Texto de autoria da Prenda do Mês de Março

Postado por Djeine A. Dalla Corte | sexta-feira, março 06, 2009 | , | 0 comentários »

Texto de autoria da Prenda do Mês de Março - Josi Hellem Vernetti.

Aos leitores do Blog Gaudérios, adianto que se trata de uma bela declaração de amor, tanto ao companheiro de nossa prenda Josi Hellem, como ao próprio estado do Rio Grande do Sul.

Em suas próprias palavras, são "...versos campeiros de minha autoria em homenagem a meu paysano Daniel."


O gaúcho mais Taura do RS!!!!


Ele tem a faca mais gaúcha que estes pampas já viu!

A estampa mais campeira e tradicional!

O sorriso que adelgaça auroras!

Filho do pago, que ama e zela esta terra.

A voz que invade a escuridão da noite repontando que o dia vem nascendo e que já é chegada a hora da lida!

Cevo o mate pra ti meu peão estancieiro, forte, macanudo, peão que leva a vida na ponta do laço, na laçada do tempo o nó que não se desata e nele o sonho alçado.

Este gaúcho, que lusitano leva nas veias sangue crioulo, caudilho, farrapo...

Se vivestes naquelas épocas de revolução farroupilha certamente serias lembrado por tamanha bravura e mais certo como o pasto que se renova ao beber da sangria, teu nome estaria escrito em rastros de glória e liberdade no chão e no céu do nosso pampa.

Taura, pra ti que estampa a simplicidade de um trabalhador, um peãozito das voltas das casas e ao mesmo tempo a realeza e altivez do señor patrão das terras, que sabe o valor das pequenas coisas sem desfazer daquelas de magnitude que jogo ao vento minha devoção e respeito.

Tens sobre tua cabeça a ponta do pala do patrão velho lá do galpão maior, e sobre ti foi lançado os seus olhos, que te aquerenciam e guardam dos pealos, da cerca e dos caminhos de chão desigual que pisas diariamente com tuas botas garronudas..., e todos os rayutos del sol que iluminam teu andar...

Se eu humilde xirua tenho um pedido ao meu patrão maior, a ele peço então que nunca te deixe faltar esse brilho cor-de-pasto que ele te deu de regalo.

Taura é de aprofundamento que este coração já judiado pelo tempo e circustâncias, mas que ao te mirar se bota a bailar ao som de uma chacarerita, deixa aqui neste teu galpão virtual, como tu mesmo costumeiramente diz, estas singelas palavras, que não dizem quase nada ao mesmo tempo que palanqueia quase tudo!

Quase porque minha sabedoria interiorana não me permite alegar aqui o que deveramente mereces ser dito de ti.

Toma de mim prenda arrinconada em teus persoelos, todo o meu cariño, todo o amor que não cabe mais na casa grande do coração, e tens em mim que nada sou, uma companheira de mate, de lida, de doma, de campo, de cavalgadas no chuvisco da manhã cedita, fria e escura, companheira de casco, de caça, de charlas galponeiras madrugadas a fora, companheira de bailongos e sarandeios e também xirua pra teus carinhos e vontades arrodijados em teus pelegos.

Tu domas um bocudo por dia, nunca vi gaúcho que agüentasse esse tirão, porque sujeitar redomão não é pra qualquer braço.

De soslaio te fito e nessa cancha reta da vida me vou de tiro ao teu lado carrera e esbarro, mas sem nunca afloxar nenhum tento porque se aprendi algo das lições que tua sapiência me deu foi que, até se falqueja as vezes mas que nunca se achica assim no más e que tanto faz o trote deste pingo o importante é ele chegar no destino que se queres em paz.

Não é a toa que Deus marca a ferro de fogo lá no céu os que aqui na terra tem cruzada definitiva e deles faz semente nativa para perpetuar a tradição incontida no sul desse mundão infame, mas que se faz de inflame o amor e convicção por esta pátria gaúcha de amores campesinos, de luar prateado e de milongas apaixonadas!

Que tu seja o patrão do nosso rancho, e que eu possa ser prenda muy hermosa e útil as honrarias da tua casa!

Muito orgulho em ser tua Xirua amada, e tu meu Taura amado!

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