no meu país,
Do mais variado matiz
Cheios de brasilidade,
De um Carlos Drummond de Andrade
Ao mais culto e ao mais fino,
Mas eu prefiro o Balbino,
Juca Ruivo e Aureliano,
Trançando de mano a mano
Com lonca de boi brasino

João Vargas - e o Vargas Neto
E o Amaro Juvenal,
Cada qual um manancial
Que ilustram qualquer dialeto,
Manuseando o alfabeto
No seu feitio mais austero,
Os discípulos de Homero
De alma grande e verso leve,
Desde sempre usando um "breve"
De ferrão de quero-quero!

Imagino enquanto escuto
Esse bárbaro lamento
Que a poesia é o som do vento
Que nunca pára um minuto,
Picumã vestiu de luto
A quincha do Santafé,
Mas nós sabemos porque é
Que o vento xucro não pára:
São suspiros da Jussara
Chamando o índio Sepé!



Chimarrão da Madrugada

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, março 21, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Essa poesia é daquelas que nos fazem realmente sentir o ambiente descrito, como se estivéssemos lá.
O chimarrão acompanha nos momentos de reunião e também naqueles momentos em que se está solito. Nesta poesia o autor descreve o início da rotina do gaúcho quando, acompanhado do cigarro de palha e do fogo de chão, ele testemunha o amanhecer.
Agradecimentos sinceros ao amigo que a enviou para nós.


Autor: Aureliano de Figueiredo Pinto

Não sei por que nesta noite
o sono velho cebruno
ergueu a clina e se foi!
E eu que arrelie ou me zangue.

Tenho olhos de ave da noite,
ouvidos de quero-quero
cordas de viola nos nervos
e uma secura no sangue.

Então, da marquesa salto
e vou direto ao galpão:
bato tição com tição
e a lavareda clareia
os caibros do galpão alto.

Já a cuia bem enxaguada,
corto um cigarro daqueles
de reacender vinte vezes
num trote de quatro léguas
de uma chasqueira troteada.

E, quando a chaleira chia,
principio um chimarrão,
mais verde e mais topetudo
do que um mate de barão.

Me estabeleço num banco
pra gozar gole e fumaça,
pitando um naco de branco.
E entre tragada e golito
saludo mui despacito
cada recuerdo que passa.

Um galo - o cochincho-mestre!
o laço desenrodilha.
E fica só com a presilha
e solta a armada bem grande
do laço de um canto largo
de sobrelombo a uma estrela.

E os outros galos-piazitos
vão atirando os lacitos
como em guachas de sinuelo.

E até um garnisé cargoso
vai reboleando orgulhoso
o soveuzito feioso
feito de couro com pêlo.

Nem relincham os cavalos!
Com brilhos de ponte-suelas,
lá em riba estão as estrelas!
Cá em baixo os cantos dos galos.

A estrela d'alva trabalha
na imensidão da hora morta:
- ou num perfil de medalha
ou a maiúscula inicial
sobre a prata de um punhal
que ainda há de sangrar o dia.

E a "Nova" ao largo se corta,
magra, esquilada, arredia,
empurrando a guampa torta
contra o ventito do Sul,
como num campo de azul,
a ovelha chamando a cria.

Solito, perto do fogo,
como um bugre imaginando,
escuto o Tempo rodando
sem descobrir o seu jogo.

O perro Baio-coleira
faz que cochila... E abre os olhos,
a espaços, regularmente.
E me fixa os olhos claros
como um amigo, dos raros,
cuidando do amigo doente.

É um gosto olhar os brasidos
E os luxos das lavaredas
dançando rendas e sedas
para a ilusão dos sentidos.
E entre o amargo e a tragada
tranqueiam na madrugada
tantos recuerdos perdidos.

E o chimarrão macanudo
vai entrando pelo sangue!
Vai melhorando as macetas,
curando as juntas doridas
como água arisca de sanga
sobre loncas ressequidas.

O peito avoluma e arqueia
como cogote de potro.
E as ventas se abrem gulosas
por cheiro de madrugada.
- Potrilhos em disparada
num Setembro de alvoroto.

Ah... sangue velho descubro
Porque hoje estas de vigilia
Três seculos de fronteira
De madrugadas campeiras
De velhas guardas guerreira
Floreando o Pampa em coxilha

Por isso é que hoje não dormes
Ouviste a voz de ancestrais
O chimarrão principia
Alerta, o campo vigia
Da meia noite pro dia
Um taura não dorme mais.

Festivais do Mês de Março

Postado por Mauro dos Reis | sábado, março 15, 2008 | , , , | 0 comentários »

07 a 09
REPONTE DA CANÇÃO - SÃO LOURENÇO DO SUL – 196 km de POA
SECRETARIA DE TURISMO INDUSTRIA E COMÉRCIO
Inf. Srª Joice Adriane Kaul (53) 3251-3002

22, 28 a 30
CANTO DA LAGOA - ENCANTADO – 132 km de POA
SECRETARIA DA INDUSTRIA , COMÉRCIO E TURISMO
Inf.: (51) 3751-3400 e 3751-3290– Fax:3751-3050
E.mail – indcom@encantado-rs.br Site www.cantodalagoa.com.br

27 a 30
CANTO MISSIONEIRO DA MÚSICA NATIVA – SANTO ANGELO – 455 km – de POA
Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Juventude
Inf.: André Kryszczun ou Leoveral Soares fone:, (55) 3312 0100

Férias gaúchas...

Postado por Djeine A. Dalla Corte | quinta-feira, março 13, 2008 | , | 0 comentários »



Existem muitas opções de férias, lugares interessantes para se visitar, porém nós adoramos ir passear no sítio ou chácara, acampar na beira do rio aproveitando a natureza, o que aliás faz muita falta, principalmente para quem vive na cidade.

Então, resolvi postar algumas fotos que tiramos nas férias em Ijuí-RS, bem como em cidades vizinhas:


Está ai um ótimo gaiteiro... http://www.minhagaita.blogspot.com/

Essa é daqueles porongos que o pessoal usa pendurado nas árvores para os passarinhos fazerem ninho. Não pensem que foi fácil tirar essa foto, os pais dos bichinhos não deixavam ninguém se aproximar. Não foi por sorte, mas por persistência. Parabéns ao Mauro pela belíssima foto!




Quem conhece o interior do Rio Grande do Sul tenho certeza que terá boas lembranças a partir dessas fotos.

Taquaral muito antigo, várias gerações de nossa família já brincaram ai...

Térmica e cuia, o chimarrão vai onde o gaúcho está...

Mais uma do Mauro, ele está ficando bom nisso... Belas flores!

Essa árvore é histórica, traz muitas lembranças...

Plantação vista do alto.


E como não poderia deixar de ser, um belo pôr-de-sol para concluir...