A "Chama Crioula"

Postado por Unknown | segunda-feira, agosto 18, 2008 | , , | 0 comentários »



O simbolismo do fogo é universal, encerra em si o poder e a força. Assim como na Semana da Pátria, também na Semana Farroupilha temos um fogo simbólico, a "Chama Crioula", aliás, esta tem origem primeira naquela: foi em 1947 que, pela vez primeira, ardeu um candeeiro crioulo. A "Chama Crioula" representa a história, a tradição, a alma da sociedade gaúcha, construída ao longo de pouco mais de três séculos. Em torno dela construímos um ambiente de reverência ao passado, de culto aos feitos e fatos que nos orgulham, de reflexão sobre a sociedade que somos e a que queremos ser. Frente à chama, não fazemos festa, não bebemos, não dançamos. Nossa postura é de reverencia e de compenetração cívica.

Neste ano de 2008, o Rio Grande e o mundo tradicionalista se voltam para São Leopoldo para reverenciar a história dos jesuítas que introduziram o gado nestas terras, os indígenas que assimilaram a nova riqueza e a trajetória vitoriosa de uma sociedade que superou todas as dificuldades, desde a Guerra Guaranítica até as quebras das safras de soja e trigo, para manter e fazer crescer o "Rio Grande Missioneiro".

Como liame que une todas as querências, todos os galpões, todos os acampamentos, todas as manifestações da Semana Farroupilha, a Chama Crioula arderá no Rio Grande, sempre carregada de a cavalo por homens e mulheres que sabem o que fazem e o que querem.

História
Os idealizadores da Chama Crioula foram jovens estudantes vindos da campanha para a Capital, que procuravam um espaço onde pudessem reviver suas origens do campo e cultivar sentimentos regionalistas. À meia noite do dia sete de setembro de 1947, antes da extinção do fogo simbólico da pátria, Paixão Cortes e dois amigos, então estudantes do Colégio Júlio de Castilhos, retiraram uma centelha da chama e a conduziram a cavalo ao saguão do colégio, onde ardeu em um candeeiro até a meia noite do dia 20 de setembro.

Durante esse período, os jovens realizaram uma programação que contou com cantos, poesias, palestras e exposições sobre a cultura gaúcha. Desde então, a Chama Crioula passou a representar um local onde o povo do Rio Grande do Sul cultiva as suas tradições.

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A Chama Crioula será acesa no dia 16 de agosto, em São Leopoldo. A solenidade marca o início oficial das comemorações farroupilhas no Estado. Como o Fogo Simbólico, que simboliza o espírito do culto à Pátria, a chama Crioula encarna a magnitude da Tradição gaúcha. A Chama Crioula de 1947, transformou-se num símbolo gaúcho, para arder nos Centros de Tradições Gaúchas, nas Semanas Farroupilhas e em outros eventos tradicionais. É a representação do amor ao pago. O ideal do, também símbolo tradicionalista, folclorista Paixão Corte, com aquele primeiro facho traduziu a fertilidade da cultura que se perpetua na ronda legada aos tradicionalistas: a chama da alma gaúcha!

Os Cavaleiros do Planalto Médio, capitaneados pelo comandante Giovani Giacomini pelo quarto ano consecutivo se preparam para a realização de mais uma cavalgada tradicionalista que conduzirá uma centelha da chama desde São Leopoldo até Passo Fundo, percorrendo 348 km em 9 dias de cavalgada, com uma estrutura de 31 cavalos, 23 cavaleiros e 11 pessoas no apoio entre cozinheiro, ferreiro, trtadores e motoristas. Representantes de diversos municípios da região estarão buscando para o início das atividades a serem desenvolvidas durante a Semana do Gaúcho. "Nossos símbolos: nosso orgulho!" é o tema da Semana Farroupilha 2008. O temário irá valorizar os símbolos oficiais do Rio Grande do Sul, com o propósito de torná-los mais conhecidos pela população. O projeto congrega primeiramente os 10 símbolos listados na legislação: Bandeira, Hino, Armas, a planta Erva-mate, a ave Quero-Quero, a flor Brinco-de-princesa, o Cavalo Crioulo, a planta medicinal Macela, a bebida Chimarrão, e o prato típico Churrasco.

Fonte:
Cavaleiros do Planalto Médio

João Simões Lopes Neto

Postado por msr4k | sexta-feira, junho 13, 2008 | | 1 comentários »


Palavras Chave: Literatura Sul-Rio-Grandense, João Simões Lopes Neto, Serafim Bemol, Literatura gaúcha

(1865-1916) - Natural de Pelotas, RS. Estreou como autor teatral com a revista O Boato, à qual se seguiram vários outros textos dramáticos, assinados sob o pseudônimo de Serafim Bemol.

João Simões Lopes Neto, publicou apenas quatro livros em sua vida: Cancioneiro Guasca (1910), Contos Gauchescos (1912), Lendas do Sul (1913) e Casos do Romualdo (1914).



:: Lendas do Sul ::
João Simões Lopes Neto

A Mboitatá
A Salamanca do Jarau
O Negrinho do Pastoreio
Argumentos de outras lendas missioneiras e do centro e norte do Brasil
Missioneiras
A mãe do ouro
Cerros bravos
A casa de Mbororé
Zaoris
O Angüera
Mãe Mulita
São Sepé
Do centro e norte do Brasil
O Caapora
O Curupira
O Saci
A Uiara
O Jurupari
O Lobisomem
A Mula-sem-cabeça

O CAAPORA
por:
João Simões Lopes Neto
É um espírito com forma de homem, gigante, peludo e muito tristonho, que comanda as varas de porcos-do-mato e anda sempre montado sobre um deles. Quem topar com o Caapora daí em diante arrastará consigo a infelicidade (caiporismo), para todo o resto da vida; se era bom torna-se mau caçador, pescador; dará topadas no caminho, espinhar-se-á nas roçadas, perderá objetos, andará atrasado, apoquentado... Os animais domesticados também sentem a sua má influência, e entecarão, terão gogo, sofrerão bicheiras... No entanto o Caapora protege a caça bravia dos matos.

O CURUPIRA
por: João Simões Lopes Neto
É o espírito malfazejo do mato, que enreda os trilhos do caminho para enganar os andantes e sugar-lhes o sangue. Andam sempre em casal e moram no oco dos paus de lei; aparecem de repente, fazem os seus embustes e escondem-se, à tocaia, rindo-se em silêncio. O Curupira é como um tapuio pequeno; tem os dentes verdes e os pés colocados às avessas. Quando perseguido pelo Curupira, o melhor meio de fugir-lhe é atirar-se e ir deixando pelo caminho cruzes e rodilhas de cipó, entrançadas; ele entretém-se a examinar o achado e a destrançá-lo, e, enquanto isso, o perseguido escapa-se.

O SACI
por:
João Simões Lopes Neto
Era um caboclinho dum pé só, muito ágil, que saltava na garupa dos cavalos dos viajantes.
Gostava das picadas e das encruzilhadas das estradas sombreadas. Outros diziam que o Saci
apenas era manco de um pé e tinha uma ferida em cada joelho; que usava um barreta feito das
marrequinhas (flores das corticeira), e que era ele que governava as moscas importunas, as
mutucas, os mosquitos.


"Entre 15 de outubro e 14 de dezembro de 1893, J. Simões Lopes Neto, sob o pseudônimo de "Serafim Bemol", e em parceria com Sátiro Clemente e D. Salustiano, escreveram, em forma de folhetim, "A Mandinga", poema em prosa. Mas a própria existência de seus co-autores é questionada. Provavelmente foi mais uma brincadeira de Simões Lopes Neto."

Morreu em Pelotas, aos 51 anos, de uma úlcera perfurada.

:: A MANDINGA ::
por: João Simões Lopes Neto

SERAFIM BEMOL - SÁTIRO CLEMENTE - D. SALÚSTIO

Serafim Bemol, Sátiro Clemente e D. Salústio, em comandita literária, que pretendem celebrar, nos anais da pilhéria pelotense, escrevem uma novela, romance, narrativa ou cousa que melhor nome tenha, observando-se o seguinte programa: A obra não tem fio nem pavio, os autores são obrigados a continuá-la, como entenderem, no ponto em que o associado anterior a tiver deixado. Quando estiverem a borrecidos, ou o público começar a bocejar, matam-se os personagens todos e... assunto concluído. A sorte designou Serafim Bemol para principiar o trabalho, dar-lhe o título e encaminhá-lo como entendesse. Seguir-se-ão com a palavra Sátiro Clemente e D. Salústio. A Mandinga é o lôbrego título do folhetim, e começa hoje. Arranjam -se os leitores e esperem pela volta todos os domingos e quintas-feiras em que lhes servirem este pratinho, destinado a amenizar os seus dissabores. Temos tempo de sobra para chorar. Correio Mercantil, 15. out. 1893.