(1865-1916) - Natural de Pelotas, RS. Estreou como autor teatral com a revista O Boato, à qual se seguiram vários outros textos dramáticos, assinados sob o pseudônimo de Serafim Bemol.
João Simões Lopes Neto, publicou apenas quatro livros em sua vida: Cancioneiro Guasca (1910), Contos Gauchescos (1912), Lendas do Sul (1913) e Casos do Romualdo (1914).
:: Lendas do Sul ::
João Simões Lopes Neto
A Mboitatá
A Salamanca do Jarau
O Negrinho do Pastoreio
Argumentos de outras lendas missioneiras e do centro e norte do Brasil
Missioneiras
A mãe do ouro
Cerros bravos
A casa de Mbororé
Zaoris
O Angüera
Mãe Mulita
São Sepé
Do centro e norte do Brasil
O Caapora
O Curupira
O Saci
A Uiara
O Jurupari
O Lobisomem
A Mula-sem-cabeça
por: João Simões Lopes Neto
É um espírito com forma de homem, gigante, peludo e muito tristonho, que comanda as varas de porcos-do-mato e anda sempre montado sobre um deles. Quem topar com o Caapora daí em diante arrastará consigo a infelicidade (caiporismo), para todo o resto da vida; se era bom torna-se mau caçador, pescador; dará topadas no caminho, espinhar-se-á nas roçadas, perderá objetos, andará atrasado, apoquentado... Os animais domesticados também sentem a sua má influência, e entecarão, terão gogo, sofrerão bicheiras... No entanto o Caapora protege a caça bravia dos matos.
por: João Simões Lopes Neto
É o espírito malfazejo do mato, que enreda os trilhos do caminho para enganar os andantes e sugar-lhes o sangue. Andam sempre em casal e moram no oco dos paus de lei; aparecem de repente, fazem os seus embustes e escondem-se, à tocaia, rindo-se em silêncio. O Curupira é como um tapuio pequeno; tem os dentes verdes e os pés colocados às avessas. Quando perseguido pelo Curupira, o melhor meio de fugir-lhe é atirar-se e ir deixando pelo caminho cruzes e rodilhas de cipó, entrançadas; ele entretém-se a examinar o achado e a destrançá-lo, e, enquanto isso, o perseguido escapa-se.
O SACI
por: João Simões Lopes Neto
Era um caboclinho dum pé só, muito ágil, que saltava na garupa dos cavalos dos viajantes.
Gostava das picadas e das encruzilhadas das estradas sombreadas. Outros diziam que o Saci
apenas era manco de um pé e tinha uma ferida em cada joelho; que usava um barreta feito das
marrequinhas (flores das corticeira), e que era ele que governava as moscas importunas, as
mutucas, os mosquitos.
Morreu em Pelotas, aos 51 anos, de uma úlcera perfurada.
:: A MANDINGA ::
por: João Simões Lopes Neto
SERAFIM BEMOL - SÁTIRO CLEMENTE - D. SALÚSTIO