João Simões Lopes Neto

Postado por msr4k | sexta-feira, junho 13, 2008 | | 1 comentários »


Palavras Chave: Literatura Sul-Rio-Grandense, João Simões Lopes Neto, Serafim Bemol, Literatura gaúcha

(1865-1916) - Natural de Pelotas, RS. Estreou como autor teatral com a revista O Boato, à qual se seguiram vários outros textos dramáticos, assinados sob o pseudônimo de Serafim Bemol.

João Simões Lopes Neto, publicou apenas quatro livros em sua vida: Cancioneiro Guasca (1910), Contos Gauchescos (1912), Lendas do Sul (1913) e Casos do Romualdo (1914).



:: Lendas do Sul ::
João Simões Lopes Neto

A Mboitatá
A Salamanca do Jarau
O Negrinho do Pastoreio
Argumentos de outras lendas missioneiras e do centro e norte do Brasil
Missioneiras
A mãe do ouro
Cerros bravos
A casa de Mbororé
Zaoris
O Angüera
Mãe Mulita
São Sepé
Do centro e norte do Brasil
O Caapora
O Curupira
O Saci
A Uiara
O Jurupari
O Lobisomem
A Mula-sem-cabeça

O CAAPORA
por:
João Simões Lopes Neto
É um espírito com forma de homem, gigante, peludo e muito tristonho, que comanda as varas de porcos-do-mato e anda sempre montado sobre um deles. Quem topar com o Caapora daí em diante arrastará consigo a infelicidade (caiporismo), para todo o resto da vida; se era bom torna-se mau caçador, pescador; dará topadas no caminho, espinhar-se-á nas roçadas, perderá objetos, andará atrasado, apoquentado... Os animais domesticados também sentem a sua má influência, e entecarão, terão gogo, sofrerão bicheiras... No entanto o Caapora protege a caça bravia dos matos.

O CURUPIRA
por: João Simões Lopes Neto
É o espírito malfazejo do mato, que enreda os trilhos do caminho para enganar os andantes e sugar-lhes o sangue. Andam sempre em casal e moram no oco dos paus de lei; aparecem de repente, fazem os seus embustes e escondem-se, à tocaia, rindo-se em silêncio. O Curupira é como um tapuio pequeno; tem os dentes verdes e os pés colocados às avessas. Quando perseguido pelo Curupira, o melhor meio de fugir-lhe é atirar-se e ir deixando pelo caminho cruzes e rodilhas de cipó, entrançadas; ele entretém-se a examinar o achado e a destrançá-lo, e, enquanto isso, o perseguido escapa-se.

O SACI
por:
João Simões Lopes Neto
Era um caboclinho dum pé só, muito ágil, que saltava na garupa dos cavalos dos viajantes.
Gostava das picadas e das encruzilhadas das estradas sombreadas. Outros diziam que o Saci
apenas era manco de um pé e tinha uma ferida em cada joelho; que usava um barreta feito das
marrequinhas (flores das corticeira), e que era ele que governava as moscas importunas, as
mutucas, os mosquitos.


"Entre 15 de outubro e 14 de dezembro de 1893, J. Simões Lopes Neto, sob o pseudônimo de "Serafim Bemol", e em parceria com Sátiro Clemente e D. Salustiano, escreveram, em forma de folhetim, "A Mandinga", poema em prosa. Mas a própria existência de seus co-autores é questionada. Provavelmente foi mais uma brincadeira de Simões Lopes Neto."

Morreu em Pelotas, aos 51 anos, de uma úlcera perfurada.

:: A MANDINGA ::
por: João Simões Lopes Neto

SERAFIM BEMOL - SÁTIRO CLEMENTE - D. SALÚSTIO

Serafim Bemol, Sátiro Clemente e D. Salústio, em comandita literária, que pretendem celebrar, nos anais da pilhéria pelotense, escrevem uma novela, romance, narrativa ou cousa que melhor nome tenha, observando-se o seguinte programa: A obra não tem fio nem pavio, os autores são obrigados a continuá-la, como entenderem, no ponto em que o associado anterior a tiver deixado. Quando estiverem a borrecidos, ou o público começar a bocejar, matam-se os personagens todos e... assunto concluído. A sorte designou Serafim Bemol para principiar o trabalho, dar-lhe o título e encaminhá-lo como entendesse. Seguir-se-ão com a palavra Sátiro Clemente e D. Salústio. A Mandinga é o lôbrego título do folhetim, e começa hoje. Arranjam -se os leitores e esperem pela volta todos os domingos e quintas-feiras em que lhes servirem este pratinho, destinado a amenizar os seus dissabores. Temos tempo de sobra para chorar. Correio Mercantil, 15. out. 1893.

Homenagem a Antônio Augusto Brum Ferreira

Postado por msr4k | sábado, maio 31, 2008 | , , | 2 comentários »



"Neste fogo onde me aquento remou as coisas que penso
Repasso o que tenho feito para ver o que mereço
Quando chegar meu inverno que me vem branqueando o cerro
Vai me encontrar venta aberta de coração estreleiro
Mui carregado de sonhos que habitam o meu peito
E que irão morar comigo no meu novo paradeiro"
(Veterano, composição: Antônio Augusto Ferreira e Ewerton Ferreira)

Certamente este novo paradeiro são as canções, prosas e poesias que Antônio Augusto Brum Ferreira construiu ao longo de sua vida. Sim, o autor de Veterano agora mora em seus livros, canções, poesias e revive cada vez que é lido, declamado ou escutado. Sua voz ecoa na cultura gaúcha, suas palavras juntam-se as de outros gaúchos na formação dos pilares da nossa tradição.


"Antonio Augusto nasceu em São Sepé, em 1935. Mudou-se na infância para a cidade de Passo Fundo, onde viveu até 1953, quando passou a residir em Porto Alegre. Através de concursos públicos, foi escrivão em Sananduva, Pelotas e Passo Fundo, antes de ser transferido para o Oficio do Registro de Imóveis de Santa Maria (...)."[1]
"O gosto inato pela cultura sul-rio-grandense levou-o a participar, aos 16 anos de idade, da fundação do CTG Lalau Miranda, em Passo Fundo, e a freqüentar o 35 CTG, em Porto Alegre, na década de 50, época em que passou a publicar poemas de sua autoria sob o pseudônimo de "Tocaio Ferreira". Assim que chegou a Santa Maria, Antônio Augusto passou a fazer parte da Associação Tradicionalista Estância do Minuano (...)."[1]

"Premiado em diversos festivais de música, Ferreira escreveu cinco livros e uma obra que chamam atenção pela musicalidade e pela inspiração no universo campeiro."[2]

Linha de tempo das principais conquistas de Antônio Ferreira
1935 - Nasce Antônio Augusto Brum Ferreira, em São Sepé
1980 - Vence a 10ª Califórnia da Canção Nativa com a composição Veterano.
1985 - Antônio Ferreira lançou seu primeiro livro, Sol de Maio (poesia).
1997 - Segunda obra, Alma de Poço (poesias).
2001 - Ganhou o troféu Negrinho do Pastoreio da Poesia Campeira.
2003 - Publicação de Tio Bonifa e Seu Cachorro Piraju.
-
Patrono da Feira do Livro de Santa Maria.
2004 - Eleito para integrar a Academia Rio-Grandense de Letras, (cadeira 28).

10ª CALIFÓRNIA 1980 - 1º LUGAR: VETERANO


Veterano

Composição: Antônio Augusto Ferreira e Ewerton Ferreira

Está findando o meu tempo a tarde encerra mais cedo
Meu mundo ficou pequeno e eu sou menor do que penso
O bagual tá mais ligeiro, o braço fraqueja às vezes
Demoro mais do quero mas alço a perna sem medo
Encilho o cavalo manso mas boto o laço nos tentos
Se a força falta no braço na coragem me sustento

(Se lembro os tempos de quebra a vida volta pra trás
Sou bagual que não se entrega assim no más) 2x

Nas manhãs se primavera quando vou parar rodeio
Sou menino de alma leve voando sobre os pelegos
Cavalo do meu potreiro mete a cabeça no freio
Encilho no parapeito mas não ato nem maneio
Se desencilho o pelego cai no banco onde me sento
Água quente e erva buena para matear em silêncio

(Se lembro os tempos de quebra a vida volta pra trás
Sou bagual que não se entrega assim no más)2x

Neste fogo onde me aquento remou as coisas que penso
Repasso o que tenho feito para ver o que mereço
Quando chegar meu inverno que me vem branqueando o cerro
Vai me encontrar venta aberta de coração estreleiro
Mui carregado de sonhos que habitam o meu peito
E que irão morar comigo no meu novo paradeiro

(Se lembro os tempos de quebra a vida volta pra trás
Sou bagual que não se entrega assim no más)2x

Bibliografia
1. http://www.colegioregistralrs.org.br/noticia.asp?cod=188
2. Zero Hora,
17/03/2003.