A história da Panela de Carreteiro de Noel Guarany.

Postado por Unknown | quinta-feira, novembro 27, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Leia a emocionante história da panela de carreteiro dada pelo pai do Pedro Ortaça ao Noel Guarany, o qual, como prova da grande amizade que sentia, a deu como presente para o Jayme Caetano Braun. O desfecho comovente desta história envolvendo grandes expoentes da música e poesia gaúchas, você lê no texto abaixo. Esta história, foi publicada originalmente no Jornal da Região e enviada pelo senhor Savio Moura de São Luiz Gonzaga ao nosso amigo Hilton Luiz Araldi.


Jornal da Região
São Luiz Gonzaga, 15 e 16 de novembro de 2008
Bossoroca


Recuperada, panela de carreteiro, que foi de Noel Guarany, já faz, parte de seu acervo.
Após uma longa procura, Bossoroca conseguiu fazer o resgate da ‘panela de carreteiro’ que pertenceu a Noel Guarany. Essa peça estava sob a guarda da família de Jayme Caetano Braun, mas ultimamente quem tinha a sua posse era o cidadão Dilton Osmar Alves dos Santos, conhecido como “Bombachudo”.

A prof.ª Maria Júlia Ferreira Honn foi quem o colocou a par da longa procura dessa panela, visando cumprir o desejo do próprio Jayme de devolvê-la a seu dono. Maria Júlia elogiou a capacidade de compreensão e a consciência cultural de Dilton dos Santos, pois ao tomar conhecimento do caso, disse: “É com imenso prazer que recambeio esta panela para o acervo do Município de Bossoroca, compreendo o seu valor histórico”. É interessante acrescentar que essa panela foi oferecida como presente a Noel Guarany, pelo pai do Pedro Ortaça.

A prof. Maria Júlia Ferreira Honn, que trabalha na organização da nova edição do “Tributo a Noel Guarany”, promoção da Prefeitura de Bossoroca, disse que “são atitudes de desprendimento deste tipo que engrandecem a cultura do RS”. Maria Júlia também tornou público pedido para quem tenha a posse de objetos que pertenceram a Noel Guarany, que os envie à Prefeitura de Bossoroca, para enriquecer o acervo que está sendo montado no “Espaço Noel Guarany”. Nesse local já estão expostos diversos objetos que pertenceram ao grande intérprete e letrista. Inclusive, na pasta onde guardava os originais das suas composições, foi encontrado o original da “Milonga da Panela”, de autoria de Jayme Caetano Braun, onde manifesta o desejo de Noel, após ter um neto, obter novamente a posse da panela. “Missão cumprida”, disse a prof. Maria Júlia. A seguir, o poema:

Milonga da Panela

Panela de carreteiro,
dos tempos da monarquia
em constante romaria,
no velho pago campeiro,
regalo de um missioneiro
que me ofertou – de presente,
mas agora – indiferente,
a uma amizade sadia,
vive a sonhar – noite e dia,
chorando a panela ausente!
Maestro dos veteranos
da nossa canção bravia!
uma panela vazia,
não vale teus desenganos!
deixa isso pra os profanos
que a nossa história revela.
Guarani – a vida é tão bela,
em nossa terra baguala,
pra que gastar tanta fala
por causa de uma panela?
Larga de mão – eu te peço,
da idéia de entrar em juízo,
termina dando prejuízo,
só com as custas do processo,
o tempo aponta o progresso,
já sem relincho nem berro;
podes errar – como eu erro,
continuando desunidos
e nós dois sermos cozidos,
nessa panela de ferro!
Os três pés dessa marmita,
queimada – de casca escura,
são – na verdade – a estrutura
da nossa terra jesuíta,
por isso bugre – acredita,
na fala deste mestiço;
– canta – e não pensa mais nisso,
deixa que durma o passado,
o Pedro Ortaça é o culpado
de todo esse rebuliço!

Fica a panela comigo,
pois dela tenho usufruto,
cada segundo e minuto,
lembranças do tempo antigo
e – se não falo contigo,
por causa de uma querela,
caso eu estique a canela,
já está gravado o decreto:
– quando tiveres um neto,
manda buscar a panela!

Jayme Caetano Braun
Viamão - RS

Noel Guarany - Potro Sem Dono

Postado por Unknown | terça-feira, outubro 07, 2008 | , , | 0 comentários »


A sede de liberdade rebenta a soga do potro
Que parte em busca do pago e num galope dispara
Rasgando a coxilha ao meio
Mordendo o vento na cara.....

Bebe o horizonte nos olhos, empurra a terra pra trás.
Já vai bem longe a figura, mostra o caminho tenaz.
A humanidade sofrida,
Que luta em busca da paz.

Vai potro sem dono, vai livre como eu.

Se a morte lhe faz negaça,
Joga a vida com a sorte.
Desprezando a própria morte,
Não se prende a preconceito.
Nem mata a sede com farsa,
Leva o destino no peito.

Na seiva da madrugada,
Vai florescendo a canção.
Aquece o fogo de chão,
Enxuga meu pranto de ausência,
Nesta guitarra campeira,
Velho clarim da querência.

Breve resumo da vida e da obra de Noel Guarany:

1941 – Nasce em Bossoroca
1960 – Começa a percorrer países da América Latina
1968 – Apresenta um programa na Rádio São Luiz, em São Luiz Gonzaga
1970 – Lança, com Cenair Maicá, um compacto com as músicas Filosofia de Andejo e Romance do Pala Velho
1971 – Disco Legendas Missioneiras
1973 – Disco Destino Missioneiro
1975 – Participa do disco Música Popular do Sul e lança o álbum LP sem Fronteiras
1976 – Lança, na Argentina, o disco independente Payador, Pampa e Guitarra
1977 – Disco Noel Guarany Canta Aureliano Figueiredo Pinto
1979 – Disco De Pulperia
1980 – Disco Alma, Garra e Melodia
1982 – Disco Para o que Olha sem Ver
1988 – Disco A Volta do Missioneiro
1998 – Morre aos 56 anos, em Santa Maria