Poesia: PROSA DOS LENÇOS

Postado por Djeine A. Dalla Corte | segunda-feira, março 22, 2010 | 0 comentários »

Autor : João Panteleão Gonçalves Leite
Vencedora do 23º Caríjo da Canção de Palmeira das Missões.

O nosso lenço campeiro, velho parceiro de luta,
Simboliza as tradições dos tempos da vida bruta,
É uma herança partidária que campeou seu ideal,
Testemunho da história, desse “Rio Grande Bagual”.

O meu lenço foi tingido com sangue dos farroupilhas,
Peleou dez anos a fio, nas mais sangrentas guerrilhas,
Osteando a valentia da nossa raça caudilha,
Implantou a liberdade no lombo dessas coxilhas.

Meu lenço Republicano, nasceu branco “Castilhista”,
Foi um bravo nas peleias, foi soberbo na conquista,
Governou a ferro e fogo, com “Norma Positivista”,
Não cedendo aos “Maragatos” o poder Federalista.

O meu lenço “Maragato”, Liberal Federalista,
Em noventa e três foi guerreiro, foi tribuna ativista,
Peleou contra o lenço branco dos Pica-Paus Legalistas
E se fez “libertador” combatendo os “Castilhistas”

O nosso lenço campeiro, traz cheio de campo e céu,
Aquerenciou no gaúcho entre bombacha e o chapéu,
Um gaúcho bem pilchado, estampa simplicidade,
Mas sem lenço no pescoço perde sua identidade;
Tremulando aos quatro ventos, o lenço se fez canção,
Se expandiu Brasil afora, é gaúcho em qualquer chão.

Meu lenço branco “Borgista”, governou mais de uma vez.
Foi batizado “Chimango” nas urnas de vinte três,
Contendor de Assis Brasil o “Maragato Caudilho”,
Meu lenço se fez história, passando de pai pra filho.

Meu lenço cinza xadrez, o “Carijó” companheiro,
Nunca foi politiqueiro e nem provoca alvoroço,
Vai conforme o vento vai, não fica comprometido,
Não faz parte de partido e nem escolhe pescoço.

Se o vermelho é “Maragato” e o lenço branco, “Chimango”,
O Preto é luto, respeito, este não vai à fandango,
É gaúcho igual aos outros, de bombacha, espora mango!
Procedência Castelhana lá da Província do Tango

Os lenços entrelaçaram, fazendo a Pátria tremer,
A cavalo eles levaram, “Getulio Vargas” ao poder!

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