Mostrando postagens com marcador Cultura Gaúcha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cultura Gaúcha. Mostrar todas as postagens

Califórnia da Canção Nativa

Postado por msr4k | domingo, maio 11, 2014 | , , , , , , | 0 comentários »


A Califórnia da Canção Nativa é o maior evento musical que celebra a cultura  regional do Brasil, teve início em 1971 na cidade de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. O prêmio máximo da Califórnia é a Calandra de Ouro (Figura 1). A lista completa das canções vencedoras da Califórnia da Canção Nativa pode ser vista na lista abaixo.

Figura 1 - Calandra de Ouro1.

Canções vencedoras da Califórnia da Canção Nativa2



  • 1971 - Reflexão (Colmar Duarte e Júlio da Silva Filho)
  • 1972 - Pedro Guará (Cláudio Boeira Garcia e José Cláudio Machado)
  • 1973 - Canto de Morte de Gaudêncio Sete Luas (Luiz Coronel e Marco Vasconcelos)
  • 1974 - Canção dos Arrozais (José Hilário Retamozzo)
  • 1975 - Roda Canto (Aparício Silva Rillo e Mario Barbará)
  • 1976 - Um Canto para o Dia (Ernani Amaro Oliveira)
  • 1977 - Negro da Gaita (Gilberto Carvalho e Airton Pimentel)
  • 1978 - Pássaro Perdido (Gilberto Carvalho e Marco Aurélio Vasconcelos)
  • 1979 - Esquilador (Telmo de Lima Freitas)
  • 1980 - Veterano (Antonio Augusto Ferreira e Everton dos Anjos Ferreira) - interpretado por Leopoldo Rassier
  • 1981 - Desgarrados (Sérgio Napp e Mario Barbará)
  • 1982 - Tertúlia (Leonardo)
  • 1983 - Guri (João Batista Machado e Júlio Machado da Silva Neto)
  • 1984 - O Grito dos Livres (José Fernando Gonzales)
  • 1985 - Astro Aragano (Jerônimo Jardim)
  • 1986 - Tropeiro do Futuro (Armando Vasquez e Adão Quintana Vieira)
  • 1987 - Pampa Pietá (Dilan Camargo e Newton Bastos)
  • 1988 - Toada de Mango (Mauro Ferreira e Elton Saldanha)
  • 1989 - Mandala das Esporas (Vaine Darde e Elton Saldanha)
  • 1990 - Mostra das Composições Antológicas dos Vinte Anos
  • 1991 - Florêncio Guerra e seu Cavalo (Mauro Ferreira e Luiz Carlos Borges)
  • 1992 - O Minuano e o Poeta (Louro Simões e Clóvis de Souza)
  • 1993 - Domador dos Sesmarias (Elmo de Freitas)
  • 1994 - Milonga-me (Vinícius Brum)
  • 1995 - Querências (Silvio Aymone Genro e Getúlio Rodrigues)
  • 1996 - Canto e Reflexão para a Província (Sérgio Rojas)
  • 1997 - O Forasteiro (Vinicius Brum, Mauro Ferreiro e Luiz Carlos Borges)
  • 1998 - O Nada, (Rodrigo Bauer e Chico Saratt)
  • 1999 - Poema Não Escrito (Tadeu Marfins e Lenin Nuñes)
  • 2001 - Rastros de Ausência (Adão Quevedo e Mauro Marques)
  • 2002 - Feito o Carreto (Mauro Moraes)
  • 2003 - Laçador de Barro (Antônio Augusto Ferreira/Mauro Ferreira e Luiz Carlos Borges) – interpretado por João de Almeida Neto
  • 2004 - Muchas Gracias (Gujo Teixeira e Pirisca Grecco) , interpretado por Pirisca Grecco
  • 2005 - Com os pés fincados no chão (Zeca Alves, Pirisca Grecco e Ricardo Martins) - interpretado por Pirisca Grecco
  • 2007 - Céu na terra, pelo rio (Tadeu Martins e Lenin Nuñes) - interpretado por Maurício Barcellos
  • 2009 - A sanga do Pedro Lira (Demétrio Xavier e Marco Aurélio Vasconcellos) – interpretada por Marco Aurélio Vasconcellos
  • 2013 - Petiço Mapa-Múndi (Rafael Ovídio da Costa Gomes, Fernando Saldanha Filho, Pedro Ribas e César Sntos) – interpretada por César Santos

Referência



Esgrima crioula

Postado por msr4k | sexta-feira, abril 27, 2012 | , | 0 comentários »

Gaúchos cultuando a tradição através da Esgrima crioula, foto de 1895.

Esgrima crioula
Esgrima crioula

O Negrinho do Pastoreio - João Simões Lopes Neto

Postado por Unknown | quarta-feira, dezembro 17, 2008 | , , , | 0 comentários »

É bem conhecida dos gaúchos a história do negrinho judiado por seu patrão e que, ao perder a tropilha de tordilhos, é jogado ao formigueiro para ser devorado pelas formigas. Na procura dos cavalos porém, ele conta com a ajuda da sua madrinha, Nossa Senhora, a qual faz com que cada pingo do toco de vela que ele carrega vire uma nova luz e lhe dá para a eternidade, o baio e a tropilha de tordilhos. Até hoje, ao perder algo importante, se acende uma vela ao negrinho pedindo ajuda na procura.

Bem, muitas versões já foram escritas e eu não me atrevo a tentar fazer uma nova, não depois de ler esta de João Simões Lopes Neto, que usa os termos de nosso vocabulário gaudério, muitos que nós nem usamos mais e que correm o risco de serem esquecidos pelas novas gerações.

Então, sem mais rodeios, o Gaudérios traz o texto "O Negrinho do Pastoreio", encantem-se:

***

Do livro "Contos Gauchescos e Lendas do Sul"
Autor: João Simões Lopes Neto


O NEGRINHO DO PASTOREIO

NAQUELE TEMPO os campos ainda eram abertos, não havia entre eles nem divisas nem cercas; somente nas volteadas se apanhava a gadaria xucra e os veados e as avestruzes corriam sem empecilhos...

Era uma vez um estancieiro, que tinha uma ponta de surrões cheios de onças e meias-doblas e mais muita prataria; porém era muito cauíla e muito mau, muito.

Não dava pousada a ninguém, não emprestava um cavalo a um andante; no inverno o fogo da sua casa não fazia brasas; as geadas e o minuano podiam entanguir gente, que a sua porta não se abria; no verão a sombra dos seus umbus só abrigava os cachorros; e ninguém de fora bebia água das suas cacimbas.

Mas também quando tinha serviço na estância, ninguém vinha de vontade dar-lhe um ajutório; e a campeirada folheira não gostava de conchavar-se com ele, porque o homem só dava para comer um churrasco de tourito magro, farinha grossa e erva-caúna e nem um naco de fumo… e tudo, debaixo de tanta somiticaria e choradeira, que parecia que era o seu próprio couro que ele estava lonqueando...

Só para três viventes ele olhava nos olhos: era para o filho, menino cargoso como uma mosca, para um baio cabos-negros, que era o seu parelheiro de confiança, e para um escravo, pequeno ainda, muito bonitinho e preto como carvão e a quem todos chamavam somente o — Negrinho.

A este não deram padrinhos nem nome; por isso o Negrinho se dizia afilhado da Virgem, Senhora Nossa, que é a madrinha de quem não a tem.

Todas as madrugadas o Negrinho galopeava o parelheiro baio; depois conduzia os avios do chimarrão e à tarde sofria os maus tratos do menino, que o judiava e se ria.

***

Um dia depois de muitas negaças, o estancieiro atou carreira com um seu vizinho. Este queria que a parada fosse para os pobres; o outro que não, que não! que a parada devia ser do dono do cavalo que ganhasse. E trataram: o tiro era trinta quadras, a parada, mil onças de ouro. No dia aprazado, na cancha da carreira havia gente como em festa de santo grande.

Erva-Caúna – Variedade de mate, de qualidade inferior, e amargo.

Cacimbas – nascente d´aua – olho d´agua.

Onças – aqui, moeda da época.

Entre os dois parelheiros, a gauchada não sabia se decidir, tão perfeito era e bem lançado cada um dos animais. Do baio era fama que quando corria, corria tanto, que o vento assobiava-lhe nas crinas; tanto, que só se ouvia o barulho, mas não lhe viam as patas baterem no chão... E do mouro
era voz que quanto mais cancha, mais agüente e que desde a largada ele ia ser como um laço que se arrebenta...

As parcerias abriram as guaiacas, e aí no mais já se apostavam aperos contra rebanhos e redomões contra lenços.

—Pelo baio! Luz e doble!…

—Pelo mouro! Doble e luz!...

Os corredores fizeram as suas partidas à vontade e depois as obrigadas; e quando foi na última, fizeram ambos a sua senha e se convidaram. E amagando o corpo, de rebenque no ar, largaram, os parelheiros meneando cascos, que parecia uma tormenta...

— Empate! Empate! — gritavam os aficionados ao longo da cancha por onde passava a parelha veloz, compassada como numa colhera.

— Valha-me a Virgem madrinha, Nossa Senhora! — gemia o Negrinho.

— Se o sete-léguas perde, o meu senhor me mata! hip! hip! hip!...

E baixava o rebenque, cobrindo a marca do baio.

— Se o corta-vento ganhar é só para os pobres!... retrucava o outro corredor. Hip! hip!

E cerrava as esporas no mouro.

Mas os fletes corriam, compassados como numa colhera, Quando foi na última quadra, o mouro vinha arrematado e o baio vinha aos tirões… mas sempre juntos, sempre emparelhados.

E a duas braças da raia, quase em cima do laço, o baio assentou de supetão, pôs-se em pé e fez uma caravolta, de modo que deu ao mouro tempo mais que preciso para passar, ganhando de luz aberta! E o Negrinho, de em pêlo, agarrou-se como um ginetaço.

— Foi mau jogo! — gritava o estancieiro.

— Mau jogo! — secundavam os outros da sua parceria.

A gauchada estava dividida no julgamento da carreira; mais de um torena coçou o punho da adaga, mais de um desapresilhou a pistola, mais de um virou as esporas para o peito do pé... Mas o juiz, que era um velho do tempo da guerra de Sepé-Tíaraju, era um juiz macanudo, que já tinha visto muito mundo. Abanando a cabeça branca sentenciou, para todos ouvirem:

— Foi na lei! A carreira é de parada morta; perdeu o cavalo baio, ganhou o cavalo mouro, Quem perdeu, que pague. Eu perdi cem gateadas; quem as ganhou venha buscá-las. Foi na lei!

Não havia o que alegar. Despeitado e furioso, o estancieiro pagou a parada, à vista de todos, atirando as mil onças de ouro sobre o poncho do seu contrário, estendido no chão.

Torena – indivíduo forte valente, destemido.

E foi um alegrão por aqueles pagos, porque logo o ganhador mandou distribuir tambeiros e leiteiras, côvados de baeta e baguais e deu o resto, de mota, ao pobrerio. Depois as carreiras seguiram com os changueiritos que havia.

***

O estancieiro retirou-se para a sua casa e veio pensando, pensando calado, em todo o caminho. A cara dele vinha lisa, mas o coração vinha corcoveando como touro de banhado laçado a meia espalda… O trompaço das mil onças tinha-lhe arrebentado a alma.

E conforme apeou-se, da mesma vereda mandou amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho.

Na madrugada saiu com ele e quando chegou no alto da coxilha falou assim:

— Trinta quadras tinha a cancha da carreira que tu perdeste: trinta dias ficarás aqui pastoreando a minha tropilha de trinta tordilhos negros... O baio fica de piquete na soga e tu ficarás de estaca!

O Negrinho começou a chorar, enquanto os cavalos iam pastando.

Veio o sol, veio o vento, veio a chuva, veio a noite. O Negrinho, varado de fome e já sem força nas mãos, enleou a soga num pulso e deitou-se encostado a um cupim.

Vieram então as corujas e fizeram roda, voando, paradas no ar, e todas olhavam-no com os olhos reluzentes, amarelos na escuridão. E uma piou e todas piaram, como rindo-se dele, paradas no ar, sem barulho nas asas.

O Negrinho tremia, de medo... porém de repente pensou na sua madrinha Nossa Senhora e sossegou e dormiu.

E dormiu. Era já tarde da noite, iam passando as estrelas; o Cruzeiro apareceu, subiu e passou; passaram as Três-Marias: a estrela-d'alva subiu...

Então vieram os guaraxains ladrões e farejaram o Negrinho e cortaram a guasca da soga. O baio sentindo-se solto rufou a galope, e toda a tropilha com ele, escaramuçando no escuro e desguaritando-se nas canhadas.

O tropel acordou o Negrinho; os guaraxains fugiram, dando berros de escárnio. Os galos estavam cantando, mas nem o céu nem as barras do dia se enxergava: era a cerração que tapava tudo.

E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou.

***

O menino maleva foi lá e veio dizer ao pai que os cavalos não estavam.

O estancieiro mandou outra vez amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho.

E quando era já noite fechada ordenou-lhe que fosse campear o perdido. Rengueando, chorando e gemendo, o Negrinho pensou na sua madrinha Nossa Senhora e foi ao oratório da casa, tomou o coto de vela acesa em frente da imagem e saiu para o campo.

Por coxilhas e canhadas, na beira dos lagoões, nos paradeiros e nas restingas, por onde o Negrinho ia passando, a vela benta ia pingando cera no chão; e de cada pingo nascia uma nova luz, e já eram tantas que clareavam tudo. O gado ficou deitado, os touros não escarvaram a terra e as manadas xucras não dispararam... Quando os galos estavam cantando, como na véspera, os cavalos relincharam todos juntos. O Negrinho montou no baio e tocou por diante a tropilha, até a coxilha que o seu senhor lhe marcara.

E assim o Negrinho achou o pastoreio. E se riu...

Gemendo, gemendo, o Negrinho deitou-se encostado ao cupim e no mesmo instante apagaram-se as luzes todas; e sonhando com a Virgem, sua madrinha, o Negrinho dormiu. E não apareceram nem as corujas agoureiras nem os guaraxains ladrões; porém pior do que os bichos maus, ao clarear o dia veio o menino, filho do estancieiro e enxotou os cavalos, que se dispersaram, disparando campo fora, retouçando e desguaritando-se nas canhadas.

O tropel acordou o Negrinho e o menino maleva foi dizer ao seu pai que os cavalos não estavam lá...

E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou...

***

O estancieiro mandou outra vez amarrar o Negrinho pelos pulsos, a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho... dar-lhe até ele não mais chorar nem bulir, com as carnes recortadas, o sangue vivo escorrendo do corpo… O Negrinho chamou pela Virgem sua madrinha e Senhora Nossa, deu um suspiro triste, que chorou no ar como uma música, e pareceu que morreu...

E como já era noite e para não gastar a enxada em fazer uma cova, o estancieiro mandou atirar o corpo do Negrinho na panela de um formigueiro, que era para as formigas devorarem-lhe a carne e o sangue e os ossos... E assanhou bem as formigas, e quando elas, raivosas, cobriam todo o corpo do Negrinho e começaram a trincá-la é que então ele se foi embora, sem olhar para trás.

Nessa noite o estancieiro sonhou que ele era ele mesmo, mil vezes e que tinha mil filhos e mil negrinhos, mil cavalos baios e mil vezes mil onças de ouro… e que tudo isto cabia folgado dentro de um formigueiro pequeno...

Caiu a serenada silenciosa e molhou os pastos, as asas dos pássaros e a casca das frutas.

Coto – pedaço; mesmo que toco.

Passou a noite de Deus e veio a manhã e o sol encoberto. E três dias houve cerração forte, e três noites o estancieiro teve o mesmo sonho.

***

A peonada bateu o campo, porém ninguém achou a tropilha e nem rastro.

Então o senhor foi ao formigueiro, para ver o que restava do corpo do escravo.

Qual não foi o seu grande espanto, quando chegado perto, viu na boca do formigueiro o Negrinho de pé, com a pele lisa, perfeita, sacudindo de si as formigas que o cobriam ainda!... O Negrinho, de pé, e ali ao lado, o cavalo baio e ali junto a tropilha dos trinta tordilhos... e fazendo-lhe frente, de guarda ao mesquinho, o estancieiro viu a madrinha dos que não a têm, viu a Virgem, Nossa Senhora, tão serena, pousada na terra, mas mostrando que estava no céu... Quando tal viu, o senhor caiu de joelhos diante do escravo.

E o Negrinho, sarado e risonho, pulando de em pêlo e sem rédeas; no baio, chupou o beiço e tocou a tropilha a galope.

E assim o Negrinho pela última vez achou o pastoreio. E não chorou, e nem se riu.

***

Correu no vizindário a nova do fadário e da triste morte do Negrinho, devorado na panela do formigueiro.

Porém logo, de perto e de longe, de todos os rumos do vento, começaram a vir notícias de um caso que parecia um milagre novo...

E era, que os posteiros e os andantes, os que dormiam sob as palhas dos ranchos e os que dormiam na cama das macegas, os chasques que cortavam por atalhos e os tropeiros que vinham pelas estradas, mascates e carreteiros, todos davam notícia — da mesma hora — de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, gineteando de em pêlo, em um cavalo baio!…

Então, muitos acenderam velas e rezaram o Padre Nosso pela alma do judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma cousa, o que fosse, pela noite velha o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar da sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o remiu e salvou e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver.

***

Todos os anos, durante três dias, o Negrinho, desaparece: está metido em algum formigueiro grande, fazendo visita às formigas, suas amigas; a sua tropilha esparrama-se, e um aqui, outro por. lá, os seus cavalos retouçam nas manadas das estâncias. Mas ao nascer do sol do terceiro dia, o baio relincha. perto do seu ginete; o Negrinho monta-o e vai fazer a sua recolhida; é quando nas estâncias acontece a disparada das cavalhadas e a gente olha, olha, e não vê ninguém, nem na ponta, nem na culatra.

***

Desde então e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, sarado e risonho, cruza os campos, corta os macegais, bandeia as restingas, desponta os banhados, vara os arroios, sobe as coxilhas e desce às canhadas.

O Negrinho anda sempre à procura dos objetos perdidos, pondo-os de jeito a serem achados pelos seus donos, quando estes acendem um coto de vela, cuja luz ele leva para o altar da Virgem Senhora Nossa, madrinha dos que não a têm.

Quem perder suas prendas no campo, guarde esperança: junto de algum moirão ou sob os ramos das árvores, acenda uma vela para o Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo —Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Foi por ai que eu perdi!...

Se ele não achar… ninguém mais.

Culatra – Retaguarda de um rebanho.

Prendas – Jóias. Algo que se preza.

A história da Panela de Carreteiro de Noel Guarany.

Postado por Unknown | quinta-feira, novembro 27, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Leia a emocionante história da panela de carreteiro dada pelo pai do Pedro Ortaça ao Noel Guarany, o qual, como prova da grande amizade que sentia, a deu como presente para o Jayme Caetano Braun. O desfecho comovente desta história envolvendo grandes expoentes da música e poesia gaúchas, você lê no texto abaixo. Esta história, foi publicada originalmente no Jornal da Região e enviada pelo senhor Savio Moura de São Luiz Gonzaga ao nosso amigo Hilton Luiz Araldi.


Jornal da Região
São Luiz Gonzaga, 15 e 16 de novembro de 2008
Bossoroca


Recuperada, panela de carreteiro, que foi de Noel Guarany, já faz, parte de seu acervo.
Após uma longa procura, Bossoroca conseguiu fazer o resgate da ‘panela de carreteiro’ que pertenceu a Noel Guarany. Essa peça estava sob a guarda da família de Jayme Caetano Braun, mas ultimamente quem tinha a sua posse era o cidadão Dilton Osmar Alves dos Santos, conhecido como “Bombachudo”.

A prof.ª Maria Júlia Ferreira Honn foi quem o colocou a par da longa procura dessa panela, visando cumprir o desejo do próprio Jayme de devolvê-la a seu dono. Maria Júlia elogiou a capacidade de compreensão e a consciência cultural de Dilton dos Santos, pois ao tomar conhecimento do caso, disse: “É com imenso prazer que recambeio esta panela para o acervo do Município de Bossoroca, compreendo o seu valor histórico”. É interessante acrescentar que essa panela foi oferecida como presente a Noel Guarany, pelo pai do Pedro Ortaça.

A prof. Maria Júlia Ferreira Honn, que trabalha na organização da nova edição do “Tributo a Noel Guarany”, promoção da Prefeitura de Bossoroca, disse que “são atitudes de desprendimento deste tipo que engrandecem a cultura do RS”. Maria Júlia também tornou público pedido para quem tenha a posse de objetos que pertenceram a Noel Guarany, que os envie à Prefeitura de Bossoroca, para enriquecer o acervo que está sendo montado no “Espaço Noel Guarany”. Nesse local já estão expostos diversos objetos que pertenceram ao grande intérprete e letrista. Inclusive, na pasta onde guardava os originais das suas composições, foi encontrado o original da “Milonga da Panela”, de autoria de Jayme Caetano Braun, onde manifesta o desejo de Noel, após ter um neto, obter novamente a posse da panela. “Missão cumprida”, disse a prof. Maria Júlia. A seguir, o poema:

Milonga da Panela

Panela de carreteiro,
dos tempos da monarquia
em constante romaria,
no velho pago campeiro,
regalo de um missioneiro
que me ofertou – de presente,
mas agora – indiferente,
a uma amizade sadia,
vive a sonhar – noite e dia,
chorando a panela ausente!
Maestro dos veteranos
da nossa canção bravia!
uma panela vazia,
não vale teus desenganos!
deixa isso pra os profanos
que a nossa história revela.
Guarani – a vida é tão bela,
em nossa terra baguala,
pra que gastar tanta fala
por causa de uma panela?
Larga de mão – eu te peço,
da idéia de entrar em juízo,
termina dando prejuízo,
só com as custas do processo,
o tempo aponta o progresso,
já sem relincho nem berro;
podes errar – como eu erro,
continuando desunidos
e nós dois sermos cozidos,
nessa panela de ferro!
Os três pés dessa marmita,
queimada – de casca escura,
são – na verdade – a estrutura
da nossa terra jesuíta,
por isso bugre – acredita,
na fala deste mestiço;
– canta – e não pensa mais nisso,
deixa que durma o passado,
o Pedro Ortaça é o culpado
de todo esse rebuliço!

Fica a panela comigo,
pois dela tenho usufruto,
cada segundo e minuto,
lembranças do tempo antigo
e – se não falo contigo,
por causa de uma querela,
caso eu estique a canela,
já está gravado o decreto:
– quando tiveres um neto,
manda buscar a panela!

Jayme Caetano Braun
Viamão - RS

Dia do Cavalo

Postado por Unknown | sexta-feira, setembro 12, 2008 | , | 0 comentários »

"Neste 14 de setembro comemora-se o Dia do Cavalo. A Lei, de número11.973, sancionada pelo governador do Estado Germano Rigotto, em 23 desetembro de 2003, institui o "Dia do Cavalo" no Estado do Rio Grande do Sul.

A data deve ser comemorada anualmente junto com a Semana Farroupilha, passando a fazer parte do calendário de eventos culturais do Estado, sobre responsabilidade do Poder Executivo e órgãos voltados à promoção da cultura Riograndense.

Esse magnífico animal, o qual não se sabe precisamente quando chegou ao Rio Grande, é parte do espírito do povo rio-grandense, sem ele o gaúcho por certo nem existiria. Este animal acompanha o gaúcho na construção desse estado.

O cavalo foi em muitas batalhas o tanque de guerra, e em todas elas foi peça fundamental para conquistas de novos territórios. Para o autor da proposta de lei, dep. Osmar Severo "estainiciativa valorizará as tradições e os costumes do povo rio-grandense, buscando homenagear e reconhecer o trabalho do animal que acompanhou o gaúcho na construção deste Estado".

O cavalo é fiel amigo do homem campeiro, ajudando-lhe na lida com o gado, no transporte além de ser o "animal do rodeio", participando de diversas provas. E nessa área dos esportes o cavalo tem muita importância também fora dos nossos pagos. É utilizado nas caçadas, no pólo, nas corridas de cavalo e concursos de salto.

É o único animal que participa junto com o cavaleiro de uma prova nas olimpíadas, onde a égua Baloubet du Rouet trouxe de Atenas, junto com o cavaleiro Rodrigo Pessoa, uma medalha de prata, além do Enduro Eqüestre, esporte familiar muito difundido no Rio Grande do Sul.

Em Passo Fundo existe um pelotão hípico que além de ser uma forma prática de deslocamento em determinadas circunstancias, impõe o devido respeito quando necessário. Foi de cima de um cavalo que D. Pedro I proclamou nossa independência.
Os cavalos além auxiliam-nos no policiamento, e também na equoterapia, onde os animais auxiliam na recuperação de pessoas traumatizadas e no trabalho com Portadores de Necessidades Especiais. Uma boa quantia desses animais atua junto aos papeleiros como puxadores de carroças, ajudando-os a limpar a cidade que sujamos."

Autor: Hilton Luiz Araldi


Segue abaixo a cópia da lei que institui "Dia do Cavalo":

LEI Nº 11.973, DE 23 DE SETEMBRO DE 2003.
Institui o "Dia do Cavalo" no Estado do Rio Grande do Sul.
O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.


Faço saber, em cumprimento ao disposto no artigo 82, inciso IV, daConstituição do Estado, que a Assembléia Legislativa aprovou e eusanciono e promulgo a Lei seguinte:

Art. 1º - Fica instituído o "Dia do Cavalo", que será comemoradoanualmente no dia 14 de setembro.

Art. 2º - Caberá ao Poder Executivo, bem como aos órgãos voltados àpromoção da cultura rio-grandense, a elaboração da programação a serdesenvolvida por ocasião das comemorações do "Dia do Cavalo", emconjunto com a Semana Farroupilha.

Parágrafo único - Para a elaboração do programa e ações referidas nocaput, serão ouvidas e convidadas a participar as associaçõesvinculadas ao tema, bem como os centros de culto à tradição gauchesca.

Art. 3º - O "Dia do Cavalo", deverá fazer parte do calendário deeventos culturais do Estado do Rio Grande do Sul.

Art. 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º - Revoga-se as disposições em contrário.

PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 23 de setembro de 2003.

Semana Farroupilha - Canção Tema 2008

Postado por Unknown | terça-feira, setembro 09, 2008 | , , | 0 comentários »


Não sei se todos irão concordar comigo, porém, tenho que admitir que não sabia da existência de um tema para a Semana Farroupilha e muito menos que ela tinha uma canção tema!

Mas, o importante é aprender! Ainda mais se o assunto for a cultura, uma vez que esta permanece em constante evolução, e no caso da Cultura Gaúcha, se fortalece com o passar dos anos.

Bem, o fato é que a Semana Farroupilha tem sim uma temática e uma canção especialmente composta para esta festividade, a qual versa sobre o assunto escolhido para o ano.

A Semana Farroupilha de 2008 tem como tema: Nossos símbolos: nosso orgulho!

Repare como, na canção abaixo, são mencionados os símbolos do Rio Grande do Sul:


Orgulho de um Povo



Eu sinto orgulho desse sotaque sulino...
De um povo que canta o Hino
Com respeito e devoção!
Dessa Bandeira, amado pano sagrado...
do mapa do nosso Estado
Em forma de coração!

Eu tenho orgulho das nossas rodas de Mate
E na paz que se reparte
Nesse gesto de oferenda!
Da cor alegre de um Brinco-de-Princesa,
Flor que enfeita com beleza
As tranças das nossas prendas!

(refrão)
Eu sinto orgulho
Do entono dos centauros
No trono dos seus Cavalos,
Preservando Tradições!
Eu tenho orgulho
Dessa Alma Farroupilha,
Chama Crioula que brilha
No sacrário dos Galpões!

Eu sinto orgulho desse meu sangue Farrapo...
Brasão de Armas dos guapos,
Que nos trás tanta emoção!
Dessa heróica bravura dos Quero-queros,
Feito caudilhos austeros
Defendendo nosso chão!
Eu tenho orgulho dum churrasquito nas brasas...
Cordeona pedindo vasa
E a gauchada contente!
Eu sinto orgulho dessa fé que se revela
Num simples chá de Macela
Curando os males da gente!

(refrão)
Eu sinto orgulho
Do entono dos centauros
No trono dos seus Cavalos,
Preservando Tradições!
Eu tenho orgulho
Dessa Alma Farroupilha,
Chama Crioula que brilha
No sacrário dos Galpões!

Autores: Duca Duarte e Silvio Ayone.
Intérprete: Cristiano Quevedo

Em nossas pesquisas sobre a Semana Farroupilha descobrimos uma porção de coisas interessantes e que nem todos conhecem. A partir desta postagem, nós estaremos dividindo estas informações com os leitores do Blog Gaudérios.

Semana Farroupilha - TEMA 2008

Postado por Unknown | terça-feira, setembro 09, 2008 | , | 0 comentários »

"As sociedades organizadas adotam uma série de símbolos representativos que, de uma forma ou de outra, representam aspectos importantes da história, do folclore, das crenças, dos valores e do imaginário do povo que as constituem. No Rio Grande do Sul não é diferente, aliás, talvez seja, entre os Estados Brasileiros, aquele em que os aspectos simbólicos sejam mais fortes e estejam mais presentes no imaginário das pessoas.

Com o objetivo de destacar, valorizar e tornar mais conhecidos os símbolos oficiais ou não, a Comissão Estadual da Semana Farroupilha decidiu adotar, como temário dos festejos farroupilhas de 2008, exatamente esta simbologia.

Os símbolos oficiais, definidos por legislação especifica, temos a Bandeira, o Hino e as Armas (Lei 5.213/66), a planta Erva-mate (Lei 7.439/80), a ave Quero-quero (Lei 7.418/80), a flor Brinco-de-princesa (Decreto 38.400/98), o Cavalo Crioulo (Lei 11.826/02), a planta medicinal Macela (Lei 11.858/02), a bebida Chimarrão (Lei 11.929/03) e o prato típico Churrasco (Lei 11.929/03).

Além dos símbolos considerados oficiais, posto que definidos em lei, a sociedade gaúcha possui outros símbolos importantes, tias como: A Chama Crioula (desde 1947) e o Galpão de Estância (simbolismo do Rio Grande primitivo). De outra forma, encontramos símbolos representativos de um município ou de uma região, como o monumento ao laçador em Porto Alegre, o monumento ao imigrante em Caxias do Sul ou as bromélias de Gravataí.

Em cumprimento à função didática e aculturadora dos festejos farroupilhas de 2008, recomenda-se que nas escolas, nos centros de tradições gaúchas, nas sociedades literárias regionais e em todos os lugares e em todas as oportunidades possíveis, sejam estudados os nossos símbolos, compreendendo-os, valorizando-os e os preservando como uma das formas importantes de valorização da cultura regional típica, de aumento da auto-estima e demonstração publica do quanto nos orgulhamos das nossas coisas.

Nos desfiles temáticos realizados no encerramento dos festejos, recomenda-se destacar os símbolos oficiais, em primeiro lugar, e os símbolos não oficiais e locais como forma de caracterizar a região ou o município onde eles ocorrem."

Manoelito Carlos Savaris
Presidente do IGTF - Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore
Fonte: www.semanafarroupilha.com.br

20 de Setembro e Semana Farroupilha

Postado por Unknown | terça-feira, setembro 09, 2008 | , , , | 0 comentários »

Neste mês entramos no período que está sem dúvidas entre os mais significativos para a Cultura Gaúcha. Trata-se do mês de Setembro.

Isso acontece por motivos históricos, visto que há muitos anos, no dia 20 de Setembro de 1835, ocorreu a tomada de Porto Alegre a qual foi marco do início de uma revolta que duraria 10 anos, a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos.

Como surge a Semana Farroupilha?

Na década de 40 foi criada a Ronda Gaúcha que mais tarde, no dia 11 de dezembro de 1964, através da Lei 4.850, a Assembléia Estadual oficializou a Ronda Gaúcha, com o nome de Semana Farroupilha, uma semana especial, para reverenciar a cultura e relembrar os fatos históricos que fizeram do Rio Grande do Sul, o que hoje ele é.

O período de comemoração passou a ser de uma semana, do dia 14 à 20 de setembro. Em 1996, através de lei federal, o dia 20 de setembro foi oficializado o Dia do Gaúcho ou Dia da Liberdade, no qual são homenageados os heróis da Revolução Farroupilha.

Passado algum tempo, a partir do ano 1995, o dia 20 de setembro é definido pela Constituição Estadual com a data magna do Estado, passando a ser feriado.

Observe como o Hino Riograndense refere-se aos fatos históricos e aos valores do povo gaúcho:

Como a aurora precursora
do farol da divindade,
foi o Vinte de Setembro
o precursor da liberdade.

Estribilho:

Mostremos valor, constância,
nesta ímpia e injusta guerra,
sirvam nossas façanhas
de modelo a toda terra.


Mas não basta pra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo,
povo que não tem virtude
acaba por ser escravo.

Letra: Francisco Pinto da Fontoura
Música: Comendador Maestro Joaquim José de Mendanha
Harmonização: Antônio Corte Real

Alma de Bolicheiro

Postado por Unknown | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , , | 0 comentários »

Composição: Jayme Caetano Braun/Leonel Gomez e João Gabriel Silveira Gomes

Video: Alma de Bolicheiro
Jayme Caetano Braun / Leonel Gomez
18ºReculuta da Canção Crioula
Guaíba RS Brasil




Acompanhe a letra de Alma de Bolicheiro:

Sou bolicho, bulperia
Venda e casa de negócio
Verdadeiro sacerdócio
Farmácia e perfumaria

Me chamam templo campeiro
Do velho pago lendário
Meu balcão conficionário
Meu sacerdote ocultpeiro

/:Fui o primeiro entreposto
Dentro do solo pampeano
Entra ano e passa ano
E eu nunca paguei imposto:/

Bolicheiro, bolicheiro, bolicheiro de campanha
Me bota um trago de canha
Pra mata meu desespero
Bolicheiro, perdi o rumo
E a memória já me falha
Me vende um maço de palha
Me vende um palmo de fumo

Bolicheiro eu nem apeio
Me dá uma vela depressa
Vou pagar uma promessa
Pro negro do pastoreio

Bolicheiro, bolicheiro
Eu vou ver a namorada
Me traz uma flor colorada
E um frasco de água de cheiro

/:Fui o primeiro entreposto
Dentro do solo pampeano
Entra ano e passa ano
E eu nunca paguei imposto:/

Bolicheiro, bolicheiro, bolicheiro de campanha
Me bota um trago de canha
Pra mata meu desespero
Bolicheiro, perdi o rumo
E a memória já me falha
Me vende um maço de palha
Me vende um palmo de fumo

Pajada à Morte de Um Poeta - Paulo de Freitas Mendonça

Postado por Unknown | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Quando morre um poeta
Ficam seus versos escritos
E muitos temas bonitos
Na poesia incompleta
Acalma-se um'alma inquieta
Na busca de inspirações
E suas belas canções
Pelo Pago estribilham
Com lágrimas que fervilham
Caídas sobre os tições

Quando morre um poeta
Muitos recitam seus versos
Outros gritam no Universo
O fim de sua cancha reta.
Dão a notícia completa
A dor e o suor da lida
Mexem na sua ferida
Contam sua desilusão
E fingem dar-lhe atenção
Que não lhe deram na vida

Quando morre um poeta
Cala uma voz criativa
Sua poesia nativa
É abortada ou se embreta.
É num vazio que se aquieta,
Pelo silêncio engolida
Morre antes de ter vida
Numa folha de papel
Como a Torre de Babel
É por Deus interrompida

Quando morre um poeta
Entre o choro, há poesia,
O coração se esvazia
De uma platéia seleta
E uma cantiga discreta
Entre soluço e saudade
Apaga a claridade
De um ser iluminado
Que por Deus foi batizado
Com poesias de verdade

Quando morre um poeta
O sonho meio se ofusca
E a realidade rebusca
Outro rumo em sua seta.
Impõe a vida concreta
Sem vazão pras ilusões,
E quer transformar canções
Em coisas imagináveis
Tenta tornar vulneráveis
As loucas inspirações.

Quando morre um poeta
Ficam órfãos seus poemas
Improdutivos seus temas
E inalcansável sua meta.
Fica uma obra incompleta
Nas gavetas reviradas,
Junto as frases rabiscados,
Imagens de um sonhador.
Fica calado um cantor
Por canções inacabadas

Quando morre um poeta
A poesia entristece,
A rima feia padece
Por ter ficado incorreta,
E a poesia indiscreta
Prefere ser esquecida
Por ter sido concebida
Num momento de euforia,
Embora seja poesia
Que jamais fora relida.

Quando morre um poeta
Há mais brilho nas estrelas
Mais calor para aquecê-las,
E as noites ficam mais quieta
Cheias de rimas secretas
De sonhos e fantasias
Transformando as poesias
Em tão garboso matiz
E o Céu se faz mais feliz
Por sorver sua energia.

Ao Jayme Caetano Braun - payada de Arabí Rodrigues

Postado por Unknown | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , | 0 comentários »

O papa dos payadores - em memória

Meu irmão de querer bem,
peço licença primeiro,
é o payador brasileiro,
que do pampa largo vem,
para mostrar o que tem
depois da última conquista.
No mundo tradicionalista,
alcançou o terceiro grau;
do mangrulho do Jarau,
a voz crioula farfalha,
a legenda da Medalha
Jayme Caetano Braum.

O motivo da honraria,
a quem de um modo, ou de outro,
tenha amanunciado potro,
entre o solo e a porfia.
A guitarra, uma guria,
filha da deusa pampiana,
retratando a quero-mana
nos requebros da cantiga.
A musa por ser antiga,
alcança métrica e rima
e o payador põe a estima,
a luz que nos interliga.

Nem todos que receberam
tiveram o mesmo privilégio,
de pertencer ao colégio,
aonde os pajés aprenderam.
Mas por certo mereceram,
pelo trabalho em defesa
da nossa maior riqueza:
bons hábitos e costumes,
que servem de guia e lumes,
aos povos do mundo inteiro,
é o gaúcho brasileiro
ante o altar dos perfumes.

Ao papa dos paydores,
Caetano Braum, poesia,
quem sabe, talvez, um dia,
quando o Senhor dos senhores,
proclamar nossos amores,
ao largo do infinito,
eu possa dizer contrito:
que fiz tudo quanto pude,
pra mostrar tua virtude,
aos que chegaram depois,
como solistas, nós dois,
somos sempre juventude...

Visite o Blog O Payador de Arabí Rodrigues

NOS LÁBIOS DO PAJADOR - Pedro Júnior da Fontoura

Postado por Unknown | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Sobrou só o meu silêncio
Numa quietude interior
O gosto dos beijos teus
Nos lábios do pajador.
O calor do teu abraço
A leveza do teu ser
Teu corpo junto ao meu
É tudo que quero ter.

E restou o teu encanto
O brilho do teu olhar
O sussurro da tua voz
Na arte de se entregar.
Tua magia mulher
Teu sotaque, tua leveza
A força das tuas mãos
Indecifrável beleza.

Quero sentir o teu corpo
Os teus seios, teu calor.
Teu sussurro, teu suor,
Teus segredos meu amor.
Quero ser somente teu
O tempo todo, com calma
Numa entrega total
Dar-te coração e alma.

Lua cheia de março de 2000, entre Porto Alegre e Buenos Aires.

Pajada À Mulher - Jadir Oliveira

Postado por Unknown | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Composição: Jadir Oliveira / Paulo De Freitas Mendonça

Abro minh'alma cativa
Que amanheceu orvalhada
Querendo ser libertada
Por esta musa nativa
Deusa guardiã primitiva
Do segredo mais fecundo
Com sentimento profundo
Conforme o tema requer
Vamos pajar à mulher
Progenitora do mundo

Este princípio que fitas
Num horizonte de sonho
A ele eu me proponho
Pois há rimas infinitas
Com atitudes bonitas
Tem a mulher, com certeza,
Meiguice, amor, firmeza
E um dom de protetora
Seja santa ou pecadora
Transcende a própria beleza

Antes mesmo de ser gente
Somos dependentes dela
E quando abrimos a goela
Para este mundo vivente
É ela quem faz a frente
Para apontar o caminho
É tão grande o seu carinho
Seu seio, tão importante,
Como quem diz “segue adiante
Que eu não te deixo sozinho”

Desde a mãe, primeiro amor,
A mulher está presente
No coração inocente
Que desabrocha qual flor
Depois quando sonhador
A professora primeira,
A namorada trigueira
Que pra vida dá sentido
E quando amadurecido,
Os braços da companheira

Quantos poetas e cantores
Descreveram sua beleza
Por verem nela a leveza
Das asas dos beija-flores
Trazendo coplas de amores
Entre sorrisos e prantos
Desde o paraiso, quantos
De seu ventre já nasceram
E quantos por ela morreram
Perdidos por seus encantos?

Ela conhece os segredos
Que carregamos na alma
Sabe desvendar com calma
Todos os nossos enredos
Sabe acalentar os medos
A sua alma é tão pura
Com sua mão nos segura
A cada dia que nasce
Na expressão de sua face
Amor, carinho e ternura

Por ser um simples mortal
Não consigo descrevê-la
Pois compará-la a uma estrela
Não seria original
Seu brilho não tem igual
Resplandece eternamente
Compará-la a uma vertente
Ou ao diamante mais raro
É pouco, não a comparo
Ela é mulher simplesmente

Merece o nosso respeito
E um pedido de perdão
Por crimes da inquisição
O mais brutal preconceito
Ao negarem seu direito
Desde lá, à atualidade
Estão negando a igualdade
De uma forma desmedida
À geradora da vida
De toda a humanidade

No xucro céu dos cantores
É uma Deusa iluminada
Que santifica a pajada
Na alma dos pajadores
Traz o perfume das flores
Colhidas no paraíso
No lume do seu sorriso
Arco íris de magia
Que vem bebendo poesia
Na cacimba do improviso

ARTIGOS DE FÉ DO GAÚCHO - João Simões Lopes Neto

Postado por Unknown | sexta-feira, agosto 22, 2008 | , ,

Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem.

Alguns aprendem à sua custa, quase sempre já tarde pra um proveito melhor. Eu sou desses.

Pra não suceder assim a vancê, eu vou ensinar-lhe o que os doutores nunca hão de ensinar-lhe por mais que queimem as pestanas deletreando nos seus livrões. Vancê note na sua livreta:

1º. Não cries guaxo: mas cria perto do teu olhar o potrilho pro teu andar.

2º. Doma tu mesmo o teu bagual: não enfrenes na lua nova, que fica babão; não arrendes na miguante, que te sai lerdo.

3º. Não guasqueies sem precisão nem grites sem ocasião: e sempre que puderes passa-lhe a mão.

4º. Se és maturrango e chasque de namorado, mancas o teu cavalo, mas chegas; se fores chasque de vida ou morte, matas o teu cavalo e talvez não chegues.

5º. A maior pressa é a que se faz devagar.

6º. Se tens viajada larga não faças pular o teu cavalo; sai ao tranco até o primeiro suor secar; depois ao trote até o segundo; dá-lhe um alce sem terceiro e terás cavalo para o dia inteiro.

7º. Se queres engordar o teu cavalo tira-lhe um pêlo da testa todas as vezes da ração.

8º. Fala ao teu cavalo como se fosse a gente.

9º. Não te fies em tobiano, nem bragado, nem melado; pra água, tordilho; pra muito, tapado; mas
pra tudo, tostado.

10º. Se topares um andante com os anelos às costas, pergunta-lhe - onde ficou o baio?...

11º. Mulher, arma e cavalo do andar, nada de emprestar.

12º. Mulher, de bom gênio; faca, de bom corte; cavalo de boa boca; onça, de bom peso.

13º. Mulher sardenta e cavalo passarinheiro... alerta, companheiro!...

14º. Se correres eguada xucra, grita; mas com os homens, apresilha a língua.

15º. Quando dois brincam de mão, o diabo cospe vermelho...

16º. Cavalo de olho de porco, cachorro calado e homem de fala fina… sempre de relancina...

17º. Não te apotres, que domadores não faltam...

18º. Na guerra não há esse que nunca ouviu as esporas cantarem de grilo...

19º. Teima, mas não apostes; recebe, e depois assenta; assenta, e depois paga...

20º. Quando 'stiveres pra embrabecer, conta três vezes os botões da tua roupa...

21º. Quando falares com homem, olha-lhe para os olhos, quando falares com mulher, olha-lhe
para a boca... e saberás como te haver...

...

Que foi?
Ah! quebrou-se a ponta do lápis?
Amanhã vancê escreve o resto: olhe que dá para encher um par de tarcas!...



Glossário
Arrendes – do verbo arrendar: submeter o cavalo às rédeas, sem freio, durante a doma. Guasqueies – do verbo guasquear: fustigar com guasca ou outro açoite.
Cavalo de boa boca – cavalo obediente às rédeas.
Cavalo passarinheiro – cavalo assustadiço.

O Sinuelo

Postado por Unknown | quarta-feira, agosto 20, 2008 | , , , , | 1 comentários »

Talvez muitas pessoas ignorem o que é sinuelo. Mesmo muita estância, atualmente, não possui mais um amestrado sinuelo para os apartes de bois num pelado de rodeio. Este serviço agora é feito em tronco. Até as tropas são faturadas desta maneira. Tem lá suas vantagens. Poupa os cavalos e com pouca gente e tempo se aparta, refuga qualquer número de reses.

O sinuelo era formado de um lote de seis a doze bois de igual pelagem, tendo, porém, sempre um deles o pêlo diferente. Por exemplo: se o lote de bois fosse salino, um deles era mouro ou vice-versa. Os animais para futuro sinuelo era escolhidos pela pelagem e tirados da cria com dois anos de idade. Depois ficava, à parte, em um potreiro, para se enquadrilharem. Feito isso,começava-se, então, a ensina-los a missão que deveriam vir a desempenhar nas lides do campo.

Todos os dias eram trazidos do potreiro e, por várias vezes, obrigados a entrar e sair da mangueira, a fim de aprenderem a fazer isso com facilidade, segurança e presteza. Eram metidos como já disse, a gritos e a laço, mangueira adentro e porteira afora. Para alerta-los ou acelerar a marcha, se gritava: "Sinuelo boi" – E, para tranqüiliza-los ou pará-los, o grito era: "Oxe boi".

Cada vez de se levantar um rodeio ou mover-se com o gado, mesmo em plena marcha e ao aproximar-se de uma porteira ou mangueira, gritava-se pelo sinuelo, a fim de que ele ponteasse, fazendo com que o resto do gado o seguisse.

Nos rodeios, se colocava o sinuelo a uma distancia de uns 80 metros. Lá ele ficava, sem mover-se, cuidado por dois homens à espera das reses que seriam apartadas. Essas reses eram tiradas do rodeio uma de cada vez, calçadas entre dois ou três campeiros, aos gritos de "fora, boi", e levadas a pata de cavalo e, se possível, assavam-lhe a roseta da esporas no lombo. Mas, ao aproximarem-se do sinuelo, agiam com calma, a fim de não espantarem as reses ou bois ariscos que já tinham sido apartados e estavam entre o sinuelo.

Hoje em dia, em falta de sinuelo, para se conduzir alguma animal xucro ou para os apartes dos rodeios, improvisa-se um sinuelo com vacas e bois mansos. Isso resolve e facilita o serviço. Em tempos idos, cada estância apresentava seu sinuelo de bois criados e de pelagem original, como africano, nilo e jaguané. E tinham maior satisfação ainda em demonostrar como os animais era bem adestrados no serviço. E a gauchada de lado, fazia valer suas qualidades campeiras, ressaltando a perícia e boa rédeas de seus pingos, soltos de pata, barbaridade!

Como era lindo o grito de "Ta fora, boi", cerrando perna no pingo, costeleando o boi a ponto de riscar-lhe o fio do lombo com a espora. Um homem é um homem. E o que é do homem o bicho não come.

Autor : Raul Annes Gonçalves

Do livro Mala de Garupa (Costumes Campeiros)
Terceira Edição – Martins Livreiro

Fonte: Hilton Luiz Araldi

Chimarrão da Madrugada

Postado por Unknown | sexta-feira, março 21, 2008 | , , , , | 0 comentários »

Essa poesia é daquelas que nos fazem realmente sentir o ambiente descrito, como se estivéssemos lá.
O chimarrão acompanha nos momentos de reunião e também naqueles momentos em que se está solito. Nesta poesia o autor descreve o início da rotina do gaúcho quando, acompanhado do cigarro de palha e do fogo de chão, ele testemunha o amanhecer.
Agradecimentos sinceros ao amigo que a enviou para nós.


Autor: Aureliano de Figueiredo Pinto

Não sei por que nesta noite
o sono velho cebruno
ergueu a clina e se foi!
E eu que arrelie ou me zangue.

Tenho olhos de ave da noite,
ouvidos de quero-quero
cordas de viola nos nervos
e uma secura no sangue.

Então, da marquesa salto
e vou direto ao galpão:
bato tição com tição
e a lavareda clareia
os caibros do galpão alto.

Já a cuia bem enxaguada,
corto um cigarro daqueles
de reacender vinte vezes
num trote de quatro léguas
de uma chasqueira troteada.

E, quando a chaleira chia,
principio um chimarrão,
mais verde e mais topetudo
do que um mate de barão.

Me estabeleço num banco
pra gozar gole e fumaça,
pitando um naco de branco.
E entre tragada e golito
saludo mui despacito
cada recuerdo que passa.

Um galo - o cochincho-mestre!
o laço desenrodilha.
E fica só com a presilha
e solta a armada bem grande
do laço de um canto largo
de sobrelombo a uma estrela.

E os outros galos-piazitos
vão atirando os lacitos
como em guachas de sinuelo.

E até um garnisé cargoso
vai reboleando orgulhoso
o soveuzito feioso
feito de couro com pêlo.

Nem relincham os cavalos!
Com brilhos de ponte-suelas,
lá em riba estão as estrelas!
Cá em baixo os cantos dos galos.

A estrela d'alva trabalha
na imensidão da hora morta:
- ou num perfil de medalha
ou a maiúscula inicial
sobre a prata de um punhal
que ainda há de sangrar o dia.

E a "Nova" ao largo se corta,
magra, esquilada, arredia,
empurrando a guampa torta
contra o ventito do Sul,
como num campo de azul,
a ovelha chamando a cria.

Solito, perto do fogo,
como um bugre imaginando,
escuto o Tempo rodando
sem descobrir o seu jogo.

O perro Baio-coleira
faz que cochila... E abre os olhos,
a espaços, regularmente.
E me fixa os olhos claros
como um amigo, dos raros,
cuidando do amigo doente.

É um gosto olhar os brasidos
E os luxos das lavaredas
dançando rendas e sedas
para a ilusão dos sentidos.
E entre o amargo e a tragada
tranqueiam na madrugada
tantos recuerdos perdidos.

E o chimarrão macanudo
vai entrando pelo sangue!
Vai melhorando as macetas,
curando as juntas doridas
como água arisca de sanga
sobre loncas ressequidas.

O peito avoluma e arqueia
como cogote de potro.
E as ventas se abrem gulosas
por cheiro de madrugada.
- Potrilhos em disparada
num Setembro de alvoroto.

Ah... sangue velho descubro
Porque hoje estas de vigilia
Três seculos de fronteira
De madrugadas campeiras
De velhas guardas guerreira
Floreando o Pampa em coxilha

Por isso é que hoje não dormes
Ouviste a voz de ancestrais
O chimarrão principia
Alerta, o campo vigia
Da meia noite pro dia
Um taura não dorme mais.

Cultura do Rio Grande do Sul

Postado por Unknown | quinta-feira, novembro 29, 2007 | , , | 0 comentários »

RSS Feed

O chimarrão.

O Rio Grande do Sul apresenta uma rica diversidade cultural. De uma forma sucinta, pode-se concluir que a cultura do estado tem duas vertentes: a gaúcha propriamente dita, com raízes nos antigos gaúchos que habitavam os pampas; a outra vertente é a cultura trazida pela colonização européia, efetuada por colonos portugueses, espanhóis e imigrantes alemães e italianos.

A primeira é marcada pela vida no campo e pela criação bovina. A cultura gaúcha nasceu na fronteira entre a Argentina, o Uruguai e o Sul do Brasil. Os gaúchos viviam em uma sociedade nômade, baseada na pecuária. Mais tarde, com o estabelecimento das fazendas de gado, eles acabaram por se estabelecer em grandes estâncias espalhadas pelos pampas. O gaúcho era mestiço de índio, português e espanhol, e a sua cultura foi bastante influenciada pela cultura dos índios guaranis, charruas e pelos colonos hispânicos.

Gaúchos engajados em dança típica.

No século XIX, o Rio Grande do Sul começou a ser colonizado por imigrantes europeus. Os alemães começaram a se estabelecer ao longo do rio dos Sinos, a partir de 1824. Ali estabeleceram uma sociedade baseada na agricultura e na criação familiar, bem distinta dos grandes latifundiários gaúchos que habitavam os pampas. Até 1850, os alemães ganhavam facilmente as terras e se tornavam pequenos proprietários, porém, após essa data, a distribuição de terras no Brasil tornou-se mais restrita, impedindo a colonização de ser efetuada nas proximidades do Vale dos Sinos. A partir de então, os colonos alemães passaram a se expandir, buscando novas terras em lugares mais longes e levando a cultura da Alemanha para diversas regiões do Rio Grande do Sul.


Parque Histórico em Lageado

A colonização alemã se expandiu nas terras baixas, parando nas encostas das serras. Quem colonizou as serras do Rio Grande do Sul foram outra etnia: os italianos. Imigrantes vindos da Itália começaram a se estabelecer nas Serras Gaúchas a partir de 1875. A oferta de terras era mais retrista, pois a maior parte já estava ocupada pelos gaúchos ou por colonos alemães. Os italianos trouxeram seus hábitos e introduziram na região a vinicultura, ainda hoje a base da economia de diversos municípios gaúchos.



Cultivo de uvas e arquitetura italiana da zona rural de Caxias do Sul

RSS Feed

Sentimento Gaudério

Postado por Unknown | segunda-feira, novembro 19, 2007 | , , , , | 0 comentários »

RSS Feed























Hoje, e confesso que seguidamente, me peguei pensando sobre nossa terra, sobre como é que aprendemos a ter esse amor pelo Rio Grande do Sul e, sobretudo, como fazer para os filhos sentirem esse amor.

Meu problema é um só, mas trata-se de um caso sério. É que eu, como muitos outros gaúchos e gaúchas, estou nesse momento longe do pago. Longe das rodas de chimarrão do amanhecer e de tardezinha ou mesmo chimarreando só, do ritual sagrado do churrasco domingueiro com a família reunida embalado pelas belas melodias de Noel Guarany ou Cenair Maicá, índios guapos que transformaram em música o sentimento que atravessa os pampas, acendendo o fogo das raízes culturais e assim celebrando a tradição gaúcha.

Assim aprendi a ser gaúcha, meio sem perceber, sem esforço ou questionamento, ouvindo e dançando a chimarrita, vendo as prendas e peões nos bailes do CTG, sentindo o aroma do churrasco no espeto que ao assar pingava nas brasas, provando pela primeira vez o mate-doce com hortelã, servido da chaleira de ferro, acampando nas férias, na beira do rio e brincando no potreiro, no meio dos quero-queros.

Minha solução é a seguinte, por enquanto, aqui, nestas terras quentes e carnavalescas em que hoje me aquerenciei, vou remediando a falta dos pampas oferecendo à minha filha um chimarrão no fim da tarde, uma música bem gaudéria no domingo e à noite, uma história do Rio Grande do tempo antigo, que ouvi de minha avó, para encantar seus sonhos de infância.

RSS Feed