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Califórnia da Canção Nativa

Postado por msr4k | domingo, maio 11, 2014 | , , , , , , | 0 comentários »


A Califórnia da Canção Nativa é o maior evento musical que celebra a cultura  regional do Brasil, teve início em 1971 na cidade de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. O prêmio máximo da Califórnia é a Calandra de Ouro (Figura 1). A lista completa das canções vencedoras da Califórnia da Canção Nativa pode ser vista na lista abaixo.

Figura 1 - Calandra de Ouro1.

Canções vencedoras da Califórnia da Canção Nativa2



  • 1971 - Reflexão (Colmar Duarte e Júlio da Silva Filho)
  • 1972 - Pedro Guará (Cláudio Boeira Garcia e José Cláudio Machado)
  • 1973 - Canto de Morte de Gaudêncio Sete Luas (Luiz Coronel e Marco Vasconcelos)
  • 1974 - Canção dos Arrozais (José Hilário Retamozzo)
  • 1975 - Roda Canto (Aparício Silva Rillo e Mario Barbará)
  • 1976 - Um Canto para o Dia (Ernani Amaro Oliveira)
  • 1977 - Negro da Gaita (Gilberto Carvalho e Airton Pimentel)
  • 1978 - Pássaro Perdido (Gilberto Carvalho e Marco Aurélio Vasconcelos)
  • 1979 - Esquilador (Telmo de Lima Freitas)
  • 1980 - Veterano (Antonio Augusto Ferreira e Everton dos Anjos Ferreira) - interpretado por Leopoldo Rassier
  • 1981 - Desgarrados (Sérgio Napp e Mario Barbará)
  • 1982 - Tertúlia (Leonardo)
  • 1983 - Guri (João Batista Machado e Júlio Machado da Silva Neto)
  • 1984 - O Grito dos Livres (José Fernando Gonzales)
  • 1985 - Astro Aragano (Jerônimo Jardim)
  • 1986 - Tropeiro do Futuro (Armando Vasquez e Adão Quintana Vieira)
  • 1987 - Pampa Pietá (Dilan Camargo e Newton Bastos)
  • 1988 - Toada de Mango (Mauro Ferreira e Elton Saldanha)
  • 1989 - Mandala das Esporas (Vaine Darde e Elton Saldanha)
  • 1990 - Mostra das Composições Antológicas dos Vinte Anos
  • 1991 - Florêncio Guerra e seu Cavalo (Mauro Ferreira e Luiz Carlos Borges)
  • 1992 - O Minuano e o Poeta (Louro Simões e Clóvis de Souza)
  • 1993 - Domador dos Sesmarias (Elmo de Freitas)
  • 1994 - Milonga-me (Vinícius Brum)
  • 1995 - Querências (Silvio Aymone Genro e Getúlio Rodrigues)
  • 1996 - Canto e Reflexão para a Província (Sérgio Rojas)
  • 1997 - O Forasteiro (Vinicius Brum, Mauro Ferreiro e Luiz Carlos Borges)
  • 1998 - O Nada, (Rodrigo Bauer e Chico Saratt)
  • 1999 - Poema Não Escrito (Tadeu Marfins e Lenin Nuñes)
  • 2001 - Rastros de Ausência (Adão Quevedo e Mauro Marques)
  • 2002 - Feito o Carreto (Mauro Moraes)
  • 2003 - Laçador de Barro (Antônio Augusto Ferreira/Mauro Ferreira e Luiz Carlos Borges) – interpretado por João de Almeida Neto
  • 2004 - Muchas Gracias (Gujo Teixeira e Pirisca Grecco) , interpretado por Pirisca Grecco
  • 2005 - Com os pés fincados no chão (Zeca Alves, Pirisca Grecco e Ricardo Martins) - interpretado por Pirisca Grecco
  • 2007 - Céu na terra, pelo rio (Tadeu Martins e Lenin Nuñes) - interpretado por Maurício Barcellos
  • 2009 - A sanga do Pedro Lira (Demétrio Xavier e Marco Aurélio Vasconcellos) – interpretada por Marco Aurélio Vasconcellos
  • 2013 - Petiço Mapa-Múndi (Rafael Ovídio da Costa Gomes, Fernando Saldanha Filho, Pedro Ribas e César Sntos) – interpretada por César Santos

Referência



O Negrinho do Pastoreio - João Simões Lopes Neto

Postado por Unknown | quarta-feira, dezembro 17, 2008 | , , , | 0 comentários »

É bem conhecida dos gaúchos a história do negrinho judiado por seu patrão e que, ao perder a tropilha de tordilhos, é jogado ao formigueiro para ser devorado pelas formigas. Na procura dos cavalos porém, ele conta com a ajuda da sua madrinha, Nossa Senhora, a qual faz com que cada pingo do toco de vela que ele carrega vire uma nova luz e lhe dá para a eternidade, o baio e a tropilha de tordilhos. Até hoje, ao perder algo importante, se acende uma vela ao negrinho pedindo ajuda na procura.

Bem, muitas versões já foram escritas e eu não me atrevo a tentar fazer uma nova, não depois de ler esta de João Simões Lopes Neto, que usa os termos de nosso vocabulário gaudério, muitos que nós nem usamos mais e que correm o risco de serem esquecidos pelas novas gerações.

Então, sem mais rodeios, o Gaudérios traz o texto "O Negrinho do Pastoreio", encantem-se:

***

Do livro "Contos Gauchescos e Lendas do Sul"
Autor: João Simões Lopes Neto


O NEGRINHO DO PASTOREIO

NAQUELE TEMPO os campos ainda eram abertos, não havia entre eles nem divisas nem cercas; somente nas volteadas se apanhava a gadaria xucra e os veados e as avestruzes corriam sem empecilhos...

Era uma vez um estancieiro, que tinha uma ponta de surrões cheios de onças e meias-doblas e mais muita prataria; porém era muito cauíla e muito mau, muito.

Não dava pousada a ninguém, não emprestava um cavalo a um andante; no inverno o fogo da sua casa não fazia brasas; as geadas e o minuano podiam entanguir gente, que a sua porta não se abria; no verão a sombra dos seus umbus só abrigava os cachorros; e ninguém de fora bebia água das suas cacimbas.

Mas também quando tinha serviço na estância, ninguém vinha de vontade dar-lhe um ajutório; e a campeirada folheira não gostava de conchavar-se com ele, porque o homem só dava para comer um churrasco de tourito magro, farinha grossa e erva-caúna e nem um naco de fumo… e tudo, debaixo de tanta somiticaria e choradeira, que parecia que era o seu próprio couro que ele estava lonqueando...

Só para três viventes ele olhava nos olhos: era para o filho, menino cargoso como uma mosca, para um baio cabos-negros, que era o seu parelheiro de confiança, e para um escravo, pequeno ainda, muito bonitinho e preto como carvão e a quem todos chamavam somente o — Negrinho.

A este não deram padrinhos nem nome; por isso o Negrinho se dizia afilhado da Virgem, Senhora Nossa, que é a madrinha de quem não a tem.

Todas as madrugadas o Negrinho galopeava o parelheiro baio; depois conduzia os avios do chimarrão e à tarde sofria os maus tratos do menino, que o judiava e se ria.

***

Um dia depois de muitas negaças, o estancieiro atou carreira com um seu vizinho. Este queria que a parada fosse para os pobres; o outro que não, que não! que a parada devia ser do dono do cavalo que ganhasse. E trataram: o tiro era trinta quadras, a parada, mil onças de ouro. No dia aprazado, na cancha da carreira havia gente como em festa de santo grande.

Erva-Caúna – Variedade de mate, de qualidade inferior, e amargo.

Cacimbas – nascente d´aua – olho d´agua.

Onças – aqui, moeda da época.

Entre os dois parelheiros, a gauchada não sabia se decidir, tão perfeito era e bem lançado cada um dos animais. Do baio era fama que quando corria, corria tanto, que o vento assobiava-lhe nas crinas; tanto, que só se ouvia o barulho, mas não lhe viam as patas baterem no chão... E do mouro
era voz que quanto mais cancha, mais agüente e que desde a largada ele ia ser como um laço que se arrebenta...

As parcerias abriram as guaiacas, e aí no mais já se apostavam aperos contra rebanhos e redomões contra lenços.

—Pelo baio! Luz e doble!…

—Pelo mouro! Doble e luz!...

Os corredores fizeram as suas partidas à vontade e depois as obrigadas; e quando foi na última, fizeram ambos a sua senha e se convidaram. E amagando o corpo, de rebenque no ar, largaram, os parelheiros meneando cascos, que parecia uma tormenta...

— Empate! Empate! — gritavam os aficionados ao longo da cancha por onde passava a parelha veloz, compassada como numa colhera.

— Valha-me a Virgem madrinha, Nossa Senhora! — gemia o Negrinho.

— Se o sete-léguas perde, o meu senhor me mata! hip! hip! hip!...

E baixava o rebenque, cobrindo a marca do baio.

— Se o corta-vento ganhar é só para os pobres!... retrucava o outro corredor. Hip! hip!

E cerrava as esporas no mouro.

Mas os fletes corriam, compassados como numa colhera, Quando foi na última quadra, o mouro vinha arrematado e o baio vinha aos tirões… mas sempre juntos, sempre emparelhados.

E a duas braças da raia, quase em cima do laço, o baio assentou de supetão, pôs-se em pé e fez uma caravolta, de modo que deu ao mouro tempo mais que preciso para passar, ganhando de luz aberta! E o Negrinho, de em pêlo, agarrou-se como um ginetaço.

— Foi mau jogo! — gritava o estancieiro.

— Mau jogo! — secundavam os outros da sua parceria.

A gauchada estava dividida no julgamento da carreira; mais de um torena coçou o punho da adaga, mais de um desapresilhou a pistola, mais de um virou as esporas para o peito do pé... Mas o juiz, que era um velho do tempo da guerra de Sepé-Tíaraju, era um juiz macanudo, que já tinha visto muito mundo. Abanando a cabeça branca sentenciou, para todos ouvirem:

— Foi na lei! A carreira é de parada morta; perdeu o cavalo baio, ganhou o cavalo mouro, Quem perdeu, que pague. Eu perdi cem gateadas; quem as ganhou venha buscá-las. Foi na lei!

Não havia o que alegar. Despeitado e furioso, o estancieiro pagou a parada, à vista de todos, atirando as mil onças de ouro sobre o poncho do seu contrário, estendido no chão.

Torena – indivíduo forte valente, destemido.

E foi um alegrão por aqueles pagos, porque logo o ganhador mandou distribuir tambeiros e leiteiras, côvados de baeta e baguais e deu o resto, de mota, ao pobrerio. Depois as carreiras seguiram com os changueiritos que havia.

***

O estancieiro retirou-se para a sua casa e veio pensando, pensando calado, em todo o caminho. A cara dele vinha lisa, mas o coração vinha corcoveando como touro de banhado laçado a meia espalda… O trompaço das mil onças tinha-lhe arrebentado a alma.

E conforme apeou-se, da mesma vereda mandou amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho.

Na madrugada saiu com ele e quando chegou no alto da coxilha falou assim:

— Trinta quadras tinha a cancha da carreira que tu perdeste: trinta dias ficarás aqui pastoreando a minha tropilha de trinta tordilhos negros... O baio fica de piquete na soga e tu ficarás de estaca!

O Negrinho começou a chorar, enquanto os cavalos iam pastando.

Veio o sol, veio o vento, veio a chuva, veio a noite. O Negrinho, varado de fome e já sem força nas mãos, enleou a soga num pulso e deitou-se encostado a um cupim.

Vieram então as corujas e fizeram roda, voando, paradas no ar, e todas olhavam-no com os olhos reluzentes, amarelos na escuridão. E uma piou e todas piaram, como rindo-se dele, paradas no ar, sem barulho nas asas.

O Negrinho tremia, de medo... porém de repente pensou na sua madrinha Nossa Senhora e sossegou e dormiu.

E dormiu. Era já tarde da noite, iam passando as estrelas; o Cruzeiro apareceu, subiu e passou; passaram as Três-Marias: a estrela-d'alva subiu...

Então vieram os guaraxains ladrões e farejaram o Negrinho e cortaram a guasca da soga. O baio sentindo-se solto rufou a galope, e toda a tropilha com ele, escaramuçando no escuro e desguaritando-se nas canhadas.

O tropel acordou o Negrinho; os guaraxains fugiram, dando berros de escárnio. Os galos estavam cantando, mas nem o céu nem as barras do dia se enxergava: era a cerração que tapava tudo.

E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou.

***

O menino maleva foi lá e veio dizer ao pai que os cavalos não estavam.

O estancieiro mandou outra vez amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho.

E quando era já noite fechada ordenou-lhe que fosse campear o perdido. Rengueando, chorando e gemendo, o Negrinho pensou na sua madrinha Nossa Senhora e foi ao oratório da casa, tomou o coto de vela acesa em frente da imagem e saiu para o campo.

Por coxilhas e canhadas, na beira dos lagoões, nos paradeiros e nas restingas, por onde o Negrinho ia passando, a vela benta ia pingando cera no chão; e de cada pingo nascia uma nova luz, e já eram tantas que clareavam tudo. O gado ficou deitado, os touros não escarvaram a terra e as manadas xucras não dispararam... Quando os galos estavam cantando, como na véspera, os cavalos relincharam todos juntos. O Negrinho montou no baio e tocou por diante a tropilha, até a coxilha que o seu senhor lhe marcara.

E assim o Negrinho achou o pastoreio. E se riu...

Gemendo, gemendo, o Negrinho deitou-se encostado ao cupim e no mesmo instante apagaram-se as luzes todas; e sonhando com a Virgem, sua madrinha, o Negrinho dormiu. E não apareceram nem as corujas agoureiras nem os guaraxains ladrões; porém pior do que os bichos maus, ao clarear o dia veio o menino, filho do estancieiro e enxotou os cavalos, que se dispersaram, disparando campo fora, retouçando e desguaritando-se nas canhadas.

O tropel acordou o Negrinho e o menino maleva foi dizer ao seu pai que os cavalos não estavam lá...

E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou...

***

O estancieiro mandou outra vez amarrar o Negrinho pelos pulsos, a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho... dar-lhe até ele não mais chorar nem bulir, com as carnes recortadas, o sangue vivo escorrendo do corpo… O Negrinho chamou pela Virgem sua madrinha e Senhora Nossa, deu um suspiro triste, que chorou no ar como uma música, e pareceu que morreu...

E como já era noite e para não gastar a enxada em fazer uma cova, o estancieiro mandou atirar o corpo do Negrinho na panela de um formigueiro, que era para as formigas devorarem-lhe a carne e o sangue e os ossos... E assanhou bem as formigas, e quando elas, raivosas, cobriam todo o corpo do Negrinho e começaram a trincá-la é que então ele se foi embora, sem olhar para trás.

Nessa noite o estancieiro sonhou que ele era ele mesmo, mil vezes e que tinha mil filhos e mil negrinhos, mil cavalos baios e mil vezes mil onças de ouro… e que tudo isto cabia folgado dentro de um formigueiro pequeno...

Caiu a serenada silenciosa e molhou os pastos, as asas dos pássaros e a casca das frutas.

Coto – pedaço; mesmo que toco.

Passou a noite de Deus e veio a manhã e o sol encoberto. E três dias houve cerração forte, e três noites o estancieiro teve o mesmo sonho.

***

A peonada bateu o campo, porém ninguém achou a tropilha e nem rastro.

Então o senhor foi ao formigueiro, para ver o que restava do corpo do escravo.

Qual não foi o seu grande espanto, quando chegado perto, viu na boca do formigueiro o Negrinho de pé, com a pele lisa, perfeita, sacudindo de si as formigas que o cobriam ainda!... O Negrinho, de pé, e ali ao lado, o cavalo baio e ali junto a tropilha dos trinta tordilhos... e fazendo-lhe frente, de guarda ao mesquinho, o estancieiro viu a madrinha dos que não a têm, viu a Virgem, Nossa Senhora, tão serena, pousada na terra, mas mostrando que estava no céu... Quando tal viu, o senhor caiu de joelhos diante do escravo.

E o Negrinho, sarado e risonho, pulando de em pêlo e sem rédeas; no baio, chupou o beiço e tocou a tropilha a galope.

E assim o Negrinho pela última vez achou o pastoreio. E não chorou, e nem se riu.

***

Correu no vizindário a nova do fadário e da triste morte do Negrinho, devorado na panela do formigueiro.

Porém logo, de perto e de longe, de todos os rumos do vento, começaram a vir notícias de um caso que parecia um milagre novo...

E era, que os posteiros e os andantes, os que dormiam sob as palhas dos ranchos e os que dormiam na cama das macegas, os chasques que cortavam por atalhos e os tropeiros que vinham pelas estradas, mascates e carreteiros, todos davam notícia — da mesma hora — de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, gineteando de em pêlo, em um cavalo baio!…

Então, muitos acenderam velas e rezaram o Padre Nosso pela alma do judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma cousa, o que fosse, pela noite velha o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar da sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o remiu e salvou e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver.

***

Todos os anos, durante três dias, o Negrinho, desaparece: está metido em algum formigueiro grande, fazendo visita às formigas, suas amigas; a sua tropilha esparrama-se, e um aqui, outro por. lá, os seus cavalos retouçam nas manadas das estâncias. Mas ao nascer do sol do terceiro dia, o baio relincha. perto do seu ginete; o Negrinho monta-o e vai fazer a sua recolhida; é quando nas estâncias acontece a disparada das cavalhadas e a gente olha, olha, e não vê ninguém, nem na ponta, nem na culatra.

***

Desde então e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, sarado e risonho, cruza os campos, corta os macegais, bandeia as restingas, desponta os banhados, vara os arroios, sobe as coxilhas e desce às canhadas.

O Negrinho anda sempre à procura dos objetos perdidos, pondo-os de jeito a serem achados pelos seus donos, quando estes acendem um coto de vela, cuja luz ele leva para o altar da Virgem Senhora Nossa, madrinha dos que não a têm.

Quem perder suas prendas no campo, guarde esperança: junto de algum moirão ou sob os ramos das árvores, acenda uma vela para o Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo —Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Foi por ai que eu perdi!...

Se ele não achar… ninguém mais.

Culatra – Retaguarda de um rebanho.

Prendas – Jóias. Algo que se preza.

LEI Nº 8.814, DE 10 DE JANEIRO DE 1989.

Postado por Unknown | segunda-feira, dezembro 08, 2008 | , , | 0 comentários »


Fixa o dia 04 de dezembro como o "DIA DO POETA REPENTISTA GAÚCHO e do ARTISTA REGIONAL GAÚCHO", no Estado do Rio Grande do Sul.

DEPUTADO ALGIR LORENZON, Presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.

Faço saber, em cumprimento ao disposto no § 5º do artigo 37 da Constituição do Estado, que a Assembléia Legislativa decretou e eu promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º - Fica estipulado o dia quatro (04) de dezembro como efeméride dedicada à pública homenagem ao poeta repentista gaúcho e ao artista regionalista gaúcho, no Estado do Rio Grande do Sul.

Art. 2º - As comemorações oficiais ficarão a cargo do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore - IGTF.

Art. 3º - Consagra GILDO DE FREITAS (Leovegildo José de Freitas), falecido a 04 de dezembro de 1982, patrono do poeta repentista gaúcho e TEIXEIRINHA (Victor Matheus Teixeira), falecido a 04 de dezembro de 1985, patrono do artista regionalista gaúcho.

Art. 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário.



ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO, em Porto Alegre, 10 de janeiro de 1989.

Prenda do mês de Dezembro - Liriane Dos Santos

Postado por msr4k | segunda-feira, dezembro 01, 2008 | , , , , , | 0 comentários »


Gaudérios: Tu és natural de que cidade? Falas um pouco de ti e de tuas raízes (como seu meio de convívio, familiares e amigos, influenciaram seu interesse pela cultura gaúcha?).

Primeiramente eu gostaria de agradecer o convite do blog Gaudérios para esta entrevista.

Bem, me chamo Liriane Dos Santos, tenho 17 anos, sou natural de Itaqui, fronteira oeste do estado, mas moro em Alvorada desde os meus seis anos. Meus pais sempre freqüentaram CTGs, antes mesmo de começar a andar e falar eu já usava vestidos de prenda e freqüentava os bailes da minha cidade natal, mas o interesse pela cultura gaúcha veio mesmo depois de estar morando algum tempo aqui em Alvorada quando resolvi entrar para a invernada juvenil do CTG Amaranto Pereira (CTG que represento até hoje), em 2005.

Após meu ingresso na invernada juvenil veio o convite para participar do concurso interno de prendas, até então não conhecia praticamente nada da cultura gaúcha, mas graças ao apoio de amigos, dos meus pais e do então Diretor Cultural o Sr.Adair Rocha, o tio Adair, eu recebi a faixa de 2ª Prenda Adulta em 2006.

Gaudérios: Qual a relação que tens com a tradição Gaúcha atualmente?

Atualmente sou a 1ª Prenda do meu CTG, o Amaranto Pereira, e também sou a Prenda Farroupilha do município de Alvorada. (Entrevista concedida em Junho de 2008.)
Também danço atualmente na invernada adulta do meu CTG.



Gaudérios: Participaste de um concurso de prendas, poderias falar como foi o concurso, quais habilidades a prenda precisa demonstrar? Conte-nos um pouco sobre o que aconteceu nos bastidores (dificuldades e alegrias).

Nesta curta vivência tradicionalista que tenho já participei de três concursos de prendas, sendo eles: dois concursos internos e o concurso de prenda farroupilha.

O concurso interno é dividido em quatro partes: Prova escrita, Mostra Folclórica, Prova Oral e Prova Artística.

Na prova escrita são avaliados conhecimentos de história e geografia do RGS e também conhecimentos sobre tradicionalismo, folclore e tradição.

Na mostra folclórica é feito um resgate de algum tema pré-definido como por exemplo: lendas, festas, folguedos, religiosidade e artesanato. Em 2007, por exemplo, o tema da mostra folclórica do meu CTG foi artesanato com materiais recicláveis.

Na prova oral a prenda deve discorrer espontaneamente sobre um tema sorteado, podendo este tema ser sobre história, geografia, tradição, tradicionalismo e folclore.

Na prova artística a prenda deve dançar uma dança tradicional e uma dança de salão, além de escolher entre tocar um instrumento musical, cantar ou declamar.

No concurso de Prenda Farroupilha do município além dessas provas a prenda também deve demonstrar conhecimento sobre a história e a geografia do seu município.

Graças ao apoio dos meus pais, dos meus amigos e da patronagem do meu CTG eu não tive muitas dificuldades em meus concursos, sempre dá aquele nervosismo, mas a alegria de estar representando o meu CTG e o apoio dos meus amigos faz valer a pena todo o nervosismo.

Gaudérios: O que gostarias de dizer para as prendas que estão iniciando na tradição, ou até mesmo para aquelas que já participam de eventos tradicionalistas, em relação a ser uma autêntica prenda?

Pra mim ser uma autêntica prenda é acima de tudo amar esse nosso estado e as suas tradições, sendo ou não prenda de faixa. O recado que eu deixe para as prendas é: Não tenham vergonha, mas sim orgulho de serem representantes de uma cultura tão linda como é a cultura Riograndense, e acima de tudo amem muito o que vocês fazem e lutem sempre pelos seus objetivos.


Gaudérios: Em relação à Cultura Gaúcha:

Qual tua música preferida? São muitas, mas tem uma que acho muito linda que é a musica Senhor das manhãs de maio.

Poesia? Ladrão de Felicidade de Salvador Ferrando Lamberty.

Livro? História do RGS - Moacir flores, Rio Grande Do Sul História e tradições - José Machado Leal, Alvorada Tradicionalista, Recital de Poesias para Prendas - Salvador Ferrando Lamberty.

Sites? www.mtg.org.br

Comunidades?
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=5430433 (1ª Região Tradicionalista)
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=420170 (MTG)
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=10486273 (Poesia Gaúcha)

Gaudérios: Qual o comentário que gostarias de fazer para complementar nossa conversa, por favor, fique a vontade?

Bem, eu gostaria de agradecer mais uma vez pelo convite, e dizer que é sempre um prazer contribuir para fortalecer cada dia mais as tradições e a cultura do nosso Rio Grande Do Sul.





Gaudérios: Depois de algum tempo sem prendas no quadro Prenda do Mês, o Blog Gaudérios se alegra em encerrar o ano de 2008 com a prenda Liriane Dos Santos que, como as demais participantes, demontra um profundo sentimento de amor e respeito aos costumes autênticos do povo gaúcho. Ficamos honrados com a possibilidade de divulgação destas prendas que se dispõe a aprender tanto sobre a sua cultura, numa época em que cada vez mais as tradições se perdem. Abraços a Todos!


Gostastes da entrevista? Então deixas teu comentário!
O Blog Gaudérios agradece!

OS NOMES DO RIO GRANDE DO SUL

Postado por Unknown | quarta-feira, agosto 20, 2008 | , | 0 comentários »


1534 – São Pedro. Em Homenagem a Pero Lopes de Souza, que teria navegado pela Lagoa dos Patos.

1550 – Rio Grande. Conforme mapa de Pierre Desvaliers.

1562 – Capitania d'El Rei Nosso Senhor. Mapa de capitanias.

1637 – Porto de São Pedro. Mapa dos Jesuítas.

1698 – Província do Rei. Mapa do Frei José de Santa Tereza.

1721 – Rio Grande de São Pedro. Presente em documentos a partir de 1721.

1737 - Continente do Rio Grande. Denominação posterior a fundação do presidio de Rio Grande.

1751 – Continente de Viamão. Segundo mapa.

1760 – Governo do Rio Grande. Quando houve a elevação para a categoria de governo.

1769 – Continente do Rio Grande de São Pedro. Conforme documentos oficiais da época.

1807 – Capitania de São Pedro. Quando da elevação à Capitania Geral.

1819 – Província do Rio Grande de São Pedro do Sul. Segundo a documentação oficial à época.

1824 – Província do Rio Grande do Sul. A partir da primeira Constituição do Império.

1836 – Estado Rio-Grandense. Nome dado pelos Farroupilhas.

1889 – Estado do Rio Grande do Sul. Com a proclamação da República.

Pesquisa: Hilton Luiz Araldi

Prenda do Mês de Maio - Daniellen Severo

Postado por Unknown | quinta-feira, maio 15, 2008 | , , , , , , , , , | 1 comentários »

Gaudérios: Tu és natural de que cidade? Falas um pouco de ti e de tuas raízes.


Meu nome é Daniellen Severo sou natural de Alegrete- fronteira oeste do Rio Grande do Sul, Alegrete é uma cidade histórica, foi a 3ª Capital Farroupilha na época da Revolução.
Tenho 19 anos, sou estudante do 2º semestre do curso de Direito e atualmente sou 1ª prenda da 4ª região tradicionalista, da qual fazem parte as cidades de Alegrete, Quarai, Barra-do-quarai e Uruguaiana. No momento estou me preparando para representar a minha região no 38º Concurso Estadual de Prendas que acontecerá em maio na cidade de Júlio de Castilhos.

Gaudérios: Qual a relação que tens com a tradição Gaúcha?

Iniciei no tradicionalismo em 2005 e desde então não saí mais deste meio, é uma paixão, quando tu vê de fora tu não imagina o quão grandioso e maravilhoso é ser tradicionalista.
Como já falei sou 1ª Prenda da 4ª região tradicionalista e vou concorrer agora em Maio à Prenda do estado do Rio Grande do Sul.



Gaudérios: Participaste de um concurso de prendas, poderias falar como foi o concurso, o que os jurados avaliam? Conte-nos um pouco sobre o que aconteceu nos bastidores.

Nesta minha curta porém maravilhosa vivencia tradicionalista pude participar de alguns concursos de prendas, mas nem todos tive o resultado esperado.
Comecei no tradicionalismo em 2005 com 16 anos concorrendo a Mais Prendada Prenda da Semana Farroupilha aqui da Alegrete eram 17 concorrentes e foi meu primeiro contato com o público e com um microfone, neste concurso foi avaliado a apresentação de um trabalho que tinha como tema a Literatura Gaúcha, uma entrevista e uma prova artística em que dancei uma dança tradicional, obtive a sétima colocação.

Logo fui convidada para ser 2ª prenda do CTG Vaqueanos da Fronteira e fiquei como 2ª prenda até setembro de 2006.
Antes disso em dezembro de 2005, concorri a Mais Prendada Prenda da Campereada Internacional de Alegrete, onde também tive que apresentar um trabalho, passar por uma entrevista e por uma prova artística, obtive neste concurso a 2ª colocação.

Em julho de 2006 concorri a 1ª Prenda Adulta do CTG Vaqueanos da Fronteira, este também teve a mesma forma de avaliação dos outros, obtive a 1ª colocação, logo em agosto concorri novamente à prenda da Semana Farroupilha, fiquei em 3ª lugar.

Em junho de 2007 ocorreu o concurso de prendas regionais em que concorri e obtive a 1ª colocação, título que ainda ostento.
Este concurso foi avaliado da seguinte forma: juntamente com a ficha de inscrição deve-se enviar um relatório mostrando a tua vivencia, os eventos em que participaste e os projetos que realizastes, um deles é o MTG vai à escola, em que temos que visitar escolas mostrando para os alunos um pouco do que é o tradicionalismo. Depois temos uma prova escrita, uma mostra folclórica, uma prova oral com um tema sorteado 15 minutos antes da tua apresentação e uma prova artística, onde a prenda tem que dançar uma dança de salão e uma tradicional e pode optar se quer declamar tocar um instrumento ou cantar, no meu concurso eu declamei.

Mas, o concurso mais importante da minha vida estar por vir, vou participar do 38º Concurso Estadual de Prendas, título máximo do tradicionalismo gaúcho.
Sei que é difícil, mas estou me esforçando ao máximo para chegar ao resultado esperado.

Eu geralmente nos meus concursos fico muito nervosa e após a apresentação em que vejo que eu consegui passar a minha mensagem eu desabo chorando, e mais maravilhoso é que pessoas que tu nem conhece, reconhecem o teu trabalho a tua dedicação e vem te abraçar te dar os parabéns, isso não tem preço.

Gaudérios: O que gostarias de dizer para as prendas que estão iniciando na tradição, ou até mesmo para aquelas que já participam de eventos tradicionalistas, em relação a ser uma autêntica prenda?

A minha mensagem as prendas que estão iniciando é que sejam responsáveis e que ao assumir o compromisso de prenda cumpra-o com toda a dignidade e respeito pela nossa tradição, que sejam amigas umas das outras, que sejam o verdadeiro exemplo para a juventude tradicionalista, afinal nós representamos uma jóia, a mulher gaúcha, somos como flores deste Rio Grande.
E que cada uma ajude a trazer cada vez mais jovens e crianças para participar deste movimento, afinal eles são o futuro do nosso tradicionalismo.

Gaudérios: Em relação à Cultura Gaúcha: qual tua música preferida? Poesia? Livro? Sites? Comunidades?

Como apaixonada pelo meu Alegrete, a minha música gaúcha preferida é o Canto Alegretense, mas também gosto de Flor do Mar, Querência Amada, gosto de todas do César Oliveira e Rogério Mello e atualmente uma música que não sai da minha cabeça é Hino ao Rio Grande, uma toada de Simão Goldmam que aprendi a tocar no violino.
Minha poesia preferida é Mulher Gaúcha, do alegretense Antonio Augusto Fagundes, livro não tenho nenhum preferido, pois atualmente tenho que ler vários para me preparar para o concurso estadual.
O meu site preferido, de cultura gaúcha, é o do MTG (www.mtg.org.br)

Gaudérios: Qual o comentário que gostarias de fazer para complementar nossa conversa, por favor, fique a vontade?

Gostaria de agradecer o convite, e dizer que é muito importante blogs como este para nos integrarmos e expandirmos a nossa cultura.
Estou à disposição para o que precisarem muito obrigada.
Saudações Tradicionalistas!




“Não é o desafio que nos deparamos que determina quem somos
e no que estamos nos tornando, mas a maneira como respondemos ao desafio...
quando acreditamos no sonho nada é por acaso...”.
Prendas nunca desistam dos seus sonhos!



Gaudérios: A cada nova prenda que o Blog Gaudérios entrevista, mais se prova a força e autenticidade de nossa cultura. Mais confiantes e otimistas nos sentimos por ver o amor e o conhecimento que estas jovens moças herdaram e, mais importante, continuam cultivando. Agradecemos à Daniellen Severo por sua participação neste quadro, bem como por seu esclarecimento em relação ao concurso de prendas, realmente um desafio. Tais esclarecimentos contribuem muito para a valorização de todas as prendas. Abraços a Todos!

Gostastes da entrevista? Então deixas teu comentário!
O Blog Gaudérios agradece!

Férias gaúchas...

Postado por Unknown | quinta-feira, março 13, 2008 | , | 0 comentários »



Existem muitas opções de férias, lugares interessantes para se visitar, porém nós adoramos ir passear no sítio ou chácara, acampar na beira do rio aproveitando a natureza, o que aliás faz muita falta, principalmente para quem vive na cidade.

Então, resolvi postar algumas fotos que tiramos nas férias em Ijuí-RS, bem como em cidades vizinhas:


Está ai um ótimo gaiteiro... http://www.minhagaita.blogspot.com/

Essa é daqueles porongos que o pessoal usa pendurado nas árvores para os passarinhos fazerem ninho. Não pensem que foi fácil tirar essa foto, os pais dos bichinhos não deixavam ninguém se aproximar. Não foi por sorte, mas por persistência. Parabéns ao Mauro pela belíssima foto!




Quem conhece o interior do Rio Grande do Sul tenho certeza que terá boas lembranças a partir dessas fotos.

Taquaral muito antigo, várias gerações de nossa família já brincaram ai...

Térmica e cuia, o chimarrão vai onde o gaúcho está...

Mais uma do Mauro, ele está ficando bom nisso... Belas flores!

Essa árvore é histórica, traz muitas lembranças...

Plantação vista do alto.


E como não poderia deixar de ser, um belo pôr-de-sol para concluir...



Sentimento Gaudério

Postado por Unknown | segunda-feira, novembro 19, 2007 | , , , , | 0 comentários »

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Hoje, e confesso que seguidamente, me peguei pensando sobre nossa terra, sobre como é que aprendemos a ter esse amor pelo Rio Grande do Sul e, sobretudo, como fazer para os filhos sentirem esse amor.

Meu problema é um só, mas trata-se de um caso sério. É que eu, como muitos outros gaúchos e gaúchas, estou nesse momento longe do pago. Longe das rodas de chimarrão do amanhecer e de tardezinha ou mesmo chimarreando só, do ritual sagrado do churrasco domingueiro com a família reunida embalado pelas belas melodias de Noel Guarany ou Cenair Maicá, índios guapos que transformaram em música o sentimento que atravessa os pampas, acendendo o fogo das raízes culturais e assim celebrando a tradição gaúcha.

Assim aprendi a ser gaúcha, meio sem perceber, sem esforço ou questionamento, ouvindo e dançando a chimarrita, vendo as prendas e peões nos bailes do CTG, sentindo o aroma do churrasco no espeto que ao assar pingava nas brasas, provando pela primeira vez o mate-doce com hortelã, servido da chaleira de ferro, acampando nas férias, na beira do rio e brincando no potreiro, no meio dos quero-queros.

Minha solução é a seguinte, por enquanto, aqui, nestas terras quentes e carnavalescas em que hoje me aquerenciei, vou remediando a falta dos pampas oferecendo à minha filha um chimarrão no fim da tarde, uma música bem gaudéria no domingo e à noite, uma história do Rio Grande do tempo antigo, que ouvi de minha avó, para encantar seus sonhos de infância.

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